quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Perdendo grandes eventos...

Esta semana, num grupo virtual de brasileiros em Houston, alguém perguntou 'qual a palavra que define seu 2015'? A minha, obviamente, foi mudança. A autora do post respondeu 'mudar é bom', ao que eu retruquei que tem coisas muito boas - outras, nem tanto. 
Quando um amigo querido se muda, a gente sente saudades, claro. Mas a rotina continua e a vida segue, limitando esta saudade às datas importantes. Quando você quem muda, a saudade é diária. Mas, da mesma forma, piora nas datas importantes. E estou diante de uma data muito, muito, muito importante para minha família, especialmente meu filho. O 31 de dezembro.
Reveillon é reveillon em qualquer lugar do mundo, sem dúvida. Não temos Copacabana, mas já sabemos dos lugares onde terão queimas de fogos por aqui. Eu não ligo tanto assim pro Ano Novo e acho que meus filhos ainda nem entendem muito bem o significado de 'virar o ano'. Não, não é disto que estou falando. Estou falando do que é o 31 de dezembro para nós.
31 de dezembro, nas primeiras horas do dia, há oito anos, ela chegou. A Natália. Filha da minha primã-irmã Dani. Muito esperada, muito desejada, muito amada. Chegou chegando, algumas semanas antes do previsto, pequena, chorona, esfomeada. Um dia para se guardar na memória.
Pouco mais de dois anos depois, em 05 de fevereiro, nasceu o Davi. E alguém lá em cima deve ter feito alguma coisa, porque não é possível! A ligação entre o Davi e a Nati é algo... além. Eles são loucos um pelo outro. Brincam  muito, brigam muito pouco, estão sempre juntos. No nível dela levá-lo à escola, quando a professora disse que poderiam levar os irmãos ('eu posso trazer meu primo? Ele é como meu irmão!', foi a pergunta que ela fez, aos 6 anos para a professora, que, fofa, autorizou a ida do Davi ao dia da família!) A Lara brinca junto, claro. Mas eles dois tem, de fato, uma ligação diferente.
E aí, me vejo  no dilema do 31 de dezembro. Como que eu vou fazer? 
Sim, você deve ter pensado o óbvio: liga e dá os parabéns, faz um Skype! Mas estamos falando de crianças pequenas que estão longe da família e estão perdendo grandes eventos. Eu consegui levá-los para o nascimento de uma sobrinha, a Alice e para o aniversário das primas Carol (esta, paixão da Lara, que volta e meia fala nela!) e Joana (um aninho e estávamos lá, que delícia!). Um mês depois, no nascimento da Helena, minha outra sobrinha, não estávamos lá. Ao verem o vídeo, pediram para ir. Eles não entenderam porque não estavam lá. Foi sofrido abraçar minha filha, de 3 anos, chorando e dizendo 'mas eu quero ir pra lá, eu vou no avião pro Rio de Janeiro ver a Helena sair da barriga da tia Paulinha!' Eles não entendem a distância, o custo, nada. Até hoje, não se conformaram que a Fefê (outra prima-paixão do Davi), que mora em Brasília, não veio para cá. A premissa deles, claro, é o 'se tem que ir de avião para ir para a casa da Fefê e se tem que vir de avião para cá, por que a Fefê não vem para cá?' Para eles, pegar um avião é como pegar um ônibus e ir até a esquina. Até porque, verdade seja dita, meus filhos são excelentes viajantes! Entram no avião, decolam sem reclamar, ligam o Mickey na tela, jantam, dormem e só acordam para tomar o café da manhã. O desconfortável voo de dez horas, para eles, demora dez minutos. Prático, não?
Bom, voltando ao aniversário. Já tem alguns anos que passamos o 31 de dezembro todos juntos, fazemos uma festa mesmo, bolos, bolas e brigadeiros. Todos que passam o reveillon conosco sabem - alguns amigos levam presentes para a Natália e tudo. Este será o primeiro, em muito tempo, que não estaremos juntos. Antes do nascimento da Helena, eu estava pensando em fazer um vídeo para a Nati, compraria uns cupcakes, encheria umas bolas e todos cantaríamos parabéns para ela e tal. Agora, confesso, estou com medo da reação do Davi. Porque eu sei que a Lara vai chorar, mas ele... Se ele começar a chorar, vai ser de partir o coração! 
Em algumas horas eu tenho que decidir - se conto para eles, como conto. Se apenas eu ligo, se faço o vídeo dizendo que é para outra pessoa... Dilema de 31 de dezembro. Porque esta é uma data fácil para todo mundo, né? :/

Nati, espero que ano que vem possamos comemorar seu aniversário juntos novamente, como você disse que queria (sim, ela disse que teria que vir para Houston, já que tínhamos nos mudado para cá! <3 ), seja aqui no Texas ou aí no Rio. Feliz aniversário, minha linda. Nós te amamos!


Houston, dear, faz um metrô Cinco Ranch - Saens Peña, sim? 2016 está só começando e são tantos eventos a perder que não quero nem pensar... :/


Para todos vocês, que não tem uma Natália na vida... Feliz ano novo! Muita saúde, paz e tempo para curtir quem vocês amam, sempre! ;)


Foto: do aniversário de 4 anos da Nati. Davi ainda não tinha dois, Lara na barriga. E eles juntos, comemorando. :)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Então, o Natal!

E pela primeira vez, desde que me entendo por gente, não passei o Natal 'em família'. Claro, estava com minha família, mas longe de pais, irmãos, primos e tios. Natal, para mim, é a melhor de todas as festividades. Primeiro, pelo óbvio: porque comemoramos o nascimento do Menino Jesus. E depois, porque... bom, porque comemoramos o nascimento do Menino Jesus! :) Sim, parece que as pessoas se enchem de amor, o clima muda, todos ficam mais receptivos à ideia de família. É um tempo abençoado que eu gosto demais. Então, passar o primeiro Natal longe seria estranho.
O Natal, aqui, começa praticamente junto ao Thanksgiving. Todo mundo falava que os americanos não ligavam para o Natal e, confesso, me surpreendi. Toda a vizinhança com luzes em suas casas, todas as placas de ruas (aqui, as vizinhanças tem placas de concreto, nomeando a localidade) com guirlandas. Em todo lugar, clima natalino. Foi, sem dúvida, uma grata surpresa. 
Para o Davi, o Natal começou quando dezembro chegou. Na escola dele, fizeram uma atividade com o 'gingerbread man', um biscoito típico daqui. Leram um livro em sala de aula e o 'gingerbread man' saiu pelo mundo, mandando postais dos lugares onde passava. Claro que ele passou no Rio de Janeiro e mandou um postal liiiindo, dizendo para toda a turma que estava na cidade onde o Davi nasceu. :)
Umas duas semanas antes do dia 24/12, uma amiga sugeriu 'e se contratássemos um Papai Noel?' O preço, salgado, não era nada convidativo. Mas ela usou os melhores argumentos 'é o nosso primeiro Natal longe do Brasil, vamos lá!' e assim foi que concordamos que doeria no bolso, mas seria lindo termos o Bom Velhinho conosco no nosso natal texano.
E então, o Natal. No dia 24, pela manhã. fizemos... gingerbread man! De tanto que lemos o livro (a professora do Davi deu um para ele), de tanto que vimos por todo canto, as crianças estavam doidas naquele boneco de biscoito. E eu queria fazer algo tradicional daqui com eles, criar uma memória afetiva. A Beatriz tinha dormido aqui, então, fiz a massa com os 3: Davi, Lara e Bibi. Foi uma farra! Eles confeitaram, colocando os olhos, botões... Eu tinha comprado um prato que dizia 'cookies for Santa' (biscoitos para o Papai Noel) e os 3 disseram que deveríamos por os biscoitos em cima da lareira, para o Papai Noel ver assim que descesse a chaminé. Colocamos (os que sobraram, o tal do biscoito era gostoso mesmo! Todos comemos!) bem ao lado do presépio.
Dia 24, chegaram os amigos para a ceia. Pouco antes das 9, o Bom Velhinho chega. Não foi difícil pedir que as crianças ficassem no andar de cima (onde ficam todos os brinquedos!). E, numa providencial e engraçada coincidência, estávamos com o peru no forno e a calda derramou, fazendo fumaça na sala toda. Convidamos Papai e Mamãe Noel para entrarem e eles se sentaram no sofá, esperando as crianças descerem. 
Fiz um barulho com um saco de carvão. Nosso vizinho, Chris, da escada chamou as crianças, 'venham ver quem está aqui!' Alguém chamou em português também, para garantir. Desceram em uma só tacada. O primeiro, acho, foi o Davi, que olhou e ficou ressabiado. Perguntou pela fumaça e dissemos que tinha sido o Papai Noel descendo pela chaminé - que estava suja e levantou poeira. As meninas foram mais destemidas - Lara e Beatriz já chegaram  rindo e querendo abraçar o Papai Noel, seguidas pela Catarina - que demorou mais um pouquinho para se soltar. Em pouco tempo, ele já estava distribuindo presentes e ganhando abraços de todas as crianças. 
No meio da farra, Lara se lembrou dos biscoitos, fez questão de servir. Mamãe Noel pegou um biscoito inteiro; Papai Noel, só um pedaço - Lara notou e reclamou, o que é a cara dela fazer! O casal ficou conosco por cerca de uma hora e foi realmente mágico. Depois que eles saíram, fizemos nossa ceia, enquanto as crianças se divertiam com os muitos presentes que ganharam. A ceia, claro, com muita coisa brasileira: salpicão, farofa, guaraná antártica... Porque a gente quer fazer parte das tradições daqui, mas sem perder as nossas. :)
Dia 25 foi dia de preguiça e saudades. Deu pena estar longe do Rio, da família. Mas as crianças estavam tão ocupadas querendo andar de bicicleta e patinete que não deu tempo para ficar triste. E no dia 26, já estávamos em família novamente, comemorando com nossos amigos Bob e Jade, que moram uma hora distante de nós. 


