segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O Rio de Janeiro continua sendo...

Tom Jobim, se  não me engano, foi quem disse 'eu não moro no Rio, eu namoro o Rio.' Desde que me mudei para os Texas, namoro o Rio de longe. E como todo namoro a distância, a saudade é grande. Eu estava bem triste por não passar o Natal no Rio, mas surgiu uma oportunidade para dar um pulinho lá, ver minha sobrinha nascer e voltar. Arrumei a minha mala e a das crianças para uma semana que teria que valer por um mês: muitas pessoas para ver, muitas saudades para matar. E eu estava ansiosa, sem saber como seria, o que esperar. Como eu me sentiria, voltando 'para casa', depois de quatro meses e meio? Ainda seria a minha cidade?
Meu marido teve que ir para o Rio no final de outubro. Assim como eu, ele também tinha muita gente para ver, muito papo para por em dia. E ele aproveitou, claro. Mas, quando voltou para o Texas, me disse que não se sentiu em casa em lugar nenhum. Nem na nossa casa - como está alugada para um grande amigo nosso, ele foi lá um dia para um encontro com os amigos de infância - ele se sentiu, de fato, 'em casa'. Me ligou do Rio dizendo que deveria ter marcado a passagem de volta mais cedo, porque estava com saudades... de casa! Eu fiquei encucada com isso. Será que eu sentiria saudades do Texas, estando no Rio? Saí daqui na dúvida.
Desembarquei no Rio num dia abafado, claro. Linha Vermelha, na saída do aeroporto, engarrafada, com cem motos tentando passar entre os carros ao mesmo tempo. Muito barulho. Muito tumulto. Muito vendedor ambulante. Eu, definitivamente, não estava mais acostumada aquilo. Moro numa cidadezinha calma, silenciosa, bem tranquila mesmo. O contrário da Linha Vermelha. E a viagem estava apenas começando.
Foram dias curtos. Alice nasceu - e nasceu linda! Foram médicos para ver e assuntos para resolver. Foram festas, encontros. Foi pizza no Brás, pastel no Adão, ovomaltine no Bob`s. Foi musse de alho poró no Gula Gula, bolo de chocolate da Iô, pão de queijo recheado com azeitona da Casa do Pão de Queijo. Foi água de coco, suco de melancia, mate com limão, mate com limão, mate com limão, mate com limão até matar a vontade!!! (Chegar num lugar e ver um copinho da Matte Leão é lindo quando se mora fora!) Foram os padrinhos das crianças, foram dois aniversários de primas. Foram muitos amigos. Foram os avós - todos os avós, todo o tempo, para aproveitarem ao máximo. Foi a visita ao cabeleireiro com a amiga do lado dando força para encarar o corte radical. Foi a tarde com a outra velha amiga, só para conversar. Foi o comparar preços e coisas, lugares e hábitos, pessoas e suas atitudes. Foi um mês em uma semana, como eu previra. E desde o momento em que pisei no Rio, foi uma certeza: eu me senti em casa em TODOS os lugares que fui! Até na Linha Vermelha eu me senti em casa! :D
Sim, quatro meses e meio depois, constato. Há inúmeras vantagens em se morar no Texas e nossa experiência aqui tem sido bastante gratificante. Ainda assim... Saí do Rio, mas o Rio não saiu de mim! O Rio de Janeiro continua sendo... caótico, barulhento, violento, sujo, com preços exorbitantes e péssimo serviço. E, mais do que isso tudo, continua sendo a minha casa!

Rio, querido, obrigada por uma semana maravilhosa e por tantas novas lembranças lindas das tuas ruas, dos teus sabores, dos teus sons e dos teus cheiros. Apesar dos (muito) pesares, eu ainda gosto de você! 

Houston, dear, obrigada da mesma forma por ter me recebido com tanto carinho na volta. E obrigada por ter cuidado meu marido lindo, que me  deu a viagem de presente, só para eu matar um pouquinho as saudades. :)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Aceito fiado!

