A minha intenção, ao começar o blog, era compartilhar nossa vida com os amigos que deixamos no Brasil, já que seria inviável mandar emails/cartas para todos com a frequencia que gostaria. Tento ser o mais honesta possível ao escrever, contando como tem sido nossa vida na Gringoland. Tem sido mais fácil e prazerosa do que eu imaginava, o que se reflete no que escrevo. Talvez por isso, venho recebendo com frequencia mensagens de amigos que pensam em se mudar, questionando como é a vida expatriada, as dificuldades e tal. Pensei muito se escreveria sobre isso. Achei que seria desonesto não escrever. Porque a vida não é feita só de momentos felizes. E quando você está fora e o momento é triste... Bicho, é triste para cacete!
Quando o Felipe recebeu o convite para virmos, no final de 2013, gelei! Eu só pensava na minha avó, com 90 e muitos e enfraquecendo dia a dia. Já comentei num post anterior que, graças à demora na transferência, eu tive a oportunidade (obrigada, meu Deus, para sempre obrigada!) de estar ao lado da minha avó, segurando sua mão e chamando por nossa Santa Mãe, Maria, até o momento em que ela dormiu para mão mais acordar neste mundo. Quando viemos, deixamos para trás toda nossa família e amigos e, claro, estávamos sujeitos a "perder"qualquer um deles. Só que eu não pensava sobre isso. Não dá: se você pensar nos pormenores de uma mudança deste tamanho, ou surta ou desiste! Enfim, com a certeza de que todos ficariam muito bem, obrigada, viemos.
Uma das minhas primas já estava no meio de uma luta quando enfim nos mudamos. Antes de vir, eu a disse que se precisando de algo, contasse comigo. Ela disse que se tivesse algo, pediria. Alguns meses depois de estar aqui, ela me pediu uns complexos vitamínicos. Comprei e mandei pela primeira pessoa que estava indo para o Brasil. Quando a visita seguinte estava vindo, escrevi: "está precisando de reposição? Posso mandar mais!" Ela disse que o médico estava mexendo na medicação, que não precisava e tal. Disse que se algo mudasse, me avisaria.
No começo de março, outra prima me ligou. "Ela piorou muito. Estou ligando para você estar preparada." Como a gente se prepara para despedir-se de alguém, estando longe? No meio do Spring Break, depois de um dia em que brincamos muito em San Antonio, toca o telefone com a notícia. Minha prima, depois de uma longa batalha, em que desafiou o tempo inicial dado pelos médicos, em que manteve-se positiva e sorridente, em que deixou a todos orgulhosos de sua garra, enfim, perdeu a guerra contra o câncer.
Independente do quão bom seja morar fora, numa hora destas, estar longe, é devastador! O não poder despedir-se. Os abraços que não dei naqueles que ficaram. O chorar sozinha: tudo isso é muito, muito, muito doloroso.
À minha prima Cristiane, com quem eu tinha laços mais fortes do que os de sangue (família de sangue não se escolhe, a de afeto, sim! E ela e eu fomos criadas como primas, com famílias unidas por laços de amizade e carinho que já estão na terceira geração), eu deixo o meu muito obrigada por tantas memórias lindas e pelo sorriso mais sincero que alguém pode dar e guardarei comigo para sempre!
A todos aqueles que pensam em se mudar, saibam disso: na hora em que é bom, é bom. Mas na hora em que fica ruim, fica absurdamente ruim!
Houston, dear, obrigada por teu hospital e centros de pesquisa. Que daqui saia, um dia, a cura para esta doença infeliz.