E assim foi o nosso primeiríssimo Natal texano. Sei que outros virão. mas este ficará guardado com carinho na memória. O Natal dos enfeites do Peanuts (eu contei que o presépio era do Charlie Brown e amigos? ;) ), do filme 'Rudolph', dos biscoitos do gingerbread man. O Natal em que Papai e Mamãe Noel vieram nos visitar. :)

Houston, dear, foi incrível! Obrigada pelo clima festivo em todos os lugares, pelas tuas luzes e guirlandas, pelas renas e gingerbread mans espelhados pela cidade. Vimos beleza e alegria por todo canto e ficamos felizes em fazer parte disso! <3


Foto, foto: na primeira, eu e Lara cortando gingerbread mans na cozinha. Na segunda: Hohoho, eis Sr. e Sra. Noel - ou Mr. and Mrs. Claus, como são conhecidos por aqui... :)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Comemorando em casa, longe de casa!

Quem me conhece, sabe - adoro uma festa! Por isso, nada mais natural do que curtir comemorar o meu dia. Sim, adoro celebrar a passagem dos anos e o faço com alegria - e a casa cheia de gente! - sempre. Ano passado, meu aniversario não foi legal. Minha avó tinha falecido 3 meses antes, o que por si só já quebrou o clima. E eu estava de bode. Eu via minha casa cheia de amigos e pensava no quanto, neste ano, não teria nada disso. 
A tristeza, senhorinha ingrata e espaçosa, se deixarmos, toma conta de tudo. Por isso, procuro restringir seu tamanho em minha vida, tentando buscar o lado positivo das coisas. Como eu vinha para o Texas tendo uma amiga aqui, pensei comigo - 'ok, serão apenas dois casais e quatro crianças. Vou fazer um jantar bem bacana e comemoraremos assim!' Pronto, estava traçado meu plano para comemorar meus 39 anos, antes mesmo de eu me mudar para as vizinhanças de Houston. E então, eu vim. E fiz 39 anos aqui, em casa, longe de casa! Longe dos meus pais e irmãos, primos, compadres, muitos amigos. Mas foi bem diferente do que eu tinha previso. 
Desde que cheguei ao Texas, conheci muita gente bacana. Bem antes do meu aniversário eu já sabia que não seria um jantar para dois casais. Pouco antes do dia, eu já estava chateada porque não daria para convidar todas as pessoas que gosto! :) Ter meus 'amigos texanos' por perto era a certeza de um dia feliz. Mas... 'Deus me ama', para mim, não é ditado. É fato, fataço, verdade verdadeira! :D
Minha amiga de toda vida, minha madrinha de casamento, minha parceira, confidente e todos os eteceteras, Clá, veio passar meu aniversário comigo. Ela se programou para vir e foi simplesmente incrível, duas semanas de bate papo, risadas e vinho. Eu estava super mega feliz por ela estar aqui. E então, no quatro de dezembro... 
Arrumamos a casa toda (linda, linda, linda! Muito mais bacana fazer festa no frio!!!), para receber os amigos. Pessoas que, em pouco tempo, se tornaram nossa família texana. As amigas que falo todo dia, as que não falo sempre - mas que são as que me dão força, que me dão dicas, que me dão a sensação de 'estar em casa'. Eu estava feliz em saber que comemoraria meu dia com minhas novas amigas e duas velhas amigas - a Clá e a Jade, a amiga com a qual eu achava que teria o jantar de aniversário. Como nem sempre as coisas saem como pensamos... Jade e Bob  não puderam vir. Ainda assim, pensei - tudo bem, tenho uma velha amiga e novas amigas (a Paty era a 'mais velha' entre as novas, mas ainda assim, nossa amizade aconteceu de verdade aqui) para brindar meu dia. E então me disseram 'olha, tem uma surpresa a caminho!'
Todos curtindo queijos & vinhos quando a campainha toca, com a minha surpresa - e que surpresa! Meus queridos amigos, Renata e Marcius, que vieram brindar meu dia também. E como eu mereço muitos presentes mesmo... a primeira coisa que vi foi a Re, de lado, com uma barriguinha redonda e linda, característica. Isso mesmo, Lorenzo no forninho e nos meus 39 anos, ganhei uma Alice em 2015 e vou ganhar um sobrinho italianinho em 2016. (Tristeza, desculpa, eu tento te dar espaço, mas a alegria não deixa!)  :)
Depois do meu aniversário, percebo que fiz bem por não sofrer antecipadamente - teria sido em vão! Meu dia foi ótimo, cercado de pessoas queridas. Fiquei bem mais animada para o Natal e o Ano Novo, que também passaremos no Texas. E, aos poucos, cada vez mais a sensação de 'longe de casa' cede espaço a um sentimento de 'nova casa'. Devagarzinho, eu chego lá! :)

Houston, dear, obrigada por tantas pessoas lindas em meu caminho. Especialmente aos amigos que vieram comemorar meu aniversário comigo: Clá, Re & Lorenzo e Marcius, que representaram (muito bem!) todos os amigos cariocas, Paty e Wagner, Gle, Felipe & cia, Re e François, Lara e Rogério - obrigada por terem feito meu dia tão feliz! :)

Obrigada, também, a todos os amigos que mandaram mensagens e ligaram no meu dia, me fazendo sentir um pouquinho mais perto do Rio. E aos meus filhos (os 4!) e meu marido, por fazerem com que qualquer canto seja 'casa', desde que estejamos juntos.

Agora é pensar num lugar maior, porque ano que vem os quarenta pedirão festão!!!! :D


Fotos, fotos, fotos!!! A primeira, meu aniversário de 17 anos. Clá é a mocinha de vestido branco ao meu lado. A segunda: não tiramos foto de todo mundo junto, falha nossa! Então, para mostrar um pouquinho das pessoas, eis a Bibi e sua família que amamos muito! A terceira, Lara está com a tia Re, fazendo carinho no Lorenzo. É muito amor numa foto só! :)

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O Rio de Janeiro continua sendo...

Tom Jobim, se  não me engano, foi quem disse 'eu não moro no Rio, eu namoro o Rio.' Desde que me mudei para os Texas, namoro o Rio de longe. E como todo namoro a distância, a saudade é grande. Eu estava bem triste por não passar o Natal no Rio, mas surgiu uma oportunidade para dar um pulinho lá, ver minha sobrinha nascer e voltar. Arrumei a minha mala e a das crianças para uma semana que teria que valer por um mês: muitas pessoas para ver, muitas saudades para matar. E eu estava ansiosa, sem saber como seria, o que esperar. Como eu me sentiria, voltando 'para casa', depois de quatro meses e meio? Ainda seria a minha cidade?
Meu marido teve que ir para o Rio no final de outubro. Assim como eu, ele também tinha muita gente para ver, muito papo para por em dia. E ele aproveitou, claro. Mas, quando voltou para o Texas, me disse que não se sentiu em casa em lugar nenhum. Nem na nossa casa - como está alugada para um grande amigo nosso, ele foi lá um dia para um encontro com os amigos de infância - ele se sentiu, de fato, 'em casa'. Me ligou do Rio dizendo que deveria ter marcado a passagem de volta mais cedo, porque estava com saudades... de casa! Eu fiquei encucada com isso. Será que eu sentiria saudades do Texas, estando no Rio? Saí daqui na dúvida.
Desembarquei no Rio num dia abafado, claro. Linha Vermelha, na saída do aeroporto, engarrafada, com cem motos tentando passar entre os carros ao mesmo tempo. Muito barulho. Muito tumulto. Muito vendedor ambulante. Eu, definitivamente, não estava mais acostumada aquilo. Moro numa cidadezinha calma, silenciosa, bem tranquila mesmo. O contrário da Linha Vermelha. E a viagem estava apenas começando.
Foram dias curtos. Alice nasceu - e nasceu linda! Foram médicos para ver e assuntos para resolver. Foram festas, encontros. Foi pizza no Brás, pastel no Adão, ovomaltine no Bob`s. Foi musse de alho poró no Gula Gula, bolo de chocolate da Iô, pão de queijo recheado com azeitona da Casa do Pão de Queijo. Foi água de coco, suco de melancia, mate com limão, mate com limão, mate com limão, mate com limão até matar a vontade!!! (Chegar num lugar e ver um copinho da Matte Leão é lindo quando se mora fora!) Foram os padrinhos das crianças, foram dois aniversários de primas. Foram muitos amigos. Foram os avós - todos os avós, todo o tempo, para aproveitarem ao máximo. Foi a visita ao cabeleireiro com a amiga do lado dando força para encarar o corte radical. Foi a tarde com a outra velha amiga, só para conversar. Foi o comparar preços e coisas, lugares e hábitos, pessoas e suas atitudes. Foi um mês em uma semana, como eu previra. E desde o momento em que pisei no Rio, foi uma certeza: eu me senti em casa em TODOS os lugares que fui! Até na Linha Vermelha eu me senti em casa! :D
Sim, quatro meses e meio depois, constato. Há inúmeras vantagens em se morar no Texas e nossa experiência aqui tem sido bastante gratificante. Ainda assim... Saí do Rio, mas o Rio não saiu de mim! O Rio de Janeiro continua sendo... caótico, barulhento, violento, sujo, com preços exorbitantes e péssimo serviço. E, mais do que isso tudo, continua sendo a minha casa!

Rio, querido, obrigada por uma semana maravilhosa e por tantas novas lembranças lindas das tuas ruas, dos teus sabores, dos teus sons e dos teus cheiros. Apesar dos (muito) pesares, eu ainda gosto de você! 

Houston, dear, obrigada da mesma forma por ter me recebido com tanto carinho na volta. E obrigada por ter cuidado meu marido lindo, que me  deu a viagem de presente, só para eu matar um pouquinho as saudades. :)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Aceito fiado!

