segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

E você, pode morar fora?

Tomar a decisão de arrumar as malas e mudar de país não é fácil. Algumas pessoas (como foi nosso caso), tem um bom respaldo, com emprego garantido. Outros, vão na cara e na coragem. Mas, de uma forma ou de outra, o `sair do Brasil`, por incrível que pareça, é por vezes a parte fácil. Por mais doloroso que seja dar adeus a família e amigos, é uma dor tipo `band-aid arrancado rapidamente.` O que te espera depois é que é pauleira. E nem todo mundo aguenta este tranco.
Nestes seis meses no Texas, tenho conhecido diferentes pessoas. Conheci pessoas que moram aqui há décadas e outras que se mudaram depois de mim. Pessoas que moram há menos de um ano e não pensam em voltar e outras que moram há dez e só pensam em voltar. Saudades, todo mundo tem. Mas por que alguns parecem adaptar-se rapidamente à vida expatriada enquanto outros parecem sofrer indefinidamente? E você ? Acha que poderia morar fora? 
Hoje, levei meus filhos a uma lanchonete com parquinho. Em poucos segundos, meu filho começou a brincar com um menino que já estava lá. Correram juntos. Brincaram com carrinhos juntos. Desceram o escorrega juntos. Empurraram-se mutuamente, rindo, dizendo que estavam lutando. E aí a mãe do menino o chamou para ir embora. O menino foi até meu filho e disse `eu preciso ir. Até logo, meu amigo!` Davi, meu filho, foi até ele. Eles se abraçaram, enquanto meu filho dizia `até logo, meu amigo!` - ou, para ser exata, `see you, my friend!`:) Eu vi aquela cena e meu deu um estalo. O porquê de algumas pessoas adaptarem-se tão rapidamente a viver fora é simples: elas continuam usando algumas das regras de ouro do universo infantil. E se você está pensando em viver fora, saber agir como uma criança pode ser a diferença entre `the time of your life` para `socorro, o que estou fazendo aqui?` E estas regras são bem simples...

1- Saiba fazer amigos.
Conforme o tempo passa, ficamos mais seletivos e isso vai dificultando o processo de espontaneamente fazermos amigos. Acabamos presos aos amigos de escola, faculdade, trabalho. Mas a verdade é que podemos fazer novos amigos o tempo todo, estando ou não fora do nosso país de origem. A receita é bem simples: analise - do que EU gosto? Sim, do que eu gosto? Fotografia, culinária, pintura...? Se eu pudesse escolher uma atividade que me dê prazer, qual seria? Pense no que te faz feliz. E trate de fazer amigos assim! Faça um curso, workshop, etc, daquilo. Você vai conhecer várias novas pessoas que já tem, de cara, uma coisa em comum com você. E daí você vai vendo os que tem mais coisas em comum, os que `o santo bate`e vai trazendo para sua vida. A chance de dar certo é enorme, pode acreditar.

2- Seja generoso.
As comparações são inevitáveis. `Minha antiga casa era assim, esta é assado.` Nenhum lugar é igual ao outro. Você pode morar numa cidade linda (eu morava!) e achar que sua nova cidade é completamente `bege`(eu achei!), mas a verdade é que podemos ver beleza nos detalhes. Podemos juntar milhões de minúsculas coisinhas para formar um grande amor. Por um lugar,inclusive. Então, mantenha seu olhar generoso.

3- Seja egoísta.
Sim, crianças dividem tudo. Mas brigam pelo brinquedo favorito, certo? Saiba, da mesma forma, ser egoísta. Reconheça dias difíceis, ligue para um velho amigo e desabafe, tire um momento só para você. Saiba que ter saudades é normal e que você tem o direito de ficar triste. Mas não se consuma com isso - que tal comer algo bem gostoso, algo que sua avó fazia?  Sinta aquele sabor e lembre-se de um dia feliz. E deixe-se dominar pela alegria desta lembrança.

4- Seja grato.
Crianças são gratas pelas miudezas da vida. Acham graça nos detalhes que passam desapercebidos aos olhos adultos. E isso, infelizmente, é algo que o tempo destrói. Afinal, quem tem tempo de ver que um passarinho fez ninho na árvore do quintal quando a conta de luz veio o dobro do esperado? Quem consegue achar graça numa formiguinha carregando uma folha enorme quando o filho está doente? Esta é a grande tristeza da vida adulta. Aos poucos, deixamos de ser gratos por toda a beleza e grandiosidade que nos cerca. E sempre há beleza e grandiosidade, acreditem! Um dia de sol é um motivo para sorrir. Um dia de chuva é um motivo para sorrir. Porque cada um traz sua cor, seu cheiro, sua graça. Então, o mais importante, seja você expatriado ou não (mas certamente indispensável caso seja ou pense em vir a ser!) é saber ser grato por todas as pequenas sutilezas que nos cercam. Saber agradecer pelas imperceptíveis bençãos diárias é um exercício difícil. E necessário. ;)


