terça-feira, 8 de agosto de 2017

Um grande susto

Quem me conhece, bem sabe. Me perguntam : 'quantos filhos você tem?' e respondo: '4. Dois de 2 pernas e 2 de quatro patas.' Sim, Capitu e Valentina são parte importante da nossa família e, como já contei antes, vieram conosco para o Texas. E então.
Eu já tinha ouvido falar que o sistema de saúde americano é caríssimo e tal. Antes da mudança, fiz um check up nas crianças e deixei um rim na farmácia: trouxe TODOS os remédios infantis, possíveis e imagináveis, antevendo todos os tilts que os pequenos poderiam ter. Davi, como eu, é extremamente alérgico e a rinite piora do lado de cá. Só. De resto, nada.
Mas alegria de pobre dura pouco, né? Capi e Tina resolveram ir à forra. Já gastamos, com a saúde delas, pelo menos dez vezes mais do que com as crianças. E o maior susto - e gasto - foi pouco antes de completar nosso segundo aniversário aqui.
Num sábado, Capi acordou estranha, sem energia. De sábado para domingo, vomitou muito. Reparamos que a barriga estava inchada. Segunda de manhã cedinho, marido a colocou no carro e saiu em busca de clínica veterinária. E foi neste dia que nos demos conta que agora moramos na roça!
Primeira clínica, segunda, terceira. Todas as daqui de perto e a resposta era 'o/a médico/a passa primeiro nas fazendas para ver os bichos, depois que vem pra clínica...' {Toma na cara, pobreza! Se fosse a rainha do gado o/a médico/a estaria lá com o nascer das galinhas! } Pelo telefone, ele conseguiu marcar numa clínica às 10:45 da manhã e lá fui eu com minha primogênita. A médica deu uma olhada, raio x, diagnosticou o que prevíamos: piometra. Operação na hora, nem um segundo a esperar - como imaginávamos que pudesse ser, desde a véspera ela estava sem comida e no dia não a deixamos beber água, só chupar um pouco de gelo. Já estava preparada para entrar na faca.
Quem ama cachorro como filho sabe o quanto dói o sofrimento deles. A médica a levou direto pro centro cirúrgico e não pudemos nem nos despedir. O Felipe já tinha ido lá nos encontrar, levando a Lara, que disse para a médica 'mas eu não vou poder dar tchau para minha cachorra?' {coração apertadinho nesta hora, choro sufocado para não assustar a criança!}. Fomos direto almoçar - eu fui sozinha no carro, chorando, chorando, chorando. Muito ruim a sensação de impotência que é ter filho doente. Quando é filho-bicho, que não fala, em país estranho, de outros costumes, o sentimento aflora mais forte. 
Depois das duas horas e meia mais compridas da vida, o telefone toca 'correu tudo bem e ela já está no pós operatório. Se passar a noite bem, amanhã volta para casa!'. A noite foi looooonga {todo amor do mundo pela querida amiga Patricia Nuñez que me consolou desde domingo até minha pretinha voltar para casa!}. Controlei-me para não ligar às seis da manhã. Às oito e quinze, liguei 'e aí, posso ir?' Pediram para esperar até depois das onze e meia. Onze e trinta e um entrei na clínica com a Lara, sorridente, perguntando 'e cadê a minha irmã?'. Veio uma Capitu visivelmente ainda dolorida, barriga raspada, nos encontrar. Na semana seguinte, medicação para dor e antiinflamatórios. Em duas semanas, ela estava de volta ao normal.
Foi um grande susto, apenas. A conta, como era de se esperar, custou de fato o preço de um órgão. Mas ela continua aqui, conosco, feliz e saudável. E isso não tem preço. <3

Eu decorei os hospitais infantis mais perto de casa assim que me mudei. Nunca precisei. Veterinárias, por sua vez, já conheci várias. A gente sempre quer prever o futuro, mas nunca conseguimos. Por isso melhor sempre aproveitar bem o dia de hoje, o tempo que temos com as pessoas que amamos. Vou lá agora aproveitar meu quartetinho, que está tocando o terror na sala de estar! ;)

Houston, dear, obrigada por clínicas infantis e veterinárias em quase todas as esquinas. Mesmo que custem meus rins.

Big beijo para todos!





sábado, 5 de agosto de 2017

Dois anos de Texas!

E então, no dia 07 de julho completamos 2 anos de vida texana. Neste dia, desembarquei com as crianças no... Rio de Janeiro! :) Aproveitamos as férias para rever família e amigos - sempre incrível poder recarregar as energias ao lado das pessoas que amamos. E várias pessoas me perguntaram por que parei de escrever.
Quando soubemos que viríamos para o Texas, família ficou em polvorosa. Normal, seria tudo novo e não sabíamos o que nos esperava pela frente. Eu, por minha vez, estava bastante ansiosa e escrever era uma forma de descarregar um pouco, além de querer um registro do momento. Viemos, as coisas começaram a acontecer. No período entre julho de 2015 e julho de 2016, nosso primeiro ano por aqui, tudo era novidade e eu partilhava o que estava acontecendo. E aí, o que houve depois? Por que parei de escrever?
Você já viu aquelas mães que fazem festão quando o filho faz um ano de idade? Ainda é um bebê, certo, não vai entender nada, mas rola aquela comemoração gigante, sabe como é? Pois é. Eu fiz isso, eu fui destas mães. Porque meus bebês podiam não estar entendendo, mas EU estava. E queria mostrar para todos 'olha aí, SOBREVIVEMOS!!!! A criança está aqui, inteirinha da silva e nós - papai e mamãe - superamos todas as dificuldades dos primeiros 365 dias!' 
O sentimento foi o mesmo. Chegamos ao final do primeiro ano, dei um suspiro de alívio e pensei 'beleza, o pior já passou!'. E, honestamente, acho que toda a família e amigos tiveram esta mesma sensação, a de que já estávamos adaptados e tal. Por isso, não senti mais a necessidade de narrar nossa rotina, nossos desafios. Somado a isso, a Lara, minha caçula, foi para a escola pública, num período de 3 horas por dia. Então, meu tempo tornou-se bastante escasso - yep, o segundo ano, para mim, foi bem mais punk que o primeiro - e deixei de escrever, como um todo. Mas aí, eis que.
Eu gosto de mídias socias e o blog tem página no facebook. E neste intervalo de tempo recebi mensagens de desconhecidas, dizendo que estavam se mudando para a área de Houston e tinham gostado de ler as coisas que eu descrevi. Aí, agora, com algumas pessoas próximas  dizendo que se divertiam lendo, mesmo sabendo que já estamos bem por aqui, resolvi voltar a escrever. :) Não sei com que frequência conseguirei ir contando nossa vida aqui, mas tentarei sempre atualizar. Incluindo o que foi o segundo ano - entramos agora no nosso terceiro ano. 

É isso. Depois eu volto para contar coisas. ;)

Big beijo em todos!

Foto: tirada da Internet, de um lugar perto da nossa nova casa. Sim, mudamos de casa de novo. Estamos inclusive em outra cidade. Mas esta história fica para uma próxima vez. :)