Ok, sempre mencionarei as mil mudanças que sentimos ao sair do Rio e vir para o Texas e blá-blá-blá. Só que algumas coisas nós já sabíamos - sim, encontrar eletrônicos aqui é absurdamente mais fácil e barato, todo mundo sabe. O que eu não sabia - e acho que muita gente não sabe - é o funcionamento do sistema americano, em termos de banco, cobranças, etc. E confesso, ao descobrir, me espantei!
Sabem aquilo de 'vou fazer uma transferência e vai cair neste segundo na sua conta'? Aqui, não funciona assim. Transferências e cheques podem demorar - e muito - até efetivamente serem efetuados. Então, as pessoas se programam para pagar suas contas com dias de antecedência. Ou inventam soluções - nossa locadora já foi buscar parte do aluguel conosco, em mão, porque eu esqueci de depositar uma diferença e ela quis nos poupar o trabalho de voltar ao banco. E isso foi pouco.
O sprinkler da frente quebrou, chamei um cara para consertar. Daqueles que usam bota e chapéu, aperto de mão forte e sorriso no canto da boca. Ele veio, começou a olhar e eu disse 'em quanto vai ficar? Eu preciso ir até o banco trazer o dinheiro!' Ele riu e disse: 'neste caso, cem mil tá bom!' (sim, texanos são sacanas e eu a-do-ro isso!). Eu respondi que poderia dar um rim, então, e ele me disse, 'fica tranquila que não custará tudo isso!'. Pois bem. Fez o serviço, deu a conta. E um... endereço! 'Tudo pronto, m'am! Quando você tiver chance de ir ao banco, por favor, manda um cheque para a minha casa!' E assim foi que um completo desconhecido resolveu o meu problema e disse que eu poderia pagá-lo quando desse. Que eu poderia passar nos Correios e enviar um cheque (oi???) quando tivesse oportunidade. E não, isso não é incomum por aqui! Em um lugar onde sua palavra vale muito, um papel - ele não tinha qualquer recibo, não assinei nada dizendo que o devia -, muitas vezes, não vale nada. E por isso, para minha surpresa, no Texas, nos subúrbios de Houston... aceita-se fiado! :)

Houston, dear, obrigada por estar colocando tantas pessoas interessantes pelo meu caminho - e principalmente por poder ver que minha palavra também tem valor por aqui! ;)

sábado, 7 de novembro de 2015

Halloween!

Halloween. A gente diz que gosta e comemora no Brasil - minha irmã já teve dois aniversários neste tema. E aí a gente vem para os Estados Unidos e percebe que não sabia de nada!
Para nós, no Brasil, Halloween é a época de se vestir de bruxa, vampiro e zumbi. Aqui, também. Mas não é só isso: o Halloween é o Carnaval deles - tem tudo que é tipo de fantasia. E com distribuição de doces - ou seja, é a junção do carnaval com o Cosme e Damião!!!! Não tem como ficar melhor que isso! :)
Na prática, o que a gente vê, é todo mundo no clima. E isso é muito, muito divertido! Na semana anterior, vi de tudo um pouco, mas os meus dois momentos preferidos foram em carros conversíveis. Um, numa auto-estrada, um sujeito no carro com uma caveira no carona. A caveira usava uma bandana e outros acessórios e estava simplesmente hilário! Mas o melhor de todos, para mim, foi na porta da escola do Davi. Um pai, todo vestido de Darth Vader, com a música de Star Wars nas alturas indo buscar os filhso - aqui, fazem uma fila de carros  na porta da escola e o cara estava ali na fila, no seu bmw sem capota, fantasiado e totalmente curtindo aquilo. Eu ria compulsivamente. Se fosse meu pai, na minha escola, eu surtava, mas os filhos do cara saíram rindo, achando o máximo (sim, cheguei a pensar que o sujeito estava fazendo aquilo para castigar os filhos!) 
Aqui em casa, entramos na onda. Pusemos enfeites na sala, compramos doces para distribuir, fantasias, enfeitamos abóboras e colocamos na porta. No dia 31 de outubro, encontramos com uma amiga da escola do Davi e fomos fazer o 'trick or treat' juntos. Foi muito bacana, as crianças obviamente ficaram loucas ganhando doces e nós passamos por casas super enfeitadas, desde cemitérios completos no jardim da frente a filmes de terror nas janelas do alto das casas. Algo que a gente ouve falar, mas só realiza o que é quando vivencia. E sim, gostamos muito da farra!

(Eu e Felipe ainda tivemos festa de Halloween entre amigos e entramos a madrugada comendo, bebendo, rindo! Mas era entre brasileiros e que nosso povo sabe festejar estamos carecas de saber! :D )

Houston, dear, o Halloween tiramos de letra. Espero ansiosa pelo Thanksgiving! :)


PS: Na foto, que tirei com meu celular, minha mãe e minha filha estão na casa do Chris, nosso vizinho, que arrebentou na decoração: muitos fantasminhas e abóboras e, poucos dias antes do Halloween, esta múmia pendurada numa árvore que deixou as crianças ensandecidas! Rimos muito dela!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Dodói! :/

Há alguns anos, fiz um curso (super bacana, aliás, recomendo!) em que, dentre outras coisas, me ensinaram que 'sofrer por antecedência é sofrer no mínimo duas vezes.' Desde então, tenho tentado aplicar isto na minha vida, buscando controlar minha ansiedade e não sofrendo antecipadamente pelo inevitável. Com a mudança Rio -Texas, no entanto, foi impossível: fui consumida pela ansiedade. E tive umas 'sofrências' antecipadas. Uma delas foi imaginar uma das crianças doentes. No meu cenário, o Felipe estaria preso  no trabalho e eu estaria sozinha e um dos pequenos estaria demandando cuidados médicos. Na minha cabeça, seria um desespero e eu não conseguiria dar conta disso. Pois é. Definitivamente, não se deve sofrer antecipadamente.
O dia chegou. E eu não estava sozinha. Meus pais estão aqui conosco, dando todo apoio. Eu pensei tanto no Davi e na Lara doentes e não me dei conta que, dos quatro, quem mais me dá trabalho, em termos médicos, é a Valentina. Nossa Tina, Tinoca, nariz de pipoca, já aprontou todas: já perfurou o olho e ficou parcialmente cega. Já prendeu a coleira no deck da piscina e se enforcou - o que fez com que eu a levasse para a emergência de pijamas! Ela tem o estômago mais sensível da casa - qualquer coisa, vomita. Ou seja: era de se esperar que fosse ela a primeira a me levar ao hospital daqui. E foi ela mesma!
Chegamos de San Antonio e ela estava muito amuadinha. De início, achamos que fosse saudade, mas logo percebemos que ela estava com dor. Vê daqui, vê dali, pega indicação com amigos e lá fomos nós para a veterinária. Para encurtar a história (foram várias idas ao hospital), ela está com uma hérnia de disco. Já entramos em contato com a médica dela no Brasil, estamos fazendo tratamento com remédio + laser por aqui, Ela parece estar um pouco melhor, mas ainda buscaremos tratamentos alternativos, como a acupuntura. Ela tem seis anos e meio, achamos que responderá bem e sairá curada. De todo modo, toda nossa atenção agora está voltada para a Tininha. Nossa filhota do meio, a que sempre nos deixa de cabelo em pé, a que achamos que não teríamos como trazer, mais uma vez nos tira o sono. E mais uma vez, dará tudo certo, tenho Fé! ;)

Houston, dear, por que uma ressonância magnética canina tem que custar mil e quinhentos dólares? Assim não dá, Houston, assim não pode, assim não tem como! :/


PS: Um mega beijo para a autora da foto, minha amiga Patrícia Nuñez. Como sempre arrasando, Paty! 

PS 2: Para quem se interessou/ ficou curioso: o curso a que me referi chama-se DL: Desenvolvimento e Liderança. E ano que vem terá em Houston, olha que barato! :) O site, para quem quiser conferir, é este aqui: www.inexh.com.br

domingo, 18 de outubro de 2015

3 meses!!!

Mudar de país parece bastante com uma gravidez. A notícia da mudança gera ansiedade, medo, expectativa do que estar por vir. E ao mudar, uma nova vida começa. Exatamente como ao gerar um bebê. E como numa gestação, o primeiro trimestre é crítico. E nós sobrevivemos a ele! :)
Eu me lembro do medo ao buscar o resultado do teste de gravidez do Davi. Eu vinha de dois abortos, entre 6 e 9 semanas, e estava em pânico com a novidade. Eu teria que ter - e tive! - mil cuidados, estava cheia de recomendações. E nosso primeiro trimestre texano também foi assim: em pânico com a novidade, boa parte do tempo. Tudo era diferente e acostumar-se a viver num país em que as coisas são quase sempre preto-no-branco, depois de passar toda a vida no Rio de Janeiro, foi difícil. Era aquilo de 'mudei de país, não de personalidade', mas achando que, no fundo, teria que mudar, sim, de personalidade. Por sorte, eu estava errada. 
Algumas empresas oferecem um 'treinamento cultural' para recém-chegados aos Estados Unidos. O Felipe dispensou nosso treinamento - bem como aulas de inglês e o tour pela cidade. Ele é tão auto-didata que não viu necessidade nisso. Ainda bem! Eu sou do tipo que adora uma sala de aula e teria ouvido, como minhas amigas depois me contaram, que eu não poderia olhar diretamente para as crianças, que eu não deveria fazer comentários sobre roupas, cabelos e costumes dos americanos. Isso, para dizer o mínimo. E, como boa aluna, eu teria ouvido tudo atentamente e teria levado a sério. E teria perdido a chance de me divertir muito por aqui.
Mãe é mãe. Ponto. Do momento em que se descobre a gravidez em diante, tudo muda e nosso sexto sentido deixa de falar conosco. Ele grita, esperneia, dá cambalhotas se não prestarmos atenção. Então, uma mãe sempre tem uma intuição quando alguém se aproxima, com carinho, do seu filho. E aqui, não é diferente. Eu não fiz o treinamento cultural, então, brinco com as crianças na rua. As mães sorriem, brincam de volta com os meus. Já tive casos tão 'latinos' que assustam - uma senhora mais branca que vela, americanaça, metendo a mão no cabelo da Lara e dizendo 'isto é a coisa mais linda que já vi na vida, ela é linda demais! Nunca corte este cabelo, estou apaixonada!' Da mesma forma, já parei diante de uma menininha ruiva e disse para a mãe 'a vontade que dá é levar sua filha para o salão e dizer que quero o cabelo tão maravilhoso quanto o dela!' E a resposta é sempre simpática - no caso da mãe da ruivinha, por exemplo, ela brincou ' pois é, quando eu estava encomendando o bebê, pedi que fosse feito desta forma, mas deu um trabalho que nem te conto. Ela até demorou a nascer e tenho certeza que foi por conta do cabelo!'
Eu vou a parques com meus filhos e troco telefones com mães. Eu já fui parada, algumas vezes, para me perguntarem onde comprei tal sapato, tal vestido. Eu já me sinto a vontade para ser eu mesma, rindo e falando alto.
Claro que nem tudo são flores. Tem o lado ruim e o pior é a saudade das pessoas. Isso é o que dói em ser expatriado, mais que tudo. Mais que viver sem praia, sem biscoito Globo, sem mate com limão. Viver longe da família e dos amigos: isso é doloroso. Sentir-se estrangeira, muitas vezes, é difícil. Em três meses, o momento que mais me senti alienada aqui foi quando uma senhora de 82 anos bateu no meu carro e a filha dela fez de tudo para tentar parecer que foi minha culpa. Não foi, ela teve que arcar com os danos e com o aluguel de um carro enquanto o meu consertava. Nosso amigo Bobby, ao ouvir que eu tinha me envolvido em um acidente de carro, riu e disse 'parabéns, você agora é uma houstoniana!' Mas em menos de 2 meses, ter levado uma batida não foi nada divertido, mesmo para me tornar uma houstoniana. Como não foi nada divertido ser parada por um guarda por excesso de velocidade - yep, esta foi culpa minha mesmo. O guarda vermelho, gritando e eu... cariocando. Na maior calma, dizendo que sim, estava errada, não tinha nada a dizer a meu favor, apenas que eu era recém chegada à cidade, me distraí com minha filha e errei. E o preto-no-branco dos americanos às vezes aceita os 500 tons de cinza brasileiros e deu-se o desenrolo: não levei multa, para surpresa de todos - no caso em questão, a multa era certa e não foi. Aos poucos, aprendo mais a viver aqui, a aceitar algumas coisas que não mudarão e, portanto, não sofrer com elas. Outras, pelas beiradinhas, vou tentando adaptar...
Sim. Em 07 de outubro completamos três meses vivendo nos Estados Unidos. Acabou o primeiro trimestre, com meus pais conosco (vieram passar 45 dias), com minha irmã vindo passar alguns dias (veio pesquisar o VLT daqui e aproveitou para ficar conosco). Foi um ótimo final de ciclo, o do susto inicial. Agora, segundo trimestre. Numa gravidez é, disparado, o melhor de todos! Tomara que os próximos 3 meses nos reservem coisas ainda melhores! :)

