quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Perdendo grandes eventos...

Esta semana, num grupo virtual de brasileiros em Houston, alguém perguntou 'qual a palavra que define seu 2015'? A minha, obviamente, foi mudança. A autora do post respondeu 'mudar é bom', ao que eu retruquei que tem coisas muito boas - outras, nem tanto. 
Quando um amigo querido se muda, a gente sente saudades, claro. Mas a rotina continua e a vida segue, limitando esta saudade às datas importantes. Quando você quem muda, a saudade é diária. Mas, da mesma forma, piora nas datas importantes. E estou diante de uma data muito, muito, muito importante para minha família, especialmente meu filho. O 31 de dezembro.
Reveillon é reveillon em qualquer lugar do mundo, sem dúvida. Não temos Copacabana, mas já sabemos dos lugares onde terão queimas de fogos por aqui. Eu não ligo tanto assim pro Ano Novo e acho que meus filhos ainda nem entendem muito bem o significado de 'virar o ano'. Não, não é disto que estou falando. Estou falando do que é o 31 de dezembro para nós.
31 de dezembro, nas primeiras horas do dia, há oito anos, ela chegou. A Natália. Filha da minha primã-irmã Dani. Muito esperada, muito desejada, muito amada. Chegou chegando, algumas semanas antes do previsto, pequena, chorona, esfomeada. Um dia para se guardar na memória.
Pouco mais de dois anos depois, em 05 de fevereiro, nasceu o Davi. E alguém lá em cima deve ter feito alguma coisa, porque não é possível! A ligação entre o Davi e a Nati é algo... além. Eles são loucos um pelo outro. Brincam  muito, brigam muito pouco, estão sempre juntos. No nível dela levá-lo à escola, quando a professora disse que poderiam levar os irmãos ('eu posso trazer meu primo? Ele é como meu irmão!', foi a pergunta que ela fez, aos 6 anos para a professora, que, fofa, autorizou a ida do Davi ao dia da família!) A Lara brinca junto, claro. Mas eles dois tem, de fato, uma ligação diferente.
E aí, me vejo  no dilema do 31 de dezembro. Como que eu vou fazer? 
Sim, você deve ter pensado o óbvio: liga e dá os parabéns, faz um Skype! Mas estamos falando de crianças pequenas que estão longe da família e estão perdendo grandes eventos. Eu consegui levá-los para o nascimento de uma sobrinha, a Alice e para o aniversário das primas Carol (esta, paixão da Lara, que volta e meia fala nela!) e Joana (um aninho e estávamos lá, que delícia!). Um mês depois, no nascimento da Helena, minha outra sobrinha, não estávamos lá. Ao verem o vídeo, pediram para ir. Eles não entenderam porque não estavam lá. Foi sofrido abraçar minha filha, de 3 anos, chorando e dizendo 'mas eu quero ir pra lá, eu vou no avião pro Rio de Janeiro ver a Helena sair da barriga da tia Paulinha!' Eles não entendem a distância, o custo, nada. Até hoje, não se conformaram que a Fefê (outra prima-paixão do Davi), que mora em Brasília, não veio para cá. A premissa deles, claro, é o 'se tem que ir de avião para ir para a casa da Fefê e se tem que vir de avião para cá, por que a Fefê não vem para cá?' Para eles, pegar um avião é como pegar um ônibus e ir até a esquina. Até porque, verdade seja dita, meus filhos são excelentes viajantes! Entram no avião, decolam sem reclamar, ligam o Mickey na tela, jantam, dormem e só acordam para tomar o café da manhã. O desconfortável voo de dez horas, para eles, demora dez minutos. Prático, não?
Bom, voltando ao aniversário. Já tem alguns anos que passamos o 31 de dezembro todos juntos, fazemos uma festa mesmo, bolos, bolas e brigadeiros. Todos que passam o reveillon conosco sabem - alguns amigos levam presentes para a Natália e tudo. Este será o primeiro, em muito tempo, que não estaremos juntos. Antes do nascimento da Helena, eu estava pensando em fazer um vídeo para a Nati, compraria uns cupcakes, encheria umas bolas e todos cantaríamos parabéns para ela e tal. Agora, confesso, estou com medo da reação do Davi. Porque eu sei que a Lara vai chorar, mas ele... Se ele começar a chorar, vai ser de partir o coração! 
Em algumas horas eu tenho que decidir - se conto para eles, como conto. Se apenas eu ligo, se faço o vídeo dizendo que é para outra pessoa... Dilema de 31 de dezembro. Porque esta é uma data fácil para todo mundo, né? :/