Ok, sempre mencionarei as mil mudanças que sentimos ao sair do Rio e vir para o Texas e blá-blá-blá. Só que algumas coisas nós já sabíamos - sim, encontrar eletrônicos aqui é absurdamente mais fácil e barato, todo mundo sabe. O que eu não sabia - e acho que muita gente não sabe - é o funcionamento do sistema americano, em termos de banco, cobranças, etc. E confesso, ao descobrir, me espantei!
Sabem aquilo de 'vou fazer uma transferência e vai cair neste segundo na sua conta'? Aqui, não funciona assim. Transferências e cheques podem demorar - e muito - até efetivamente serem efetuados. Então, as pessoas se programam para pagar suas contas com dias de antecedência. Ou inventam soluções - nossa locadora já foi buscar parte do aluguel conosco, em mão, porque eu esqueci de depositar uma diferença e ela quis nos poupar o trabalho de voltar ao banco. E isso foi pouco.
O sprinkler da frente quebrou, chamei um cara para consertar. Daqueles que usam bota e chapéu, aperto de mão forte e sorriso no canto da boca. Ele veio, começou a olhar e eu disse 'em quanto vai ficar? Eu preciso ir até o banco trazer o dinheiro!' Ele riu e disse: 'neste caso, cem mil tá bom!' (sim, texanos são sacanas e eu a-do-ro isso!). Eu respondi que poderia dar um rim, então, e ele me disse, 'fica tranquila que não custará tudo isso!'. Pois bem. Fez o serviço, deu a conta. E um... endereço! 'Tudo pronto, m'am! Quando você tiver chance de ir ao banco, por favor, manda um cheque para a minha casa!' E assim foi que um completo desconhecido resolveu o meu problema e disse que eu poderia pagá-lo quando desse. Que eu poderia passar nos Correios e enviar um cheque (oi???) quando tivesse oportunidade. E não, isso não é incomum por aqui! Em um lugar onde sua palavra vale muito, um papel - ele não tinha qualquer recibo, não assinei nada dizendo que o devia -, muitas vezes, não vale nada. E por isso, para minha surpresa, no Texas, nos subúrbios de Houston... aceita-se fiado! :)

Houston, dear, obrigada por estar colocando tantas pessoas interessantes pelo meu caminho - e principalmente por poder ver que minha palavra também tem valor por aqui! ;)

sábado, 7 de novembro de 2015

Halloween!

Halloween. A gente diz que gosta e comemora no Brasil - minha irmã já teve dois aniversários neste tema. E aí a gente vem para os Estados Unidos e percebe que não sabia de nada!
Para nós, no Brasil, Halloween é a época de se vestir de bruxa, vampiro e zumbi. Aqui, também. Mas não é só isso: o Halloween é o Carnaval deles - tem tudo que é tipo de fantasia. E com distribuição de doces - ou seja, é a junção do carnaval com o Cosme e Damião!!!! Não tem como ficar melhor que isso! :)
Na prática, o que a gente vê, é todo mundo no clima. E isso é muito, muito divertido! Na semana anterior, vi de tudo um pouco, mas os meus dois momentos preferidos foram em carros conversíveis. Um, numa auto-estrada, um sujeito no carro com uma caveira no carona. A caveira usava uma bandana e outros acessórios e estava simplesmente hilário! Mas o melhor de todos, para mim, foi na porta da escola do Davi. Um pai, todo vestido de Darth Vader, com a música de Star Wars nas alturas indo buscar os filhso - aqui, fazem uma fila de carros  na porta da escola e o cara estava ali na fila, no seu bmw sem capota, fantasiado e totalmente curtindo aquilo. Eu ria compulsivamente. Se fosse meu pai, na minha escola, eu surtava, mas os filhos do cara saíram rindo, achando o máximo (sim, cheguei a pensar que o sujeito estava fazendo aquilo para castigar os filhos!) 
Aqui em casa, entramos na onda. Pusemos enfeites na sala, compramos doces para distribuir, fantasias, enfeitamos abóboras e colocamos na porta. No dia 31 de outubro, encontramos com uma amiga da escola do Davi e fomos fazer o 'trick or treat' juntos. Foi muito bacana, as crianças obviamente ficaram loucas ganhando doces e nós passamos por casas super enfeitadas, desde cemitérios completos no jardim da frente a filmes de terror nas janelas do alto das casas. Algo que a gente ouve falar, mas só realiza o que é quando vivencia. E sim, gostamos muito da farra!

(Eu e Felipe ainda tivemos festa de Halloween entre amigos e entramos a madrugada comendo, bebendo, rindo! Mas era entre brasileiros e que nosso povo sabe festejar estamos carecas de saber! :D )

Houston, dear, o Halloween tiramos de letra. Espero ansiosa pelo Thanksgiving! :)


PS: Na foto, que tirei com meu celular, minha mãe e minha filha estão na casa do Chris, nosso vizinho, que arrebentou na decoração: muitos fantasminhas e abóboras e, poucos dias antes do Halloween, esta múmia pendurada numa árvore que deixou as crianças ensandecidas! Rimos muito dela!