Houston, dear, obrigada pelo primeiro trimestre. Que os próximos sejam ainda melhores. ;)


Esta foto foi tirada do google apenas para fazer a analogia entre a mudança de país e uma gravidez. Caso ainda assim alguém tenha ficado na dúvida, NÃO, não estou grávida e nem com planos de ficar. :)

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Tenho cara de palhaço?

Ser brasileiro é uma dádiva. Mas morar no Brasil, convenhamos, é um desafio. São inúmeras dificuldades e empecilhos impostos diariamente - de taxas altíssimas para comprar o que quer que seja à falta de segurança pública, sobram motivos para frustração. Atualmente, conto nos dedos de uma mão os  amigos que se dizem 'relativamente satisfeitos' com o atual governo. E os amigos que perderam empregos ou estão correndo risco de perder... Bom, destes, já perdi a conta, infelizmente. 
Algumas coisas são impostas e quando a light aumentar o preço da luz, você continua tendo que morrer nesta grana - ou desapega e passa a viver sem energia elétrica. Mas e quando nós mesmos nos propomos a pagar caro demais por algo? O que isso diz sobre nós?
Qualquer brasileiro, quando viaja para o exterior, leva um susto ao comparar preços. Isso não é novidade e se você viaja com frequência, entende perfeitamente o que estou dizendo. Alguns itens cultuados no Brasil, no exterior não tem o mesmo status. Aqueles hidratantes da Victoria's Secrets, que já foram o sonho das brasileiras, nos EUA são... hidratantes. Ninguém vê nada demais naquilo. Da mesma forma, o creme 'Aussie', que fez nossas cabeças, é, aqui, um creme de cabelo baratinho. Não, não é exagero: já vi na promoção do mercado (sim, mercado!) por menos de 3 dólares. Não estou querendo invalidar os produtos: o hidratante da VS continua sendo cheiroso e o creme Aussie continua funcionando que é uma beleza, especialmente em cabelos cacheados! Mas quanto você paga por eles?
Importar algo, no Brasil, me parece, deve ser feito ao som de "Missão Impossível": você tem que pagar impostos altíssimos. E esta conta será paga pelo consumidor, óbvio. O problema é que esta matemática joga contra o comprador. Sim, o importador tem que ter lucro. Sim, o dólar está altíssimo. Mas como um produto de 3 dólares poderia ser vendido, em 2014, a 60 reais? Não, sério, como?
Quando passamos férias fora do Brasil, fazemos este tipo de questionamento acima. Mas quando a gente passa a morar fora... aí a coisa muda de nível! E a gente passa a se perguntar: 'estavam mesmo me fazendo de palhaço?'
Desde que chegamos ao Texas, fomos a diversos lugares bacanas. E, algumas vezes, a lugares comuns. Aquele domingo de preguiça, que ninguém quer cozinhar, e vamos a um restaurantezinho mais em conta e tal, sabem? Isso acontece no Brasil. Acontece aqui, também. E foi com surpresa que me dei conta que o 'restaurante que vai ter uma boa promoção' era, dentre outros... o Outback!
Outback, no Rio de Janeiro, quando inaugurou, virou febre! Como não seria? Cebola empanada, refrigerante refil, carnes atraentes. Toda pinta de ser 'O' restaurante - algo, no mínimo interessante. E é. Tem muita coisa gostosa ali. Mas o prestígio de ser um restaurante 'tcham'... Pois é, não tem! Não vou dizer que é chinfrim - como uma amiga americana já descreveu - mas é comum. No Texas, come-se melhor em lugares pouca coisa mais caros. Outback é, no Texas, aquele restaurante que você pode ir comer uma carninha com as crianças aprontando todas e pagará um preço bom. Só. Da mesma forma que o Outback, Pizza Hut, Applebee's e outros neste gênero não tem significante relevância por aqui.
Eu poderia continuar aqui citando casos análogos por horas. De como Abercromie, Hollister e Tommy são comprados no Outlet, por exemplo. Mas na verdade, a minha intenção não é fazer parecer que os EUA são melhores do que o Brasil (tem muita coisa boa. E tem coisas ruins, também!), ou que nosso governos nos faz pagar demais por produtos importados. O que eu queria dizer era só isso: sim, nosso governo erra e erra feio na hora da taxação. Sim, muitas vezes somos vítimas de um sistema injusto. Mas outras vezes, nós nos dispomos a pagar demais por algo que não vale o preço. Então, daqui por diante, no meio da crise em que o mundo se encontra, pare e pense duas vezes antes de consumir algo que parece excessivamente caro. E diga, com todas as letras 'tenho cara de palhaço?'
Se o governo não faz a parte dele em tentar driblar a crise, cabe aos brasileiros fazer a deles. Não aceitem pagar mais caro do que produto/serviço vale. Brasileiro não é Bozo! ;)

Houston, dear, obrigada por preços justos e outlets recheados de maravilhas! :D

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

E a casa virou um lar!

Quando decidimos mudar, sabíamos que muita coisa ficaria para trás. E em termos práticos, ficou mesmo: teríamos que chegar e mobiliar uma casa imediatamente, então, não fazia sentido trazer tudo. Nossa mudança saiu do Rio de Janeiro dois dias antes da gente, com previsão de chegar em dois meses. Assim que chegamos, ficamos num apartamento alugado pela empresa do Felipe, mas queríamos um lugar 'permanente' e acabamos alugando uma casinha de tijolinhos vermelhos, no final de uma ruazinha tranquila. Nos mudamos antes de completar um mês nos Estados Unidos e, para fazer esta mudança, tivemos que 'montar' a casa: compramos camas, sofá, televisão e mesa da cozinha. As casas americanas já são equipadas com geladeira, fogão, micro-ondas, máquinas de lavar louças e roupas e secadora. Ou seja, uma tremenda mão na roda! Ainda assim, todas as pequenas e imediatas coisinhas que precisamos no dia a dia foram compradas. Então, nos mudamos para uma casa nova, com tudo novo. E estávamos numa boa com isso.
Já estávamos instalados na nossa casinha quando começamos a cobrar a mudança. E então a notícia: a Receita Federal do Brasil está em greve, a mudança vai atrasar por prazo indefinido. Foi um balde d'água-fria. claro. Começamos a comprar mais coisas, já que nem a médio prazo saberíamos quando nossas coisas chegariam. Num belo dia, meu marido resolveu ligar de  novo para cobrar e recebeu a resposta chocante: a companhia estava mandando emails e não tinha resposta dele - estavam usando o email da empresa anterior do Felipe. Nossas coisas estavam no Texas e já podíamos agendar a entrega! 
As coisas acontecem quando tem que acontecer, mesmo. Meus pais chegavam para nos visitar na terça-feira. Marcamos a entrega para a quinta seguinte. Pude sair de manhã com calma e meu pai começou a receber as coisas por mim. E como chegou coisa!
Depois de 70 dias sem nossas coisas, já tínhamos nos acostumado a viver com bem menos do que tínhamos. Na verdade, estávamos até gostando disso! Mas a mudança chegou no dia que minha que-riii-da tia Ceci aniversariava. E, coincidência ou destino, uma das primeiras coisas que desembalei foram as tigelinhas de sopa que ela nos deu no nosso casamento (no frio de São Paulo, onde ela morava, eu sempre gostava de uma sopinha e ela sabia disso!) E então, começaram, caixas após caixas, a chegar todas as pecinhas do nosso quebra-cabeças humano: a cristaleira que foi da minha tia-avó, o chapeleiro do meu avô, a minha coleção de adornos do Divino (que é quase toda composta por presentes de amigos queridos!), o livro que a Clá deu, o livro que o Dani deu, a gatinha que foi da dinda Rê... Um a um, apareceram todos os padrinhos dos meus filhos, todos os meus padrinhos de casamento, todos os amigos de colégio, de faculdade, de maternidade. Apareceu a minha família, a família do Felipe. Apareceram os amiguinhos do Davi e da Lara. Eram fotos, livros, vídeos, objetos grandes e pequenos espalhados por todos os cantos na nossa nova casa.
Ainda não conseguimos desembalar tudo: o sofá antigo ainda está na garagem, junto com a bateria do Felipe. Mas até a máquina de costura da tia Todinha já está em seu lugar. E assim, num piscar de olhos, a nossa nova casa deixou de ser a casa de tijolinhos. A nossa casa virou um lar!

Houston, dear, obrigada por ter uma casinha de tijolinhos vermelhos, no cul-de-sac de uma ruazinha tranquila, com o nosso nome na caixa de correio! É muito bom termos conseguido fazer daqui nosso novo lar! :)


ESTA FOTO FOI TIRADA PELO MEU MARIDO, FELIPE MENDES, PELO CELULAR! :) E SIM, É NOSSA CASINHA!!!

