Tom Jobim, se não me engano, foi quem disse 'eu não moro no Rio, eu namoro o Rio.' Desde que me mudei para os Texas, namoro o Rio de longe. E como todo namoro a distância, a saudade é grande. Eu estava bem triste por não passar o Natal no Rio, mas surgiu uma oportunidade para dar um pulinho lá, ver minha sobrinha nascer e voltar. Arrumei a minha mala e a das crianças para uma semana que teria que valer por um mês: muitas pessoas para ver, muitas saudades para matar. E eu estava ansiosa, sem saber como seria, o que esperar. Como eu me sentiria, voltando 'para casa', depois de quatro meses e meio? Ainda seria a minha cidade?
Meu marido teve que ir para o Rio no final de outubro. Assim como eu, ele também tinha muita gente para ver, muito papo para por em dia. E ele aproveitou, claro. Mas, quando voltou para o Texas, me disse que não se sentiu em casa em lugar nenhum. Nem na nossa casa - como está alugada para um grande amigo nosso, ele foi lá um dia para um encontro com os amigos de infância - ele se sentiu, de fato, 'em casa'. Me ligou do Rio dizendo que deveria ter marcado a passagem de volta mais cedo, porque estava com saudades... de casa! Eu fiquei encucada com isso. Será que eu sentiria saudades do Texas, estando no Rio? Saí daqui na dúvida.
Desembarquei no Rio num dia abafado, claro. Linha Vermelha, na saída do aeroporto, engarrafada, com cem motos tentando passar entre os carros ao mesmo tempo. Muito barulho. Muito tumulto. Muito vendedor ambulante. Eu, definitivamente, não estava mais acostumada aquilo. Moro numa cidadezinha calma, silenciosa, bem tranquila mesmo. O contrário da Linha Vermelha. E a viagem estava apenas começando.
Foram dias curtos. Alice nasceu - e nasceu linda! Foram médicos para ver e assuntos para resolver. Foram festas, encontros. Foi pizza no Brás, pastel no Adão, ovomaltine no Bob`s. Foi musse de alho poró no Gula Gula, bolo de chocolate da Iô, pão de queijo recheado com azeitona da Casa do Pão de Queijo. Foi água de coco, suco de melancia, mate com limão, mate com limão, mate com limão, mate com limão até matar a vontade!!! (Chegar num lugar e ver um copinho da Matte Leão é lindo quando se mora fora!) Foram os padrinhos das crianças, foram dois aniversários de primas. Foram muitos amigos. Foram os avós - todos os avós, todo o tempo, para aproveitarem ao máximo. Foi a visita ao cabeleireiro com a amiga do lado dando força para encarar o corte radical. Foi a tarde com a outra velha amiga, só para conversar. Foi o comparar preços e coisas, lugares e hábitos, pessoas e suas atitudes. Foi um mês em uma semana, como eu previra. E desde o momento em que pisei no Rio, foi uma certeza: eu me senti em casa em TODOS os lugares que fui! Até na Linha Vermelha eu me senti em casa! :D
Sim, quatro meses e meio depois, constato. Há inúmeras vantagens em se morar no Texas e nossa experiência aqui tem sido bastante gratificante. Ainda assim... Saí do Rio, mas o Rio não saiu de mim! O Rio de Janeiro continua sendo... caótico, barulhento, violento, sujo, com preços exorbitantes e péssimo serviço. E, mais do que isso tudo, continua sendo a minha casa!
Rio, querido, obrigada por uma semana maravilhosa e por tantas novas lembranças lindas das tuas ruas, dos teus sabores, dos teus sons e dos teus cheiros. Apesar dos (muito) pesares, eu ainda gosto de você!
Houston, dear, obrigada da mesma forma por ter me recebido com tanto carinho na volta. E obrigada por ter cuidado meu marido lindo, que me deu a viagem de presente, só para eu matar um pouquinho as saudades. :)

