sexta-feira, 25 de setembro de 2015

E a casa virou um lar!

Quando decidimos mudar, sabíamos que muita coisa ficaria para trás. E em termos práticos, ficou mesmo: teríamos que chegar e mobiliar uma casa imediatamente, então, não fazia sentido trazer tudo. Nossa mudança saiu do Rio de Janeiro dois dias antes da gente, com previsão de chegar em dois meses. Assim que chegamos, ficamos num apartamento alugado pela empresa do Felipe, mas queríamos um lugar 'permanente' e acabamos alugando uma casinha de tijolinhos vermelhos, no final de uma ruazinha tranquila. Nos mudamos antes de completar um mês nos Estados Unidos e, para fazer esta mudança, tivemos que 'montar' a casa: compramos camas, sofá, televisão e mesa da cozinha. As casas americanas já são equipadas com geladeira, fogão, micro-ondas, máquinas de lavar louças e roupas e secadora. Ou seja, uma tremenda mão na roda! Ainda assim, todas as pequenas e imediatas coisinhas que precisamos no dia a dia foram compradas. Então, nos mudamos para uma casa nova, com tudo novo. E estávamos numa boa com isso.
Já estávamos instalados na nossa casinha quando começamos a cobrar a mudança. E então a notícia: a Receita Federal do Brasil está em greve, a mudança vai atrasar por prazo indefinido. Foi um balde d'água-fria. claro. Começamos a comprar mais coisas, já que nem a médio prazo saberíamos quando nossas coisas chegariam. Num belo dia, meu marido resolveu ligar de  novo para cobrar e recebeu a resposta chocante: a companhia estava mandando emails e não tinha resposta dele - estavam usando o email da empresa anterior do Felipe. Nossas coisas estavam no Texas e já podíamos agendar a entrega! 
As coisas acontecem quando tem que acontecer, mesmo. Meus pais chegavam para nos visitar na terça-feira. Marcamos a entrega para a quinta seguinte. Pude sair de manhã com calma e meu pai começou a receber as coisas por mim. E como chegou coisa!
Depois de 70 dias sem nossas coisas, já tínhamos nos acostumado a viver com bem menos do que tínhamos. Na verdade, estávamos até gostando disso! Mas a mudança chegou no dia que minha que-riii-da tia Ceci aniversariava. E, coincidência ou destino, uma das primeiras coisas que desembalei foram as tigelinhas de sopa que ela nos deu no nosso casamento (no frio de São Paulo, onde ela morava, eu sempre gostava de uma sopinha e ela sabia disso!) E então, começaram, caixas após caixas, a chegar todas as pecinhas do nosso quebra-cabeças humano: a cristaleira que foi da minha tia-avó, o chapeleiro do meu avô, a minha coleção de adornos do Divino (que é quase toda composta por presentes de amigos queridos!), o livro que a Clá deu, o livro que o Dani deu, a gatinha que foi da dinda Rê... Um a um, apareceram todos os padrinhos dos meus filhos, todos os meus padrinhos de casamento, todos os amigos de colégio, de faculdade, de maternidade. Apareceu a minha família, a família do Felipe. Apareceram os amiguinhos do Davi e da Lara. Eram fotos, livros, vídeos, objetos grandes e pequenos espalhados por todos os cantos na nossa nova casa.
Ainda não conseguimos desembalar tudo: o sofá antigo ainda está na garagem, junto com a bateria do Felipe. Mas até a máquina de costura da tia Todinha já está em seu lugar. E assim, num piscar de olhos, a nossa nova casa deixou de ser a casa de tijolinhos. A nossa casa virou um lar!

Houston, dear, obrigada por ter uma casinha de tijolinhos vermelhos, no cul-de-sac de uma ruazinha tranquila, com o nosso nome na caixa de correio! É muito bom termos conseguido fazer daqui nosso novo lar! :)


ESTA FOTO FOI TIRADA PELO MEU MARIDO, FELIPE MENDES, PELO CELULAR! :) E SIM, É NOSSA CASINHA!!!

COMO ME SINTO MORANDO NOS ESTADOS UNIDOS

Como me sinto morando nos Estados Unidos (75 dias):


- Já sou capaz de ir e vir aos lugares que frequento, sem ajuda do waze ou de mapa.
- Já começo a entender o labirinto que é Houston e seus arredores.
- Já tenho uma boa 'rede de apoio': amigas que fiz aqui, amigas que já tinha.
- Já me acostumei à comida - mas ainda prefiro o tempero brasileiro.
- Já me acostumei à calma da minha vizinhança. Mais do que isso: já curto a calma da minha vizinhança! Final da tarde, crianças de bicicleta e patinete na porta de casa, desenhando com giz na rua... :)
- Me sinto especialmente feliz porque meus pais estão aqui conosco! Vieram para passar 45 dias ao nosso lado e isto tem sido o máximo! :D
- Me sinto frustrada com algumas coisas absolutamente diferentes do Brasil, como o sistema policial. Após baterem no meu carro, a pessoa deu seu depoimento e depois de 3 semanas fez uma 'emenda', Com isso, a seguradora fica segurando para autorizar o conserto. Burocracia chata e sistema injusto. Começo a perceber que os USA são 'o país do processo' não é a toa!
- Me sinto feliz em ver as crianças se adaptando à nova rotina, apesar de ainda estar preocupada com a adaptação escolar do Davi.
- Me sinto triste em ver as notícias que chegam do Brasil, com o dólar subindo sem parar, onda crescente de violência... De longe, a situação 'o país está à beira de um colapso' parece mais forte. 
- Sinto muitas saudades das pessoas. Dos lugares, menos.
- Sinto uma certa inquietação em relação ao futuro político-econômico do Brasil. Dos rumos que o país tomar, também decidiremos nosso futuro...