COMO ME SINTO MORANDO NOS ESTADOS UNIDOS

Como me sinto morando nos Estados Unidos (75 dias):


- Já sou capaz de ir e vir aos lugares que frequento, sem ajuda do waze ou de mapa.
- Já começo a entender o labirinto que é Houston e seus arredores.
- Já tenho uma boa 'rede de apoio': amigas que fiz aqui, amigas que já tinha.
- Já me acostumei à comida - mas ainda prefiro o tempero brasileiro.
- Já me acostumei à calma da minha vizinhança. Mais do que isso: já curto a calma da minha vizinhança! Final da tarde, crianças de bicicleta e patinete na porta de casa, desenhando com giz na rua... :)
- Me sinto especialmente feliz porque meus pais estão aqui conosco! Vieram para passar 45 dias ao nosso lado e isto tem sido o máximo! :D
- Me sinto frustrada com algumas coisas absolutamente diferentes do Brasil, como o sistema policial. Após baterem no meu carro, a pessoa deu seu depoimento e depois de 3 semanas fez uma 'emenda', Com isso, a seguradora fica segurando para autorizar o conserto. Burocracia chata e sistema injusto. Começo a perceber que os USA são 'o país do processo' não é a toa!
- Me sinto feliz em ver as crianças se adaptando à nova rotina, apesar de ainda estar preocupada com a adaptação escolar do Davi.
- Me sinto triste em ver as notícias que chegam do Brasil, com o dólar subindo sem parar, onda crescente de violência... De longe, a situação 'o país está à beira de um colapso' parece mais forte. 
- Sinto muitas saudades das pessoas. Dos lugares, menos.
- Sinto uma certa inquietação em relação ao futuro político-econômico do Brasil. Dos rumos que o país tomar, também decidiremos nosso futuro...

quarta-feira, 22 de julho de 2015

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: NO MERCADO!

Bom, quando a gente muda de país, até se for para um país vizinho, vamos ver e viver outra realidade, Vindo para o Texas, eu já sabia que seria tudo muito diferente mas é no dia a dia que vamos nos deparando com o abismo que separa as culturas. Coisas absolutamente simples, como ir ao mercado, demandam, no início, um grande trabalho. E eu vou contar minha primeira vez no mercado.
Para começar, tem um mercado ao lado do nosso prédio, bem perto mesmo. É este que estou indo com maior frequência,claro. O nome é Kroger. Fomos, a família toda, fazer umas compras emergenciais no primeiro dia e, com as crianças do lado, nem deu para ver muito. Depois, fui sozinha pela primeira vez. Aí, sim. Aliás, aí, não! Não, não, não, não! Tudo confuso!
Você pode conhecer a língua (tenho um inglês bem razoável), mas isso não te ajuda muito. Você entra no mercadinho e ele tem o tamanho de um mercado mega do Rio. Até aí, ok. Você começa por verduras e legumes e essa parte é fácil! Frutas são frutas e pronto. Na parte das verduras, eles facilitam: absolutamente tudo já cortadinho, pronto para ser consumido. Tá. Aí você continua andando. Carnes. Cadê a alcatra? Maminha? Contra-filé? Os nomes são todos diferentes e você supõe que o boi deva ser o mesmo, então, eles dever dar diferentes nomes ao mesmo corte de carne. Errado, os cortes são mesmo diferentes. Tem algumas coisas iguais, mas muita coisa, não. Aí você avista um peito de frango, sem pele, numa bandejinha. Isso aí, frango é frango e a sua bandeja ainda diz que é sem hormônios, aditivos e etc. Pronto, escolhido este item sem grandes problemas. Vamos continuar. Corredor de biscoitos. Cream cracker, cadê? Ah, tá ali, e são 986542 tipos diferentes de biscoito! Você pega um, lê a embalagem, pega o segundo e já começa a ficar confusa: um tem o dobro de sal do outro ou entendi errado? Melhor desistir do biscoito! Bom, tem este outro aqui que as crianças daqui comem - pouco sal, sem conservantes... Vai este, mesmo. Continua no corredor. Ué, batom no corredor de biscoito? Ah, tá, estou no corredor 'natural', põe as coisas saudáveis junto. Bom, pelo menos peguei os biscoitos certos, então. Próximo corredor... Nossa, que frio! Que geladeira no meio do mercado é essa, meu Deus? Opa, rolinhos primavera congelados? Ai, sai prá lá, tentação, vão ficar aí mesmo gelando! Próximo corredor. Ah, comida de cachorro, ótimo! Opa, pera! Nachos? Num saco deste tamanho? Até para mim, que gosto, está grande demais... Ah, olha, um tamanho menor. Este é só gigante, deixei o super mega lá. Vamos lá, vamos lá. próximo corredor... Sal! Ah, tá ali. Um corredor inteiro só de sal? Como assim? Pera lá, qual é o sal, sal, normal, de cozinha, que usamos? Sal iodado, sal sem iodo, sal marinho, sal vermelho... Cruzes! Já estou no mercado tem mais de uma hora e só tem 4 itens no carrinho! Exausta e ainda sem decidir o sal! Tá, este diz apenas 'sal'. Menos é mais, vai este! Ok, próximo item... Leite, ok. Ok? Aquela é a geladeira do leite - penso, querendo chorar diante das 78554342 opções de leite. Deixa eu ler o rótulo. Pronto. Já passou mais meia hora até eu decidir o leite. A irritação me domina e eu só penso em ir logo embora. Então dou de cara com o próximo corredor: limpeza. É a redenção do mercado! As opções infinitas não me estressam: leio que você joga um jato e tira a mancha do carpete; joga um jato e tira a mancha do banheiro. Tudo sem nenhum esforço! O ânimo volta quando já me dirijo ao caixa, com pouca comida e muitos produtos de limpeza. E então, enquanto começo a passar as compras, lembro que esqueci o açúcar. Onde ficava, mesmo? Ah, sim, no corredor oposto ao do sal. Me lembro de ter percorrido os olhos e ter me cansado só de ver a infinidade de rótulos que teria que ler até achar o 'açúcar, açúcar'. Penso em voltar para pegar, mas, ali no caixa, decido: melhor a família inteira começar uma dieta! Pelo menos até as próximas compras... :)

Diário de bordo: para me lembrar no futuro

Como disse, este blog seria para contar o que está acontecendo conosco nesta fase de adaptação, mas também para que eu pudesse deixar registrado como me sinto. Sei que com o tempo, vou esquecer, então, quero anotar. Resolvi fazer uma listinha de 'como me sinto morando nos Estados Unidos', de tempos em tempos. Ontem completamos 15 dias aqui e fiz a primeira lista. :)

COMO ME SINTO MORANDO NOS ESTADOS UNIDOS

Como me sinto morando nos Estados Unidos (15 dias):

- Me sinto o máximo quando consigo ir aos lugares sem usar o waze! Ainda sou dependente do aplicativo, mas já consigo me virar em alguns lugares.
- Andar por aqui, só de carro. Com o calor, ar condicionado o tempo todo. Mas se as crianças querem abrir a janela, não há problema algum. Não há medo de ser assaltada. Acho que é por isso que cariocas só são assaltados quando saem do Rio: em casa, estamos cem por cento alertas, fora do Rio, relaxamos. Sendo que aqui parece que não há mesmo motivo para este tipo de preocupação.
- Crianças são altamente adaptáveis e nos dão injeções de ânimo e bom humor diariamente.
- Cachorras, idem!
- Pimenta é tempero, serve para realçar o sabor da comida. Alguém deveria avisar aos texanos que é para realçar o sabor e não para sobressair ao sabor! :/
- Estômago em chamas: os gastros devem vir a se tornar meus melhores amigos por aqui...
- Auto-medicação faz parte da cultura. Você entra na farmácia e consegue comprar um medicamento para clamídia, por exemplo. Mas pílula anticoncepcional, só com prescrição. Achei estranho.
- Janelas o tempo todo fechadas, todos os lugares atapetados. É estranho, mas a casa se mantém mais limpa por mais tempo.
- Já engano como local: me pediram informações numa loja de festas (adivinharam minha expertisse, será? Hahahaha) e no mercado.
- A ficha começa a cair. Esta agora é a nossa casa, não estamos de férias.
- Ainda temos um milhão de burocracias para resolver, desde o contrato de aluguel até meu seguro social, que não conseguiram fazer porque erraram meu nome na minha entrada no país! :/
- Já temos carros e eles são lindos. Isto foi uma conquista bem bacana. :)
- Casa a caminho, mas com um contrato que teremos que mexer e remexer. Algumas cláusulas são descabidas!
- A televisão está ruim no Brasil. Aqui, também. 
- TV Globo: não assistíamos em casa - Felipe via o jornal pela manhã - não está fazendo a menor falta por aqui. Já o Discovery Kids tem sua ausência sentida pelas crianças. Estão vendo Sprout, mas, sem conhecimento da língua, não é a mesma coisa...
- Radio de rock antigo: quem inventou isso? Todo meu amor por você! Mais de uma estação de rock e uma só com velharia. Estou curtindo muito.
- Brasileiros são brasileiros em qualquer lugar do mundo! Todos os que encontramos até agora foram se oferecendo para nos ajudar, dando dicas... O país pode estar ruim, mas, povo como o nosso... <3

quinta-feira, 16 de julho de 2015

BYE, BYE, BRASIL! :)

Bom, como eu disse, tivemos um bom tempo para nos acostumarmos à ideia da mudança. Era de se esperar, então, que família e amigos também, da mesma forma, estivessem convencidos disso, certo? Errado! Nesta de vai-não-vai, ninguém acreditava mais que viríamos mesmo, então, quando dissemos 'estamos indo!', muita gente se assustou! Foram vários eventos: tive almoço de despedida com minhas amigas, Felipe teve happy hour com  amigos de trabalho. E no dia de ir embora, teve muita gente querida indo se despedir no aeroporto! :) Foi parte da família (sim, é enorme!) e muuuuitos amigos! Não dá para por todas as fotos em um post (vou ver se faço um álbum na página do face), mas coloquei algumas. Já que imagens valem mais do que mil palavras, acho que dá para ver como foi nossa despedida, né? Cheia de amor! Nos sentimos muito felizes e abençoados por ter tanta gente ao nosso lado, torcendo pela nossa alegria, desejando boa sorte nesta nova fase... E estamos esperando este povo todo aqui, o quanto antes! :)

Houston, dear, te prepara que o Rio de Janeiro vai invadir sua área! :D






domingo, 12 de julho de 2015

COMO EU VIM PARAR AQUI?