Houston, dear, obrigada por me dar mais motivos para ser generosa do que egoísta nas tuas cidades beges, limpas, organizadas. E cheias de gente linda com mil histórias interessantes para contar! :)



Foto: esta imagem apareceu quando gogglei `vida expatriada`. É de um texto bem bacana de um blog que curto bastante. O texto na íntegra e a imagem estão aqui: http://tudosobreminhamae.com/maes-fora-do-brasil/2015/5/5/expatriada-uma-mulher-de-fases

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

SEIS MESES!!!!

É impressionante; louco até. Hoje completamos seis meses no Texas. SEIS MESES!!! Metade de um ano que equivaleu a metade de uma vida. Tanta mudança, tanta coisa nova que vimos, tanta gente nova que conhecemos. Uma jornada completa. E ainda tem muita coisa por vir! :)
Agora, seis meses depois, o que mais ouço/ tenho que responder é: `já está adaptada, está gostando de morar aqui?`Normalmente vem assim, duas perguntas numa só. O que é confuso porque são duas situações distintas. Acostumar-se a morar em um lugar é uma coisa. Gostar de morar em um lugar é uma outra coisa. E de tanto (tentar) responder a esta pergunta, me vi pensando e repensando nisso. Me acostumei a morar no Texas? Eu gosto de morar aqui?
Acostumar-se a morar aqui é bem fácil, especialmente para quem : 1- tem um conhecimento médio da língua inglesa; 2- sabe dirigir. Por sorte, eu me encaixo nas duas categorias - tenho um inglês bastante razoável e sou boa motorista. A ausência `de casa`sempre vai existir, mas hoje, seis meses depois, estou acostumada às vizinhanças de Houston. Acostumada no sentido literal da palavra, de quem conhece as maneiras, os hábitos de algo. Sim, já me viro bem por aqui. E quanto a gostar daqui? Gostar. Gostar são outros quinhentos. Eu demorei muito até consegui achar a maneira exata de  expressar como me sinto morando aqui, mas achei. E tem a ver com sorvete. 
Imagina um dia de verão, quente, e você tem diante de si uma casquinha de baunilha do Mc Donald`s. É simplesmente irresistível! Refrescante, saborosa, leve. Te deixa um gostinho doce na boca, sem te deixar pesado. Não conheço uma pessoa que diga `eu odeio a casquinha do Mc!`Pois é. Todo mundo gosta. Mas... é o sorvete PREFERIDO de alguém?
O meu sorvete preferido, desde a infância, é o mesmo. Banana split de chocolate (sim, com as 3 bolas com sorvete de chocolate!). Eu não consigo imaginar uma maneira melhor de tomar sorvete do que 3 bolas de chocolate, banana, chantilly, calda de chocolate e morango, castanhas e cereja. De verdade, acho que não dá para ficar melhor do que isso! Ou seja, é o meu sorvete preferido, há mais de 30 anos. Provavelmente será para sempre.
O Rio de Janeiro, com TODOS seus defeitos, é minha banana split de chocolate. Sempre será. Mas, e daí? Eu posso continuar preferindo minha banana split e ainda assim tomar uma casquinha de baunilha, certo? Pois é assim que eu me sinto. É difícil não gostar daqui, que é limpo, seguro, organizado. E mesmo sem ser o `lugar dos sonhos`/ o melhor sorvete de ninguém (filme sobre Houston, só falando da Nasa. Vai ver o que falam de Paris!), todo mundo se acostuma e, eventualmente, gosta - porque não há motivos para não gostar. E então, por enquanto, sigo tomando minha casquinha de baunilha. Feliz. 


Houston, nestes seis meses, eu quero agradecer às pessoas que tem `dividido a casquinha` comigo, minhas amigas Glenia, Jade, Lara, Patricia, Renata, Yasmin, Micaelli, todas as mães da OKE: mil obrigadas pelo carinho, apoio e amizade! Quero agradecer ainda ao Cara lá de cima que me ama pacas e facilita minha vida um monte. Então... Muito obrigada por ter transferido a Adriana e o Rafael para cá. Acho que agora já posso contar esta novidade: este casal de amigos, nossos padrinhos de casamento, se mudaram para cá esta semana. Minha família texana continua crescendo! :D