quinta-feira, 31 de março de 2016

A vida não é feita só de momentos felizes...

A minha intenção, ao começar o blog, era compartilhar nossa vida com os amigos que deixamos no Brasil, já que seria inviável mandar emails/cartas para todos com a frequencia que gostaria. Tento ser o mais honesta possível ao escrever, contando como tem sido nossa vida na Gringoland. Tem sido mais fácil e prazerosa do que eu imaginava, o que se reflete no que escrevo. Talvez por isso, venho recebendo com frequencia mensagens de amigos que pensam em se mudar, questionando como é a vida expatriada, as dificuldades e tal. Pensei muito se escreveria sobre isso. Achei que seria desonesto não escrever. Porque a vida não é feita só de momentos felizes. E quando você está fora e o momento é triste... Bicho, é triste para cacete!
Quando o Felipe recebeu o convite para virmos, no final de 2013, gelei! Eu só pensava na minha avó, com 90 e muitos e enfraquecendo dia a dia. Já comentei num post anterior que, graças à demora na transferência, eu tive a oportunidade (obrigada, meu Deus, para sempre obrigada!) de estar ao lado da minha avó, segurando sua mão e chamando por nossa Santa Mãe, Maria, até o momento em que ela dormiu para mão mais acordar neste mundo. Quando viemos, deixamos para trás toda nossa família e amigos e, claro, estávamos sujeitos a "perder"qualquer um deles. Só que eu não pensava sobre isso. Não dá: se você pensar nos pormenores de uma mudança deste tamanho, ou surta ou desiste! Enfim, com a certeza de que todos ficariam muito bem, obrigada, viemos.
Uma das minhas primas já estava no meio de uma luta quando enfim nos mudamos. Antes de vir, eu a disse que se precisando de algo, contasse comigo. Ela disse que se tivesse algo, pediria. Alguns meses depois de estar aqui, ela me pediu uns complexos vitamínicos. Comprei e mandei pela primeira pessoa que estava indo para o Brasil. Quando a visita seguinte estava vindo, escrevi: "está precisando de reposição? Posso mandar mais!" Ela disse que o médico estava mexendo na medicação, que não precisava e tal. Disse que se algo mudasse, me avisaria. 
No começo de março, outra prima me ligou. "Ela piorou muito. Estou ligando para você estar preparada." Como a gente se prepara para despedir-se de alguém, estando longe? No meio do Spring Break, depois de um dia em que brincamos muito em San Antonio, toca o telefone com a notícia. Minha prima, depois de uma longa batalha, em que desafiou o tempo inicial dado pelos médicos, em que manteve-se positiva e sorridente, em que deixou a todos orgulhosos de sua garra, enfim, perdeu a guerra contra o câncer. 
Independente do quão bom seja morar fora, numa hora destas, estar longe, é devastador! O não poder despedir-se. Os abraços que não dei naqueles que ficaram. O chorar sozinha: tudo isso é muito, muito, muito doloroso. 

À minha prima Cristiane, com quem eu tinha laços mais fortes do que os de sangue (família de sangue não se escolhe, a de afeto, sim! E ela e eu fomos criadas como primas, com famílias unidas por laços de amizade e carinho que já estão na terceira geração), eu deixo o meu muito obrigada por tantas memórias lindas e pelo sorriso mais sincero que alguém pode dar e guardarei comigo para sempre!

A todos aqueles que pensam em se mudar, saibam disso: na hora em que é bom, é bom. Mas na hora em que fica ruim, fica absurdamente ruim!


Houston, dear, obrigada por teu hospital e centros de pesquisa. Que daqui saia, um dia, a cura para esta doença infeliz. 

quarta-feira, 30 de março de 2016

Spring break!