Nati, espero que ano que vem possamos comemorar seu aniversário juntos novamente, como você disse que queria (sim, ela disse que teria que vir para Houston, já que tínhamos nos mudado para cá! <3 ), seja aqui no Texas ou aí no Rio. Feliz aniversário, minha linda. Nós te amamos!


Houston, dear, faz um metrô Cinco Ranch - Saens Peña, sim? 2016 está só começando e são tantos eventos a perder que não quero nem pensar... :/


Para todos vocês, que não tem uma Natália na vida... Feliz ano novo! Muita saúde, paz e tempo para curtir quem vocês amam, sempre! ;)


Foto: do aniversário de 4 anos da Nati. Davi ainda não tinha dois, Lara na barriga. E eles juntos, comemorando. :)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Então, o Natal!

E pela primeira vez, desde que me entendo por gente, não passei o Natal 'em família'. Claro, estava com minha família, mas longe de pais, irmãos, primos e tios. Natal, para mim, é a melhor de todas as festividades. Primeiro, pelo óbvio: porque comemoramos o nascimento do Menino Jesus. E depois, porque... bom, porque comemoramos o nascimento do Menino Jesus! :) Sim, parece que as pessoas se enchem de amor, o clima muda, todos ficam mais receptivos à ideia de família. É um tempo abençoado que eu gosto demais. Então, passar o primeiro Natal longe seria estranho.
O Natal, aqui, começa praticamente junto ao Thanksgiving. Todo mundo falava que os americanos não ligavam para o Natal e, confesso, me surpreendi. Toda a vizinhança com luzes em suas casas, todas as placas de ruas (aqui, as vizinhanças tem placas de concreto, nomeando a localidade) com guirlandas. Em todo lugar, clima natalino. Foi, sem dúvida, uma grata surpresa. 
Para o Davi, o Natal começou quando dezembro chegou. Na escola dele, fizeram uma atividade com o 'gingerbread man', um biscoito típico daqui. Leram um livro em sala de aula e o 'gingerbread man' saiu pelo mundo, mandando postais dos lugares onde passava. Claro que ele passou no Rio de Janeiro e mandou um postal liiiindo, dizendo para toda a turma que estava na cidade onde o Davi nasceu. :)
Umas duas semanas antes do dia 24/12, uma amiga sugeriu 'e se contratássemos um Papai Noel?' O preço, salgado, não era nada convidativo. Mas ela usou os melhores argumentos 'é o nosso primeiro Natal longe do Brasil, vamos lá!' e assim foi que concordamos que doeria no bolso, mas seria lindo termos o Bom Velhinho conosco no nosso natal texano.
E então, o Natal. No dia 24, pela manhã. fizemos... gingerbread man! De tanto que lemos o livro (a professora do Davi deu um para ele), de tanto que vimos por todo canto, as crianças estavam doidas naquele boneco de biscoito. E eu queria fazer algo tradicional daqui com eles, criar uma memória afetiva. A Beatriz tinha dormido aqui, então, fiz a massa com os 3: Davi, Lara e Bibi. Foi uma farra! Eles confeitaram, colocando os olhos, botões... Eu tinha comprado um prato que dizia 'cookies for Santa' (biscoitos para o Papai Noel) e os 3 disseram que deveríamos por os biscoitos em cima da lareira, para o Papai Noel ver assim que descesse a chaminé. Colocamos (os que sobraram, o tal do biscoito era gostoso mesmo! Todos comemos!) bem ao lado do presépio.
Dia 24, chegaram os amigos para a ceia. Pouco antes das 9, o Bom Velhinho chega. Não foi difícil pedir que as crianças ficassem no andar de cima (onde ficam todos os brinquedos!). E, numa providencial e engraçada coincidência, estávamos com o peru no forno e a calda derramou, fazendo fumaça na sala toda. Convidamos Papai e Mamãe Noel para entrarem e eles se sentaram no sofá, esperando as crianças descerem. 
Fiz um barulho com um saco de carvão. Nosso vizinho, Chris, da escada chamou as crianças, 'venham ver quem está aqui!' Alguém chamou em português também, para garantir. Desceram em uma só tacada. O primeiro, acho, foi o Davi, que olhou e ficou ressabiado. Perguntou pela fumaça e dissemos que tinha sido o Papai Noel descendo pela chaminé - que estava suja e levantou poeira. As meninas foram mais destemidas - Lara e Beatriz já chegaram  rindo e querendo abraçar o Papai Noel, seguidas pela Catarina - que demorou mais um pouquinho para se soltar. Em pouco tempo, ele já estava distribuindo presentes e ganhando abraços de todas as crianças. 
No meio da farra, Lara se lembrou dos biscoitos, fez questão de servir. Mamãe Noel pegou um biscoito inteiro; Papai Noel, só um pedaço - Lara notou e reclamou, o que é a cara dela fazer! O casal ficou conosco por cerca de uma hora e foi realmente mágico. Depois que eles saíram, fizemos nossa ceia, enquanto as crianças se divertiam com os muitos presentes que ganharam. A ceia, claro, com muita coisa brasileira: salpicão, farofa, guaraná antártica... Porque a gente quer fazer parte das tradições daqui, mas sem perder as nossas. :)
Dia 25 foi dia de preguiça e saudades. Deu pena estar longe do Rio, da família. Mas as crianças estavam tão ocupadas querendo andar de bicicleta e patinete que não deu tempo para ficar triste. E no dia 26, já estávamos em família novamente, comemorando com nossos amigos Bob e Jade, que moram uma hora distante de nós. 


