segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Dodói! :/

Há alguns anos, fiz um curso (super bacana, aliás, recomendo!) em que, dentre outras coisas, me ensinaram que 'sofrer por antecedência é sofrer no mínimo duas vezes.' Desde então, tenho tentado aplicar isto na minha vida, buscando controlar minha ansiedade e não sofrendo antecipadamente pelo inevitável. Com a mudança Rio -Texas, no entanto, foi impossível: fui consumida pela ansiedade. E tive umas 'sofrências' antecipadas. Uma delas foi imaginar uma das crianças doentes. No meu cenário, o Felipe estaria preso  no trabalho e eu estaria sozinha e um dos pequenos estaria demandando cuidados médicos. Na minha cabeça, seria um desespero e eu não conseguiria dar conta disso. Pois é. Definitivamente, não se deve sofrer antecipadamente.
O dia chegou. E eu não estava sozinha. Meus pais estão aqui conosco, dando todo apoio. Eu pensei tanto no Davi e na Lara doentes e não me dei conta que, dos quatro, quem mais me dá trabalho, em termos médicos, é a Valentina. Nossa Tina, Tinoca, nariz de pipoca, já aprontou todas: já perfurou o olho e ficou parcialmente cega. Já prendeu a coleira no deck da piscina e se enforcou - o que fez com que eu a levasse para a emergência de pijamas! Ela tem o estômago mais sensível da casa - qualquer coisa, vomita. Ou seja: era de se esperar que fosse ela a primeira a me levar ao hospital daqui. E foi ela mesma!
Chegamos de San Antonio e ela estava muito amuadinha. De início, achamos que fosse saudade, mas logo percebemos que ela estava com dor. Vê daqui, vê dali, pega indicação com amigos e lá fomos nós para a veterinária. Para encurtar a história (foram várias idas ao hospital), ela está com uma hérnia de disco. Já entramos em contato com a médica dela no Brasil, estamos fazendo tratamento com remédio + laser por aqui, Ela parece estar um pouco melhor, mas ainda buscaremos tratamentos alternativos, como a acupuntura. Ela tem seis anos e meio, achamos que responderá bem e sairá curada. De todo modo, toda nossa atenção agora está voltada para a Tininha. Nossa filhota do meio, a que sempre nos deixa de cabelo em pé, a que achamos que não teríamos como trazer, mais uma vez nos tira o sono. E mais uma vez, dará tudo certo, tenho Fé! ;)

Houston, dear, por que uma ressonância magnética canina tem que custar mil e quinhentos dólares? Assim não dá, Houston, assim não pode, assim não tem como! :/


PS: Um mega beijo para a autora da foto, minha amiga Patrícia Nuñez. Como sempre arrasando, Paty! 

PS 2: Para quem se interessou/ ficou curioso: o curso a que me referi chama-se DL: Desenvolvimento e Liderança. E ano que vem terá em Houston, olha que barato! :) O site, para quem quiser conferir, é este aqui: www.inexh.com.br

domingo, 18 de outubro de 2015

3 meses!!!