Quando eu digo que 'fui pega de surpresa' com a mudança para o Texas, não estou sendo exata. Na verdade, tive muito tempo para me preparar. Mas algumas pessoas ficaram, de fato, sem saber que estávamos vindo. Eu comecei a escrever no meio do processo de mudança, quando já estava tudo encaminhado para virmos. Já contei como foi o voo para cá. Me dei conta, meio sem querer, que a história começou na metade e resolvi, agora, rebobinar a fita (tem menos de 25 anos? Pede para alguém com mais de 40 explicar o que isso significa! :D ) e voltar ao começo desta história. Afinal, como viemos parar aqui?
Em meados de 2011, meu marido veio participar de umas reuniões da empresa dele aqui. Na época, ele foi elogiado pelo trabalho que vinha fazendo e indagaram se ele teria interesse em vir para cá. Ele voltou para o Brasil animado com a novidade. E eu joguei um tremendo balde de água fria! Tínhamos, então, um filho de um ano e meio e eu estava grávida de nossa filha. Minha primeira (e super espontânea) reação foi 'ter a Lara fora do Brasil? Nem pensar! Aliás, antes dela fazer dois anos, não saio daqui mesmo!' Parece radical? E é. Mas com uma criança pequena, um bebê a caminho e duas cachorras, era inviável me imaginar sem o apoio da família...
O tempo passou. Em 2013, o Felipe tinha que, novamente, sair do Brasil a trabalho: ele passaria uma semana na Noruega e uma semana em Houston. E ele sugeriu que eu viesse encontrá-lo em Houston. Achei ótimo, pois poderia matar as saudades de nossos amigos Jade & Robert e finalmente conhecer o filho deles, Nelson. Vim, super animada e foi tudo realmente ótimo. Em algum ponto da viagem o Felipe me disse algo como 'e aí, você acha que poderia morar aqui?' Eu pensei um pouco e disse 'sim, acho que sim.'
Em dezembro deste mesmo ano, depois do meu aniversário, meu marido veio com a novidade: 'fui convidado para trabalhar em Houston!' Ali, meu chão desabou. Minha avó tinha acabado de completar 98 anos de idade. A proposta era que ficássemos dois anos aqui. Eu olhava para o Felipe e dizia 'se eu for, quando eu voltar, não tenho mais a minha avó...'
Bom, 'da morte ninguém sabe o dia, e nem pode saber!', é verdade. Claro que qualquer pessoa viva pode morrer num segundo, por uma fatalidade qualquer. Mas o meu sentimento era de que a minha avó, e apenas ela, eu realmente não veria. E eu sofri muito com isso.
Os meses foram passando e não viemos na data programada. A crise de petróleo, global, começou a causar diferentes demissões. Já estávamos em meados de 2014 e nem sombra de virmos para Houston. O Felipe acabou desistindo do convite que tinha recebido (de uma 'empresa-filha' da dele) e acabou aceitando um convite para vir para cá pela própria empresa dele.  E então.
Agosto de 2014. Minha avó passou muito mal, numa segunda-feira. Corremos com ela para o hospital Quinta D'Or. Ela não conseguia respirar, estava com muita dor. Conseguiram estabilizá-la. Os dias seguintes foram tortuosos, com melhoras e pioras. Até que no dia 04 de setembro, minha mãe tinha dormido com ela. Quando eu cheguei, para que minha mãe pudesse ir em casa descansar, o médico olhou para mim e disse 'precisamos conversar.' E eu já sabia o que ele ia dizer.
Não vou detalhar, porque ainda é muito doloroso, mas o fato é que Deus me permitiu estar com minha avó até seu último dia. E os dias seguintes foram um buraco negro: fiquei me sentindo vazia sem ela. Mas o tempo continuou passando e, com duas crianças chamando pela mamãe, não dá para fraquejar.
Nossa situação permanecia inalterada. Meu marido estava frustrado: não tinha assumido nenhum projeto no Rio e não vínhamos para Houston. Foi o pior ano de nosso casamento, sem dúvida: tudo era motivo de briga. Também isso passou. 
O ano virou e então, de repente, tínhamos data para vir: maio de 2015! Estávamos estranhando a calma com que a empresa estava conduzindo nossa vinda, mas, ainda assim, confiantes de que viríamos. Só que soubemos que a empresa dele tinha demitido uma leva grande de pessoas. Chegou, então, em março, a notícia: 'não temos dinheiro para trazer vocês!' 
Ao contrário do que eu esperava, meu marido não ficou frustrado. Disse apenas 'ok, não vamos mais, então eu vou ver o que exatamente vou fazer por aqui!' E foi conversando aqui e ali e vendo o que assumiria e tal. Eu estava, confesso, aliviada. Mas um pouco frustrada, por ele. E um pouco perdida, também: passamos tanto tempo na expectativa de algo que, de repente não aconteceria. O que fazer a seguir?
Estávamos pensando justamente neste 'o que fazer a seguir': trocar de carro/ quitar a casa, etc, etc. E aí, aconteceu algo engraçado. Aliás, algo que acontece quando alguém quer muito uma coisa... 
De tanto pensar naquilo, de tanto desejar aquilo, de repente, aconteceu! Em meados de março recebemos a notícia de que a empresa do Felipe não teria como trazê-lo naquele momento. Duas semanas depois, a tal 'empresa-filha', ao saber que ele não vinha mais, o procurou. "E aí, você ainda quer vir para Houston?"
Desta vez era sério: em abril estávamos, eu e ele, em Houston, onde ele teve reuniões, ouviu a proposta. Conversamos, muito, muito, muito. E em 06 de julho pegamos o avião para cá, como eu já contei aqui.
Este foi apenas o comecinho da nossa história em Houston. Um pouco conturbado, é verdade. Mas foi apenas o prólogo. Houston parece os mesmos braços abertos que o Cristo na nossa cidade...

Houston, dear, obrigada pela recepção carinhosa! :)

quinta-feira, 9 de julho de 2015

A MELHOR PIOR VIAGEM DA VIDA!

Para quem ainda não viu, vou começar tranquilizando: sim, chegamos. Sim, estamos bem. :)
Entramos no avião pouco antes das nove da noite do dia 06 de julho, segunda-feira: eu, Felipe, Davi, Lara e Tininha. Por ser uma buldogue francesa, Tina corria risco de morte viajando no porão do avião. Graças à ajuda de uma neurologista e uma psicóloga, a quem visitamos, conseguimos posicionar a Tina como 'animal de suporte emocional'. Ou seja: ela foi autorizada a ir conosco na cabine. Sem precisar de caixa de transporte, focinheira, nada. Nada mesmo: não nos custou um centavo! Desde que começamos nossa odisseia de mudança, trazer a Tina era causa de grande preocupação. Tê-la conosco, no voo, foi um alívio. Mas foi também um sufoco: ela não é exatamente leve e teve que ficar no colo todo o tempo. Somando a isso duas crianças, dá para imaginar como foi?
Eu viajo de avião sem problemas. Sempre disse isso. Sempre achei isso. Mas eu nunca tinha, de fato, viajado como desta vez. Normalmente, antes de entrar no avião, eu já tomo uns tantinhos de passiflora para relaxar. Quando vejo que a refeição será servida, engulo um dramin. Ou seja, eu normalmente apago durante todo o voo e acordo feliz da vida no destino. Com duas crianças e uma cachorra, como dormir? 
As crianças se comportaram muito melhor do que eu esperava. Entraram no avião, sentaram em suas cadeiras e afivelaram os cintos (só andam com cadeirinha no carro e estão muito acostumadas a cintos de segurança, ainda bem!). Viram dois episódios do Mickey, jantaram e, quando o piloto apagou as luzes, perguntaram 'está na hora de dormir?' Confirmei e eles viraram para o lado e dormiram, simples assim. O Davi dormiu, dormiu mesmo: foi até o dia seguinte. A Lara teve um pesadelo, acordou agitada querendo fazer xixi, mas isso depois de várias horas de sono. Fiquei com ela no colo e consegui fazê-la dormir novamente até a hora certa de acordar. Os dois despertaram excitados e felizes.
Tina foi a sensação do avião! Eu viajei entre o Davi e a Lara e o Felipe foi ao lado, cuidando da Tina. Mas assim que entramos no avião, uma moça pediu para ficar com ela - pegou-a no colo, ficou fazendo carinho e ficou um bom tempo assim, então o Felipe teve uma folga legal. Depois a moça a devolveu, mas todas as pessoas sentadas perto queriam fazer carinho e mexer com ela. No meio da noite, Felipe dormia com ela no colo e eu a peguei um pouco, para ele se acomodar melhor.
E eu? Eu fiz a melhor pior viagem da minha vida! Foi a melhor porque tudo deu certo e chegamos os seis sãos e salvos a Houston. E foi a pior porque... nossa, como senti cada segundo daquelas horas! :/
A Capitu tinha ido no porão - ela é muito grande e agitada e seria loucura nossa tentar trazê-la conosco na cabine. Como ela é labradora, não corria risco de morte (o caso da Tina é bem específico: animais de focinho curto podem sufocar nos voos) , então, contratamos um despachante para embarcá-la. O Felipe a deixou por volta de uma da tarde no aeroporto. A agonia começou ali: Felipe ficou arrasado em deixá-la ali, trancada, longe de todos nós por tantas horas. Sabíamos que era o único jeito, mas o coração aperta. Enfim. O avião decolou e o piloto já avisou de cara que estávamos pegando turbulência. Como se precisasse avisar: o troço não parava de sacudir! E eu ali, em pânico, rindo para as crianças e dizendo que aquilo era mesmo muito divertido. Ainda bem que eles não são medrosos e estavam achando graça da brincadeira 'sacode chacoalha balança bambeia avião' que a mamãe inventou (nota: inventando brincadeira, música e dancinha enquanto rezava uns 6735 Pai-Nossos por segundo, claro!). Bom, depois o bicho deu uma acalmada e seguiu tranquilo um bom tempo, as crianças dormiram e tal, Felipe também. E começou nova sessão de 'vamos testar a sua Fé'. Sacode para cá, balança para lá. E eu entrei numa paranoia tremenda, por não saber como estaria a Capitu. Que desespero! Eu conseguia vê-la sendo jogada de um lado para o outro. Me deu tudo: dor no corpo, dor de cabeça, sensação de sufocamento, vontade de gritar. Eu levantei, andava pelo avião, aquele corredor comprido, indo de um lado, até o final, e voltando pelo outro. Sem motivo, parando no banheiro para não parecer maluca, mas com uma esperança de ouvir, sei lá - um latido, um som, qualquer coisa. Me internem, mereço! Mas foi realmente desesperador. 
Lara acordou , fiquei com ela e, por mais que tenha sido ruim, teve um lado ótimo, de desviar minha atenção. Depois que ela voltou a dormir, voltei a pensar em como estaria a Capi no porão.
O avião pousou sem problemas, na hora certa. A Tina virou a sensação também do aeroporto. Chegamos exaustos, Felipe e eu, e as crianças no maior pique. Pegamos nossas malas e andamos com muita dificuldade (trouxemos muita coisa, como vocês devem imaginar). Passamos pela Alfândega sem problemas, mas fomos parados adiante. Nesta hora, confesso, tive pânico! Antes de sair de casa, naquela de 'dar uma geral em tudo', achei muitos remédios na validade. Coisas que eu poderia usar aqui - e provavelmente usaria. Então, saí tacando tudo na mala. Mas eu não tinha receita, e, ao nos ver retidos, pensei: 'danou-se! Ainda nem entramos e já vão me mandar de volta!' Mas eles não queriam fazer raio x de nossa bagagem gigantesca, para minha alegria. Só precisavam conferir os documentos da Tina, viram que estava tudo ok e nos liberaram.
Pegamos o carro, previamente alugado (mais para caminhão que para carro, mas tudo bem!) e fomos direto buscar a Capitu. Chegando lá, eu fui conversar com a inspetora e ela disse que teríamos que ir ao Controle da Fronteira para levar uns documentos e que, quando os tivéssemos em mão, poderíamos buscar a Capi. Ela me garantiu que ela estava bem e, neste instante, chorei um pouco.
Fomos até o Controle da Fronteira, o Felipe levou os documentos e eu fiquei no carro com as crianças. Demorou longos vinte e poucos minutos. Saímos, voltamos para o lugar anterior. O Felipe ficou no carro com as crianças e eu fui buscar a Capitu. Dei a documentação e uma moça disse que iria buscá-la. Deve ter levado entre 5 a 10 minutos, mas, juro! Pareceu que fiquei umas duas horas esperando. E então a moça trouxe num carrinho duas caixas de transporte e na da esquerda eu vi a Capi. Ao me ver, ela começou a latir, eufórica. E eu desabei. Comecei a tremer e chorava compulsivamente! Eu não conseguia nem abrir a casinha e a moça me ajudou. Ela pulou em cima de mim e eu a abraçava e beijava e rezava, tudo ao mesmo tempo. O casal ao lado também chorou quando pegou seu husky siberiano, mas longe de fazer a cena que eu fiz. Se alguém tivesse dúvida, ali dava para saber o quão latina eu era! :p
Quando a Capi viu o Felipe, ficou louca! As crianças, que perguntaram por ela no avião e desde o desembarque estavam perguntando onde ela estava, ficaram super felizes em vê-la, também. Mas... ao ver a Tininha, Capitu surtou! Partiu para cima dela!
Quem acha que cachorro não entende nada é porque nunca teve um. Entendem e entendem muito bem! E a Capi entendeu que ficou quase 24 horas afastada da família e a Tininha, não. Ou seja: crise de ciúmes braba! O primeiro dia foi assim: com as duas se estranhando. Um estresse, claro. Mas o menor de todos eles. Chegamos os seis, bem, à nossa nova casa - melhor dizendo, apartamento. Passaremos as primeiras semanas aqui.