E assim foi o nosso primeiríssimo Natal texano. Sei que outros virão. mas este ficará guardado com carinho na memória. O Natal dos enfeites do Peanuts (eu contei que o presépio era do Charlie Brown e amigos? ;) ), do filme 'Rudolph', dos biscoitos do gingerbread man. O Natal em que Papai e Mamãe Noel vieram nos visitar. :)

Houston, dear, foi incrível! Obrigada pelo clima festivo em todos os lugares, pelas tuas luzes e guirlandas, pelas renas e gingerbread mans espelhados pela cidade. Vimos beleza e alegria por todo canto e ficamos felizes em fazer parte disso! <3


Foto, foto: na primeira, eu e Lara cortando gingerbread mans na cozinha. Na segunda: Hohoho, eis Sr. e Sra. Noel - ou Mr. and Mrs. Claus, como são conhecidos por aqui... :)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Comemorando em casa, longe de casa!

Quem me conhece, sabe - adoro uma festa! Por isso, nada mais natural do que curtir comemorar o meu dia. Sim, adoro celebrar a passagem dos anos e o faço com alegria - e a casa cheia de gente! - sempre. Ano passado, meu aniversario não foi legal. Minha avó tinha falecido 3 meses antes, o que por si só já quebrou o clima. E eu estava de bode. Eu via minha casa cheia de amigos e pensava no quanto, neste ano, não teria nada disso. 
A tristeza, senhorinha ingrata e espaçosa, se deixarmos, toma conta de tudo. Por isso, procuro restringir seu tamanho em minha vida, tentando buscar o lado positivo das coisas. Como eu vinha para o Texas tendo uma amiga aqui, pensei comigo - 'ok, serão apenas dois casais e quatro crianças. Vou fazer um jantar bem bacana e comemoraremos assim!' Pronto, estava traçado meu plano para comemorar meus 39 anos, antes mesmo de eu me mudar para as vizinhanças de Houston. E então, eu vim. E fiz 39 anos aqui, em casa, longe de casa! Longe dos meus pais e irmãos, primos, compadres, muitos amigos. Mas foi bem diferente do que eu tinha previso. 
Desde que cheguei ao Texas, conheci muita gente bacana. Bem antes do meu aniversário eu já sabia que não seria um jantar para dois casais. Pouco antes do dia, eu já estava chateada porque não daria para convidar todas as pessoas que gosto! :) Ter meus 'amigos texanos' por perto era a certeza de um dia feliz. Mas... 'Deus me ama', para mim, não é ditado. É fato, fataço, verdade verdadeira! :D
Minha amiga de toda vida, minha madrinha de casamento, minha parceira, confidente e todos os eteceteras, Clá, veio passar meu aniversário comigo. Ela se programou para vir e foi simplesmente incrível, duas semanas de bate papo, risadas e vinho. Eu estava super mega feliz por ela estar aqui. E então, no quatro de dezembro... 