Mudar de país parece bastante com uma gravidez. A notícia da mudança gera ansiedade, medo, expectativa do que estar por vir. E ao mudar, uma nova vida começa. Exatamente como ao gerar um bebê. E como numa gestação, o primeiro trimestre é crítico. E nós sobrevivemos a ele! :)
Eu me lembro do medo ao buscar o resultado do teste de gravidez do Davi. Eu vinha de dois abortos, entre 6 e 9 semanas, e estava em pânico com a novidade. Eu teria que ter - e tive! - mil cuidados, estava cheia de recomendações. E nosso primeiro trimestre texano também foi assim: em pânico com a novidade, boa parte do tempo. Tudo era diferente e acostumar-se a viver num país em que as coisas são quase sempre preto-no-branco, depois de passar toda a vida no Rio de Janeiro, foi difícil. Era aquilo de 'mudei de país, não de personalidade', mas achando que, no fundo, teria que mudar, sim, de personalidade. Por sorte, eu estava errada. 
Algumas empresas oferecem um 'treinamento cultural' para recém-chegados aos Estados Unidos. O Felipe dispensou nosso treinamento - bem como aulas de inglês e o tour pela cidade. Ele é tão auto-didata que não viu necessidade nisso. Ainda bem! Eu sou do tipo que adora uma sala de aula e teria ouvido, como minhas amigas depois me contaram, que eu não poderia olhar diretamente para as crianças, que eu não deveria fazer comentários sobre roupas, cabelos e costumes dos americanos. Isso, para dizer o mínimo. E, como boa aluna, eu teria ouvido tudo atentamente e teria levado a sério. E teria perdido a chance de me divertir muito por aqui.
Mãe é mãe. Ponto. Do momento em que se descobre a gravidez em diante, tudo muda e nosso sexto sentido deixa de falar conosco. Ele grita, esperneia, dá cambalhotas se não prestarmos atenção. Então, uma mãe sempre tem uma intuição quando alguém se aproxima, com carinho, do seu filho. E aqui, não é diferente. Eu não fiz o treinamento cultural, então, brinco com as crianças na rua. As mães sorriem, brincam de volta com os meus. Já tive casos tão 'latinos' que assustam - uma senhora mais branca que vela, americanaça, metendo a mão no cabelo da Lara e dizendo 'isto é a coisa mais linda que já vi na vida, ela é linda demais! Nunca corte este cabelo, estou apaixonada!' Da mesma forma, já parei diante de uma menininha ruiva e disse para a mãe 'a vontade que dá é levar sua filha para o salão e dizer que quero o cabelo tão maravilhoso quanto o dela!' E a resposta é sempre simpática - no caso da mãe da ruivinha, por exemplo, ela brincou ' pois é, quando eu estava encomendando o bebê, pedi que fosse feito desta forma, mas deu um trabalho que nem te conto. Ela até demorou a nascer e tenho certeza que foi por conta do cabelo!'
Eu vou a parques com meus filhos e troco telefones com mães. Eu já fui parada, algumas vezes, para me perguntarem onde comprei tal sapato, tal vestido. Eu já me sinto a vontade para ser eu mesma, rindo e falando alto.
Claro que nem tudo são flores. Tem o lado ruim e o pior é a saudade das pessoas. Isso é o que dói em ser expatriado, mais que tudo. Mais que viver sem praia, sem biscoito Globo, sem mate com limão. Viver longe da família e dos amigos: isso é doloroso. Sentir-se estrangeira, muitas vezes, é difícil. Em três meses, o momento que mais me senti alienada aqui foi quando uma senhora de 82 anos bateu no meu carro e a filha dela fez de tudo para tentar parecer que foi minha culpa. Não foi, ela teve que arcar com os danos e com o aluguel de um carro enquanto o meu consertava. Nosso amigo Bobby, ao ouvir que eu tinha me envolvido em um acidente de carro, riu e disse 'parabéns, você agora é uma houstoniana!' Mas em menos de 2 meses, ter levado uma batida não foi nada divertido, mesmo para me tornar uma houstoniana. Como não foi nada divertido ser parada por um guarda por excesso de velocidade - yep, esta foi culpa minha mesmo. O guarda vermelho, gritando e eu... cariocando. Na maior calma, dizendo que sim, estava errada, não tinha nada a dizer a meu favor, apenas que eu era recém chegada à cidade, me distraí com minha filha e errei. E o preto-no-branco dos americanos às vezes aceita os 500 tons de cinza brasileiros e deu-se o desenrolo: não levei multa, para surpresa de todos - no caso em questão, a multa era certa e não foi. Aos poucos, aprendo mais a viver aqui, a aceitar algumas coisas que não mudarão e, portanto, não sofrer com elas. Outras, pelas beiradinhas, vou tentando adaptar...
Sim. Em 07 de outubro completamos três meses vivendo nos Estados Unidos. Acabou o primeiro trimestre, com meus pais conosco (vieram passar 45 dias), com minha irmã vindo passar alguns dias (veio pesquisar o VLT daqui e aproveitou para ficar conosco). Foi um ótimo final de ciclo, o do susto inicial. Agora, segundo trimestre. Numa gravidez é, disparado, o melhor de todos! Tomara que os próximos 3 meses nos reservem coisas ainda melhores! :)

Houston, dear, obrigada pelo primeiro trimestre. Que os próximos sejam ainda melhores. ;)


Esta foto foi tirada do google apenas para fazer a analogia entre a mudança de país e uma gravidez. Caso ainda assim alguém tenha ficado na dúvida, NÃO, não estou grávida e nem com planos de ficar. :)

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Tenho cara de palhaço?