Em março, as escolas param uma semaninha por aqui. Não, não é o carnaval - é o Spring break. O recesso da primavera é rápido, mas dura o suficiente para que os estudantes descansem/farreiem um pouco. No nosso caso, resolvemos aproveitar a semaninha de férias para dar uma volta, viajando com amigos. No Rio de Janeiro, quando se tem uns dias de folga, vamos para a "Região dos Lagos". Aqui, decobrimos um lugar bem pertinho que virou nosso xodó. Fomos em outubro e voltamos no recesso à nossa nova "Búzios"(quem não tem cão...).
San Antonio fica a cerca de duas horas e meia da nossa cidade. Lá, vemos um tanto da história texana de pertinho, ao entrar nas missões e descobrir como se deu a guerra entre México e os Estados Unidos sobre a quem pertencia o estado. Mas não é só isso: a cidade é boemia, com muitos lugares bacanas para descobrir. Desta vez, antes mesmo de chegar à cidade, paramos no caminho para explorar umas cavernas naturais. Espetacular! Me senti em Minas Gerais, em tantas grutas que já fui por lá... Claro que, sendo nos EUA, além de ter uma super estrutura (guia pelos corredores, corrimão, avisos sobre o perigo de escorregar), tinha restaurante, parquinho e gift shop do lado de fora. Ignoramos o exterior e nos deliciamos com aquela água caindo do teto, as formações rochosas, a escuridão, o cheiro. Um passeio inequecível. Já em San Antonio, revimos as missões, passeamos por feirinhas e aproveitamos o Riverwalk. O Riverwalk é um rio que fica embaixo da cidade, com calçadas largas cheias de restaurantes e lojas. Pegamos um barquinho que desce o rio e vamos passando por vários pontos da cidade, vendo tudo de baixo para cima. Já conhecíamos, mas sempre vale a pena voltar.
Saindo de San Antonio, dirigimos cerca de quarenta minutos para passar o domingo em uma cidadezinha alemã, Gruene. Ficamos curtindo um show de música (country, claro!) num lugarzinho bacana - uma adega, em que compramos o vinho e ficamos no lado de fora, na grama, curtindo a música e a bebida. Neste dia. São Pedro nos presenteou com um dia de sol e brisa fresca, então, foi perfeito para aproveitarmos nosso programa. 
De volta, passamos mais um dia curtindo as atrações de San Antonio e seguimos para outra cidadezinha alemã, Fredericksburg. Tivemos a má ideia de contar para as crianças que era "a cidade do Frederico". Quando souberam que o primo não estaria lá, ficaram decepcionados. :/ (aprendam, pais! Eles sentem falta da família o tempo todo - é preciso cuidado com o que se diz!). Mas, enfim, chegamos e todos adoramos o clima "cidade minúscula do interior do Texas". Charmosa e mínima, a cidade tem suas atrações: vinícolas e cervejarias (não foi por acaso que a Glenia escolheu irmos para lá! Hahahaha). Então estávamos, no dia de São Patrício (nos EUA comemora-se o San Patrick's day. Normalmente, bebendo-se como os irlandeses), conhecendo uma vinícola bem gostosinha, fazendo degustação de vinhos. Emendamos numa degustação de cerveja e... viva San Patrick! Bebemos à sua honra, camarada! :)
Depois de dias de muita andança, muitos lugares, sabores e cheiros novos, voltamos para casa. Já programando a próxima vez em que poremos o pé na estrada!


Houston, dear, obrigada pelas estradas tão bem asfaltadas, que ainda teremos o prazer de desvendar do começo ao fim! Obrigada pelo teu povo curioso e amigável, que numa cidadela em que todos parecem alemãs, receberam com sorrisos e perguntas a turma brazuca barulhenta!

Aos nossos queridos amigos, Glenia, Fellipe, Bibi e João, obrigada pela companhia no primeiro de muitos Spring Breaks! Aos nossos amigos Micaelli, Andrea, Pedro e João, obrigada por nos apresentarem à Gruene! À minha sogra, Célia, mais uma vez: obrigada por ter topado entrar nessa conosco! Sua presença deixou nossa semana mais especial. 


Fotos, fotos, fotos: Felipe, eu, Davi e Lara fazendo graça do lado de fora de um pub no Riverwalk. Na segunda, Missión San José: esta capela passa uma energia boa demais! Adoro estar ali!

terça-feira, 29 de março de 2016

Aniversário infantil nos USA!!!