Arrumamos a casa toda (linda, linda, linda! Muito mais bacana fazer festa no frio!!!), para receber os amigos. Pessoas que, em pouco tempo, se tornaram nossa família texana. As amigas que falo todo dia, as que não falo sempre - mas que são as que me dão força, que me dão dicas, que me dão a sensação de 'estar em casa'. Eu estava feliz em saber que comemoraria meu dia com minhas novas amigas e duas velhas amigas - a Clá e a Jade, a amiga com a qual eu achava que teria o jantar de aniversário. Como nem sempre as coisas saem como pensamos... Jade e Bob  não puderam vir. Ainda assim, pensei - tudo bem, tenho uma velha amiga e novas amigas (a Paty era a 'mais velha' entre as novas, mas ainda assim, nossa amizade aconteceu de verdade aqui) para brindar meu dia. E então me disseram 'olha, tem uma surpresa a caminho!'
Todos curtindo queijos & vinhos quando a campainha toca, com a minha surpresa - e que surpresa! Meus queridos amigos, Renata e Marcius, que vieram brindar meu dia também. E como eu mereço muitos presentes mesmo... a primeira coisa que vi foi a Re, de lado, com uma barriguinha redonda e linda, característica. Isso mesmo, Lorenzo no forninho e nos meus 39 anos, ganhei uma Alice em 2015 e vou ganhar um sobrinho italianinho em 2016. (Tristeza, desculpa, eu tento te dar espaço, mas a alegria não deixa!)  :)
Depois do meu aniversário, percebo que fiz bem por não sofrer antecipadamente - teria sido em vão! Meu dia foi ótimo, cercado de pessoas queridas. Fiquei bem mais animada para o Natal e o Ano Novo, que também passaremos no Texas. E, aos poucos, cada vez mais a sensação de 'longe de casa' cede espaço a um sentimento de 'nova casa'. Devagarzinho, eu chego lá! :)

Houston, dear, obrigada por tantas pessoas lindas em meu caminho. Especialmente aos amigos que vieram comemorar meu aniversário comigo: Clá, Re & Lorenzo e Marcius, que representaram (muito bem!) todos os amigos cariocas, Paty e Wagner, Gle, Felipe & cia, Re e François, Lara e Rogério - obrigada por terem feito meu dia tão feliz! :)

Obrigada, também, a todos os amigos que mandaram mensagens e ligaram no meu dia, me fazendo sentir um pouquinho mais perto do Rio. E aos meus filhos (os 4!) e meu marido, por fazerem com que qualquer canto seja 'casa', desde que estejamos juntos.

Agora é pensar num lugar maior, porque ano que vem os quarenta pedirão festão!!!! :D


Fotos, fotos, fotos!!! A primeira, meu aniversário de 17 anos. Clá é a mocinha de vestido branco ao meu lado. A segunda: não tiramos foto de todo mundo junto, falha nossa! Então, para mostrar um pouquinho das pessoas, eis a Bibi e sua família que amamos muito! A terceira, Lara está com a tia Re, fazendo carinho no Lorenzo. É muito amor numa foto só! :)