Ser brasileiro é uma dádiva. Mas morar no Brasil, convenhamos, é um desafio. São inúmeras dificuldades e empecilhos impostos diariamente - de taxas altíssimas para comprar o que quer que seja à falta de segurança pública, sobram motivos para frustração. Atualmente, conto nos dedos de uma mão os  amigos que se dizem 'relativamente satisfeitos' com o atual governo. E os amigos que perderam empregos ou estão correndo risco de perder... Bom, destes, já perdi a conta, infelizmente. 
Algumas coisas são impostas e quando a light aumentar o preço da luz, você continua tendo que morrer nesta grana - ou desapega e passa a viver sem energia elétrica. Mas e quando nós mesmos nos propomos a pagar caro demais por algo? O que isso diz sobre nós?
Qualquer brasileiro, quando viaja para o exterior, leva um susto ao comparar preços. Isso não é novidade e se você viaja com frequência, entende perfeitamente o que estou dizendo. Alguns itens cultuados no Brasil, no exterior não tem o mesmo status. Aqueles hidratantes da Victoria's Secrets, que já foram o sonho das brasileiras, nos EUA são... hidratantes. Ninguém vê nada demais naquilo. Da mesma forma, o creme 'Aussie', que fez nossas cabeças, é, aqui, um creme de cabelo baratinho. Não, não é exagero: já vi na promoção do mercado (sim, mercado!) por menos de 3 dólares. Não estou querendo invalidar os produtos: o hidratante da VS continua sendo cheiroso e o creme Aussie continua funcionando que é uma beleza, especialmente em cabelos cacheados! Mas quanto você paga por eles?
Importar algo, no Brasil, me parece, deve ser feito ao som de "Missão Impossível": você tem que pagar impostos altíssimos. E esta conta será paga pelo consumidor, óbvio. O problema é que esta matemática joga contra o comprador. Sim, o importador tem que ter lucro. Sim, o dólar está altíssimo. Mas como um produto de 3 dólares poderia ser vendido, em 2014, a 60 reais? Não, sério, como?
Quando passamos férias fora do Brasil, fazemos este tipo de questionamento acima. Mas quando a gente passa a morar fora... aí a coisa muda de nível! E a gente passa a se perguntar: 'estavam mesmo me fazendo de palhaço?'
Desde que chegamos ao Texas, fomos a diversos lugares bacanas. E, algumas vezes, a lugares comuns. Aquele domingo de preguiça, que ninguém quer cozinhar, e vamos a um restaurantezinho mais em conta e tal, sabem? Isso acontece no Brasil. Acontece aqui, também. E foi com surpresa que me dei conta que o 'restaurante que vai ter uma boa promoção' era, dentre outros... o Outback!
Outback, no Rio de Janeiro, quando inaugurou, virou febre! Como não seria? Cebola empanada, refrigerante refil, carnes atraentes. Toda pinta de ser 'O' restaurante - algo, no mínimo interessante. E é. Tem muita coisa gostosa ali. Mas o prestígio de ser um restaurante 'tcham'... Pois é, não tem! Não vou dizer que é chinfrim - como uma amiga americana já descreveu - mas é comum. No Texas, come-se melhor em lugares pouca coisa mais caros. Outback é, no Texas, aquele restaurante que você pode ir comer uma carninha com as crianças aprontando todas e pagará um preço bom. Só. Da mesma forma que o Outback, Pizza Hut, Applebee's e outros neste gênero não tem significante relevância por aqui.
Eu poderia continuar aqui citando casos análogos por horas. De como Abercromie, Hollister e Tommy são comprados no Outlet, por exemplo. Mas na verdade, a minha intenção não é fazer parecer que os EUA são melhores do que o Brasil (tem muita coisa boa. E tem coisas ruins, também!), ou que nosso governos nos faz pagar demais por produtos importados. O que eu queria dizer era só isso: sim, nosso governo erra e erra feio na hora da taxação. Sim, muitas vezes somos vítimas de um sistema injusto. Mas outras vezes, nós nos dispomos a pagar demais por algo que não vale o preço. Então, daqui por diante, no meio da crise em que o mundo se encontra, pare e pense duas vezes antes de consumir algo que parece excessivamente caro. E diga, com todas as letras 'tenho cara de palhaço?'
Se o governo não faz a parte dele em tentar driblar a crise, cabe aos brasileiros fazer a deles. Não aceitem pagar mais caro do que produto/serviço vale. Brasileiro não é Bozo! ;)

Houston, dear, obrigada por preços justos e outlets recheados de maravilhas! :D