Esta semana, num grupo virtual de brasileiros em Houston, alguém perguntou 'qual a palavra que define seu 2015'? A minha, obviamente, foi mudança. A autora do post respondeu 'mudar é bom', ao que eu retruquei que tem coisas muito boas - outras, nem tanto.
Quando um amigo querido se muda, a gente sente saudades, claro. Mas a rotina continua e a vida segue, limitando esta saudade às datas importantes. Quando você quem muda, a saudade é diária. Mas, da mesma forma, piora nas datas importantes. E estou diante de uma data muito, muito, muito importante para minha família, especialmente meu filho. O 31 de dezembro.
Reveillon é reveillon em qualquer lugar do mundo, sem dúvida. Não temos Copacabana, mas já sabemos dos lugares onde terão queimas de fogos por aqui. Eu não ligo tanto assim pro Ano Novo e acho que meus filhos ainda nem entendem muito bem o significado de 'virar o ano'. Não, não é disto que estou falando. Estou falando do que é o 31 de dezembro para nós.
31 de dezembro, nas primeiras horas do dia, há oito anos, ela chegou. A Natália. Filha da minha primã-irmã Dani. Muito esperada, muito desejada, muito amada. Chegou chegando, algumas semanas antes do previsto, pequena, chorona, esfomeada. Um dia para se guardar na memória.
Pouco mais de dois anos depois, em 05 de fevereiro, nasceu o Davi. E alguém lá em cima deve ter feito alguma coisa, porque não é possível! A ligação entre o Davi e a Nati é algo... além. Eles são loucos um pelo outro. Brincam muito, brigam muito pouco, estão sempre juntos. No nível dela levá-lo à escola, quando a professora disse que poderiam levar os irmãos ('eu posso trazer meu primo? Ele é como meu irmão!', foi a pergunta que ela fez, aos 6 anos para a professora, que, fofa, autorizou a ida do Davi ao dia da família!) A Lara brinca junto, claro. Mas eles dois tem, de fato, uma ligação diferente.
E aí, me vejo no dilema do 31 de dezembro. Como que eu vou fazer?
Sim, você deve ter pensado o óbvio: liga e dá os parabéns, faz um Skype! Mas estamos falando de crianças pequenas que estão longe da família e estão perdendo grandes eventos. Eu consegui levá-los para o nascimento de uma sobrinha, a Alice e para o aniversário das primas Carol (esta, paixão da Lara, que volta e meia fala nela!) e Joana (um aninho e estávamos lá, que delícia!). Um mês depois, no nascimento da Helena, minha outra sobrinha, não estávamos lá. Ao verem o vídeo, pediram para ir. Eles não entenderam porque não estavam lá. Foi sofrido abraçar minha filha, de 3 anos, chorando e dizendo 'mas eu quero ir pra lá, eu vou no avião pro Rio de Janeiro ver a Helena sair da barriga da tia Paulinha!' Eles não entendem a distância, o custo, nada. Até hoje, não se conformaram que a Fefê (outra prima-paixão do Davi), que mora em Brasília, não veio para cá. A premissa deles, claro, é o 'se tem que ir de avião para ir para a casa da Fefê e se tem que vir de avião para cá, por que a Fefê não vem para cá?' Para eles, pegar um avião é como pegar um ônibus e ir até a esquina. Até porque, verdade seja dita, meus filhos são excelentes viajantes! Entram no avião, decolam sem reclamar, ligam o Mickey na tela, jantam, dormem e só acordam para tomar o café da manhã. O desconfortável voo de dez horas, para eles, demora dez minutos. Prático, não?
Em algumas horas eu tenho que decidir - se conto para eles, como conto. Se apenas eu ligo, se faço o vídeo dizendo que é para outra pessoa... Dilema de 31 de dezembro. Porque esta é uma data fácil para todo mundo, né? :/
Nati, espero que ano que vem possamos comemorar seu aniversário juntos novamente, como você disse que queria (sim, ela disse que teria que vir para Houston, já que tínhamos nos mudado para cá! <3 ), seja aqui no Texas ou aí no Rio. Feliz aniversário, minha linda. Nós te amamos!
Houston, dear, faz um metrô Cinco Ranch - Saens Peña, sim? 2016 está só começando e são tantos eventos a perder que não quero nem pensar... :/
Para todos vocês, que não tem uma Natália na vida... Feliz ano novo! Muita saúde, paz e tempo para curtir quem vocês amam, sempre! ;)
Foto: do aniversário de 4 anos da Nati. Davi ainda não tinha dois, Lara na barriga. E eles juntos, comemorando. :)