 Antes de nos mudarmos para os Estados Unidos, li num blog de maternidade uma mãe contando que as festas aqui duravam uma hora e meia e não serviam sequer um copo d'água aos pais. Eu me apavorei - por cerca de um minuto. No intante seguinte, eu já estava pensando que quando chegasse a vez dos meus filhos, faria tudo do meu jeito. À brasileira. 
Eu já era moradora da Gringoland há mais de seis meses quando chegou o aniversário do Davi. No intervalo entre nossa mudança e o dia dele, tínhamos tido chance de ir a muitos aniversários infantis por aqui. Alguns, de brasileiros, com jeito de festa-festa: fartura de comida, decoração caprichada, papo descontraído entre os adultos, muitas brincadeiras entre as crianças. E outros, de americanos, com jeito de... festa americana. 
Não digo isso num tom pejorativo. Mas, sim, as festas infantis americanas não são similares às nossas. Ainda não tivemos a experiência do 'nem servirem um copo d'água', mas a maioria das festinhas consiste em deixar as crianças brincando por x tempo (nas 'casas de festas', cerca de uma hora e vinte minutos), depois sentá-las à mesa, servir pizza e suco e depois cantar os parabéns. Tudo acaba em cerca de duas horas. A decoração é bem simples, normalmente apenas um bolo decorado e uma dúzia de balões. E sacolinhas de brindes, cheias daquelas bugingangas que as crianças adoram. Depois de quase sete meses vendo estas festas, confesso, a praticidade com que elas são produzidas começou a crescer dentro de mim...
Então, chegamos a fevereiro e eu queria comemorar meu filhote. E a dúvida, sobre o que fazer? Então, como boa festeira, decidi não escolher: fizemos uma festa no dia dele, à brasileira e outra no dia seguinte, à americana. Na sexta teve bolo e guaraná, brigadeiro, cachorro- quente... No sábado, pizza, chips e bolo. No mês seguinte, eu já sabia que faria a mesma coisa para comemorar os quatro anos da caçulinha. Então foi o `bolo do Arrrrlo`, como ela queria, na casa de festas, e uma festa de coelhinho no Sábado de Aleluia. Dividimos os amigos, também: os da escola ficaram para a 'casa de festas', e aqui em casa priorizamos os amigos sem filhos - exceto dois casais muito amigos com crianças. 
Foi engraçado, de início, notar que num país onde se tem tudo para festa, as pessoas festejem tão pouco. Mas isso acabou sendo a salvação da minha lavoura: no aniversário da Lara, eu tive que fazer tudo sozinha: bolo, brigadeiros, decoração, comidas para o churrasco. E deu tudo certo! Depois, com calma, eu conto um pouquinho mais sobre isso...

Houston, dear, obrigada por nos dar, todos os dias, motivos para comemorar estarmos aqui. 

Rio de Janeiro, seu lindo, desta vez não pudemos estar aí... A saudade da terra e das gentes foi grande, mas sabemos que sempre teremos ocasiões de celebrar nossa velha cidade! :)


Fotos, fotos, fotos: a primeira, na nossa casa, no dia do aniversário do Davi! Minha irmã estava aqui para comemorar conosco, o que foi o máximo! Ele teve, em casa, uma festinha do Peanuts - ele escolheu o tema assim que viu o filme. Na casa de festas, foi do Hot Wheels.
A segunda é do dia do aniversário da Lara, com a festa do 'The good dinosaur', como ela quis. Ela chorou litros vendo o filme, mas cismou com o Arrrrlo (ela já fala com sotaque gringo!) e então teve o tal bolo com o dinossauro. A vovó Célia estava aqui para celebrar o dia dela, o que também foi o máximo!
A terceira é do bolinho que fizemos para comemorar o aniversário da Lara na Páscoa. Eu usei um livro mega fofinho como inspiração para a decoração, arregacei as mangas, acendi uma vela para Santa Martha Stewart e mandei bala. Ficou fofíssimo!