Houston, dear, aqui estamos. Trate-te nos com carinho, viu?  :)


PS: resolvi escrever sobre como foi a viagem porque tinha muita gente perguntando. Mas depois eu vou relatar nossa saída e a festa que foi no aeroporto lotado de amigos! :D

segunda-feira, 6 de julho de 2015

ATÉ LOGO, AMIGOS!



Quando minha grande amiga Fabiana se mudou para os Estados Unidos, eu não sabia quanto tempo ela ficaria fora. Nem ela sabia, na verdade, pois nunca sabemos o que o futuro nos reserva. Mas ela casou-se lá, fez a vida dela lá. E eu sentia muitas saudades dela. Neste tempo, não existia facebook, whatsaap ou skype. Trocávamos correspondência à moda antiga: cartas e cartões que demoravam tempo demais para chegar. Passamos anos sem nos ver e eu me lembro do dia em que nos vimos, depois de muito tempo apenas nos correspondendo. Ela já era mãe e trazia ao Rio de Janeiro o filho mais velho - que a esta altura já andava e falava. Sentamos - eu, ela, Carol e (acho) Clá e Dri - num restaurante. E eu vi aquele menino, pela primeira vez, que eu não vi na barriga, que eu não conheci na maternidade, que eu não fui ao batizado, e meu coração se encheu de amor. Eu me apaixonei pelo Sookie imediatamente e era, no meu coração, meu sobrinho. Depois de anos sem ver a Faby, encontrá-la foi como se... se ela estivesse fora há dias, ao invés de anos. A atualização foi imediatada e nos falávamos como se nunca tivéssemos passado mais do que umas duas semanas afastadas. Ali, eu soube. Amigo é para ficar do lado, mas tem que ser do lado certo.
Hoje à noite, depois de uma longa espera e muita expectativa, estamos indo para o Texas. Entramos no avião no Rio de Janeiro e amanhecemos em Houston, com a graça de Deus! A ansiedade é enorme: Felipe está enjoado desde ontem e praticamente não dormimos esta noite. Ainda falta terminamos de arrumar as malas, conferir documentação da Capitu, comprar alguns remédios... A sensação de que esqueceremos algo é tão real que enlouquece. Mas conseguiremos embarcar, os seis - eu, Felipe, Davi, Lara, Capi e Tina - no mesmo voo. E é só isso que importa, afinal: chegarmos bem os seis lá. O resto a gente dá um jeito. :) Fácil assim? Não, não é. Pelo contrário, é difícil pacas. Qualquer mudança é assim: afastar-se 'de casa' é um pesadelo. Não pela casa, mas pelo que deixamos para trás. E o que deixamos... São vocês, família e amigos. Deixamos?
Muitos amigos estão reclamando que não conseguiram se despedir. Muitos estão antecipadamente sentindo a nossa ausência. Então, eu resolvi contar para vocês o que eu aprendi com a 'ausência' da Faby. Amigo tem que estar do lado, mas é do lado certo. E o lado certo é dentro da gente! :) Hoje, quando embarcarmos para o Texas, não deixamos vocês para trás, não mesmo! Nós estamos levando vocês conosco. Em cada uma das nossas histórias, em todas as partes da nossa memória, em fotos, em presentes, em muitas risadas. Levamos vocês costurados e colados em todas as partes de nossos corações. Levamos vocês em quem somos, nas comidas e bebidas que compartilhamos, nos filmes e peças que assistimos juntos. Levamos vocês conosco e nos deixamos aqui, inteiros, de coração, para vocês!
Eu tinha medo de que as crianças pudessem não ter esta mesma percepção que tenho. Mas em 13 de junho, tive uma alegria imensa. A muito amada prima Fefê, que mora em Brasília, estava no Rio e pudemos nos despedir - dela e dos pais dela, primos que amamos muito. Davi e Lara não viam a Fernanda desde fevereiro e ao se verem... se abraçaram e começaram a brincar numa euforia feliz. A conexão é imediata, impressionante! Eles se veem poucas vezes ao ano, mas já se tem do lado de dentro: se amam sem precisar estar colados o tempo todo para saber o quanto se amam! E isso me deu uma paz de espírito danado: meus filhos já levam seus amores consigo. 
Durante todo este árduo processo de mudança, a única vez que eu caí foi no sábado. Arrumando a mudança em si, recolhendo lembranças, separando nossas coisas. E eu peguei um mundo de coisas que me lembrou demais a minha avó. E eu chorei. Chorei porque ela está muito viva dentro de mim, ela sempre estará ao meu lado. Mas a ela eu não posso mais beijar e abraçar. A todos vocês, amigos queridos, eu posso. E vou! Muitas e muitas vezes, acreditem! Como diz meu marido: é só o Texas, não estamos indo para Marte!
Estamos indo sem data para voltar. Mas voltaremos, podem acreditar. E esperamos visitas! Então, troquem lágrimas por planos concretos de viagem, tirem passaporte, vistos, usem suas milhas. E tenho certeza que, quando nos encontrarmos, será como se nunca tivéssemos saído do lado de vocês. e vocês verão que nunca saímos de verdade. :)

Até logo, amigos! Nós vamos, mas voltamos num dia de sol.

Muitos beijos a todos vocês que estamos levando conosco. E a todos vocês, amigos queridos, que estão nos esperando para fazer parte de nossas vidas no Texas.

Houston, dear, estamos pronto para você! :)

ESTA FOTO LIIIIINDA FOI TIRADA PELA MINHA AMIGA PATRÍCIA NUÑEZ EM SUA CASA, COM LARA E VALENTINA, NOSSAS FILHAS, BRINCANDO DE PRINCESAS. AMO A FOTO E AMIZADE ENTRE AS DUAS!

sexta-feira, 3 de julho de 2015

À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS!

Humor do dia: estou pronta para virar uma personagem do Almodóvar! A sensação é de que não vai dar tempo. Simples assim: não vai dar tempo de empacotar tudo, não vai dar tempo de organizar as coisas importantes, não vai dar tempo!!! Hoje a mudança conseguiu me consumir e estou à beira de um ataque de nervos. As pessoas me perguntam como eu estou, e de um modo geral, parecem surpresas porque não estou aos prantos. Nem para isso dá tempo, meu povo! É coisa demais para resolver para deixar a peteca cair agora. Quando eu já estiver lá, instalada, aí me dou conta de que mudei de continente sem previsão de volta. Até lá... Empacota, encaixa, separa, joga fora, doa, organiza documento, mais documento, mais documento... Socorrooooo!!!!
Houston, dear, por que ainda não inventaram o teletransporte Brasil - Usa? 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

MURPHY E O CARRAPATO!

Por mais que eu tente descrever aqui, é difícil realmente dizer o quão estressante é mudar de país. A maioria das pessoas, ao saber que estamos indo para os Estados Unidos, tem uma das duas reações: 1- fica excitada, diz que vai ser o máximo, que 'estamos saindo do Brasil na hora certa'; ou 2- fica arrasada, diz que vai morrer de saudades e pergunta quanto tempo ficaremos fora. E todas, sem exceção, perguntam: 'e as cachorras'?
'As cachorras' não descreve minhas filhas. :) Capitu é o sonho da minha infância! Desde que me entendo por gente, queria ter um cachorro. Mas minha mãe morre de medo, então, nunca tive. Quando casei, insisti com o Felipe que deveríamos arrumar um cãozinho, mas ele se recusava a ter cachorro em apartamento. Assim que começamos a procurar casa, arranjamos a Capitu: nós a trouxemos para casa com apenas 32 dias, uma bolinha marrom de pêlo. Dois meses depois, engravidei do Davi e neurotizei; não poderia mais dar atenção exclusiva à Capi, ela ficaria sentida e tal. Quis uma companhia para ela. Duas semanas antes do Davi nascer, meu primo Julio nos deu a Valentina de presente. E assim, antes mesmo de ser mãe, eu já era mãe de uma labradora chocolate chamada Capitu e uma buldogue francesa preta e branca chamada Valentina - ou melhor, Tininha, porque imediatamente a apelidamos. Por isso, quando começamos a pensar na mudança, começamos a pensar em como faríamos para levá-las, porque deixá-las para trás nunca foi uma possibilidade. Tudo se encaminhando direitinho e nós, agora pertinho da viagem, felizes em ver que, mesmo corrido, mesmo enlouquecidamente, seria 'tranquilo' levá-las. Aí então o Sr. Murphy resolve dar o ar de sua graça. Não é que as bichinhas apareceram com carrapatos? :/
O mais triste é que as crianças estavam há dias pedindo para dar banho na Capi e na Tina e nós adiando, querendo dar no sábado. Mas achamos que a Capitu parecia meio tristonha e fomos checar. Não deu outra: carrapatos! Aquele desespero, corrida para buscar remédio, marcar consulta com veterinário e eu e Felipe catando a pobrezinha (Tina só tinha um, sorte!). Felizmente, ela se recupera muito fácil e já está aqui pulando como uma perereca. Mas, olha, te falar: com zilhões de preocupações ainda ter que perder o sono tendo pesadelos com 'a doença de carrapato' foi puxado! :'(
Houston, dear, se por alguma inexplicável razão você não tiver carrapatos, te amarei para sempre! :)

quarta-feira, 1 de julho de 2015

SAUDADES DA MINHA CIDADE

"Você vai morrer de saudades do Rio, né?" Quando estamos de mudança, todo mundo acaba opinando um pouco. E esta frase, sobre saudades da minha cidade, tenho ouvido frequentemente nestes últimos dias. Mas vou fazer uma confissão/desabafo: eu já morro de saudades da minha cidade, diariamente! :/ E o que é mais triste é constatar o crescente número de amigos que, como eu, sente saudades do Rio de Janeiro. O que houve com esta cidade, minha gente? Eu nem estou falando que sinto falta da Perimetral - e de quando eu conseguia fazer Jacarepaguá-Rio Sul em pouco mais de vinte minutos. Eu sinto falta é... da sensação da 'Cidade Maravilhosa'. Agora, a sensação é que a cidade está entregue. A quem, não sei. Mas sinto falta de abrir o Facebook e ver fotos bonitas da minha cidade com os amigos provocando {cariocas são implicantes, está em nosso DNA, desculpaê!} 'eu moro onde você passa férias'. Agora, abro a rede social para ver imagens de amigos compartilhando roubo de bicicleta {e respirando aliviados porque o amigo continua vivo, olha o cúmulo a que chegamos!}, relatos de furtos, arrastões, etc, etc. Uma crescente e avassaladora onda de violência e abandono vem tomando nossa cidade há tempos, mas, recentemente, parece ter chegado ao seu ápice. Aí passa outro dia e o jornal traz outra pessoa morta porque não tinha cinco reais no bolso... Tá brabo, viu?
Não acho {e isso é opinião, claro} que a redução da maioridade penal seja a solução. Tampouco acho que 'a culpa é do PT!'. Não há 'um' culpado, há uma sequência de erros que nos trouxe ao atual estado {crítico!}. E eu, como muitos cariocas, estou desolada em ver minha cidade tão abandonada...
Houston, dear, sentir-me segura andando por suas ruas definitivamente não será um problema! {E sim, é pesaroso pensar que me sentirei mais segura morando 'longe de casa'. :( }

terça-feira, 30 de junho de 2015

TUDO NOVO DE NOVO!


Ai, ai, ai, ai.. está chegando a hora! Estou à beira de um ataque de nervos na reta final. O meu plano era que o Felipe fosse na frente e eu fosse ao menos uma semana mais tarde, com as crianças, as cachorras e meus pais. Só que meu pai tem uns exames para fazer e acabou ficando tudo enrolado: se eles fossem, teriam que sair do Rio correndo para me ajudar, ficar umas duas semanas apenas e voltar correndo. Não faz muito sentido. Então, mudança de planos: vamos todos juntos, eu, marido, filhos, cachorras, uma semana antes do que eu previa. Por que, né? Para que enlouquecer aos poucos se você pode endoidar de vez! :) E aí, nesta coisa de fazer malas, separar coisas e tal, me peguei pensando no que ficaria para trás {lágrima no cantinho do olho nesta hora!}. E me vi pensando, da mesma forma, no que teríamos que comprar novo. Ok, assumo: isso deu um desespero, mas foi um desespero bom! Depois de dez anos de casamento, claro que juntamos muitas coisas, perdemos algumas, repusemos outras. Mas tem muita coisa que eu vou curtir : comprar tudo novo. Tudo novo de novo, quem não curte? Fiquei empolgada. Principalmente considerando-se que os juros de cartão de crédito nos Istêites são bem menores que no Brasil! hahahahahaha 
Houston, dear, comprar coisinhas novas para a casa nova definitivamente não será um problema! ;)


*Esta foto foi tirada em janeiro de 2005. Eu e Felipe tínhamos tido nosso chá de panela e levamos tudo para nossa primeira casa: um apartamento delicioso onde fomos muito felizes a dois. Antes mesmo da família aumentar, começamos a buscar um lugar maior e, com dor no coração, saí do apê para uma casa. Foi nossa primeira mudança e, na época, uma excitação e ansiedade enormes. Mal sabia eu que alguns anos depois passaria por uma mudança de verdade! :)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

MALAS!

Está chegando a hora... Frio na barriga é pouco para descrever a sensação. Um misto de ansiedade em ir logo e querer ficar mais. Apenas mais uma contradição de sentimentos. :) E estamos no momento crucial de decidir o que levar e o que deixar: a hora de fazer as malas. Infelizmente, não somos rycohs o suficiente para deixar tudo para trás e ir apenas com uma bolsinha de mão. E, honestamente, nem tão desapegados: queremos levar um pouco da 'nossa casa' para... a nossa casa! Então, já tínhamos ido a lojas de móveis em Houston, em maio deste ano, e vimos algumas coisas que gostamos. Mas decidimos manter nossa mobília. Algumas coisas, sempre soubemos que levaríamos: a cristaleira que é herança da minha tia avó, o chapeleiro que foi do meu avô, a chaise que trouxemos de nossa lua-de-mel no sul da Bahia, as poltronas que foram presente da minha irmã. Mas acabamos decidindo levar mais coisas: reformamos o rack da sala e o sofá. O chato é que o container pode demorar até dois meses para chegar. Enfim, até lá iremos comprando aos poucos algumas coisinhas por lá. E o que não levar é o mais complicado: brinquedos, roupas, livros... Separar para doar, separar o que daremos para pessoas queridas: isso dá uma trabalheira danada! Houston, dear, isto está sendo um problema. Não tem como teletransportar a minha casinha daqui praí, não? Vontade de fazer uma mágica e já estar tudo pronto e encaixotado e etiquetado. Se alguém tiver uma lâmpada do Alladin para me emprestar, tô aceitando! :)

quinta-feira, 25 de junho de 2015

SÃO JOÃO, SÃO JOÃO, ACENDE A FOGUEIRA DO MEU CORAÇÃO!

Hoje é a festa junina do Davi e da Lara, na escola. Por conta de uma frente fria, a festa foi desmarcada da semana passada  e remarcada apenas na terça-feira. Ou seja, ontem tive que fazer cuscuz e cocada preta, os doces que meus filhos ficaram incumbidos de levar. Aquela correria, a cozinha cheia de coco ralado para todo canto e eu feliz da vida: ADORO FESTA JUNINA!!! :) Ok, nunca tinha feito cuscuz na vida e esta parte foi meio chatinha (peguei receita na internet, no saquinho de tapioca, no livro da Rita Lobo e com uma amiga, Ana Paula. Fiz a da Ana Paula e deu certo!), mas uma vez prontos os doces, as crianças começaram na euforia do 'amanhã é a festa junina!' E eu adorei esta bagunça! Hoje, acordaram cedinho e colocaram as roupinhas de caipira. Ficaram tããããããããaoooo fofos!!!! Saíram todos felizes, carregando seus doces. E ao os ver entrando na escola, me deu uma pontinha de insegurança. Sei que tem muitos brasileiros em Houston e sei que poderei fazer vários amigos por lá, brasileiros ou não. Mas será que o povo de lá é animado para pular fogueira de São João? Será que é fácil achar tapioca para fazer cuscuz? E paçoca (amo mais que tudo), será que tem? Ai, dor no coração pensar em ficar sem festa junina...
Houston, dear, eu já pus na cabeça que este é um problema solucionado: mesmo que ninguém tenha este hábito, ano que vem, em nossa casa, vai ter festa junina (ou julina!). E vai ter o que tiver por lá: milho cozido eu sei que tem (e é meio adocicado e mais gostoso que o nosso, pasmem!), dá para fazer caldo verde com certeza. Seu não conseguir a paçoca, vou inventar algum doce usando aquela pasta de amendoim americana bem típica e pronto. De um jeito ou de outro, Santo Antônio, São João e São Pedro serão lembrados. Podem apostar! :)