quinta-feira, 9 de julho de 2015

A MELHOR PIOR VIAGEM DA VIDA!

Para quem ainda não viu, vou começar tranquilizando: sim, chegamos. Sim, estamos bem. :)
Entramos no avião pouco antes das nove da noite do dia 06 de julho, segunda-feira: eu, Felipe, Davi, Lara e Tininha. Por ser uma buldogue francesa, Tina corria risco de morte viajando no porão do avião. Graças à ajuda de uma neurologista e uma psicóloga, a quem visitamos, conseguimos posicionar a Tina como 'animal de suporte emocional'. Ou seja: ela foi autorizada a ir conosco na cabine. Sem precisar de caixa de transporte, focinheira, nada. Nada mesmo: não nos custou um centavo! Desde que começamos nossa odisseia de mudança, trazer a Tina era causa de grande preocupação. Tê-la conosco, no voo, foi um alívio. Mas foi também um sufoco: ela não é exatamente leve e teve que ficar no colo todo o tempo. Somando a isso duas crianças, dá para imaginar como foi?
Eu viajo de avião sem problemas. Sempre disse isso. Sempre achei isso. Mas eu nunca tinha, de fato, viajado como desta vez. Normalmente, antes de entrar no avião, eu já tomo uns tantinhos de passiflora para relaxar. Quando vejo que a refeição será servida, engulo um dramin. Ou seja, eu normalmente apago durante todo o voo e acordo feliz da vida no destino. Com duas crianças e uma cachorra, como dormir? 
As crianças se comportaram muito melhor do que eu esperava. Entraram no avião, sentaram em suas cadeiras e afivelaram os cintos (só andam com cadeirinha no carro e estão muito acostumadas a cintos de segurança, ainda bem!). Viram dois episódios do Mickey, jantaram e, quando o piloto apagou as luzes, perguntaram 'está na hora de dormir?' Confirmei e eles viraram para o lado e dormiram, simples assim. O Davi dormiu, dormiu mesmo: foi até o dia seguinte. A Lara teve um pesadelo, acordou agitada querendo fazer xixi, mas isso depois de várias horas de sono. Fiquei com ela no colo e consegui fazê-la dormir novamente até a hora certa de acordar. Os dois despertaram excitados e felizes.
Tina foi a sensação do avião! Eu viajei entre o Davi e a Lara e o Felipe foi ao lado, cuidando da Tina. Mas assim que entramos no avião, uma moça pediu para ficar com ela - pegou-a no colo, ficou fazendo carinho e ficou um bom tempo assim, então o Felipe teve uma folga legal. Depois a moça a devolveu, mas todas as pessoas sentadas perto queriam fazer carinho e mexer com ela. No meio da noite, Felipe dormia com ela no colo e eu a peguei um pouco, para ele se acomodar melhor.
E eu? Eu fiz a melhor pior viagem da minha vida! Foi a melhor porque tudo deu certo e chegamos os seis sãos e salvos a Houston. E foi a pior porque... nossa, como senti cada segundo daquelas horas! :/
A Capitu tinha ido no porão - ela é muito grande e agitada e seria loucura nossa tentar trazê-la conosco na cabine. Como ela é labradora, não corria risco de morte (o caso da Tina é bem específico: animais de focinho curto podem sufocar nos voos) , então, contratamos um despachante para embarcá-la. O Felipe a deixou por volta de uma da tarde no aeroporto. A agonia começou ali: Felipe ficou arrasado em deixá-la ali, trancada, longe de todos nós por tantas horas. Sabíamos que era o único jeito, mas o coração aperta. Enfim. O avião decolou e o piloto já avisou de cara que estávamos pegando turbulência. Como se precisasse avisar: o troço não parava de sacudir! E eu ali, em pânico, rindo para as crianças e dizendo que aquilo era mesmo muito divertido. Ainda bem que eles não são medrosos e estavam achando graça da brincadeira 'sacode chacoalha balança bambeia avião' que a mamãe inventou (nota: inventando brincadeira, música e dancinha enquanto rezava uns 6735 Pai-Nossos por segundo, claro!). Bom, depois o bicho deu uma acalmada e seguiu tranquilo um bom tempo, as crianças dormiram e tal, Felipe também. E começou nova sessão de 'vamos testar a sua Fé'. Sacode para cá, balança para lá. E eu entrei numa paranoia tremenda, por não saber como estaria a Capitu. Que desespero! Eu conseguia vê-la sendo jogada de um lado para o outro. Me deu tudo: dor no corpo, dor de cabeça, sensação de sufocamento, vontade de gritar. Eu levantei, andava pelo avião, aquele corredor comprido, indo de um lado, até o final, e voltando pelo outro. Sem motivo, parando no banheiro para não parecer maluca, mas com uma esperança de ouvir, sei lá - um latido, um som, qualquer coisa. Me internem, mereço! Mas foi realmente desesperador. 
Lara acordou , fiquei com ela e, por mais que tenha sido ruim, teve um lado ótimo, de desviar minha atenção. Depois que ela voltou a dormir, voltei a pensar em como estaria a Capi no porão.
O avião pousou sem problemas, na hora certa. A Tina virou a sensação também do aeroporto. Chegamos exaustos, Felipe e eu, e as crianças no maior pique. Pegamos nossas malas e andamos com muita dificuldade (trouxemos muita coisa, como vocês devem imaginar). Passamos pela Alfândega sem problemas, mas fomos parados adiante. Nesta hora, confesso, tive pânico! Antes de sair de casa, naquela de 'dar uma geral em tudo', achei muitos remédios na validade. Coisas que eu poderia usar aqui - e provavelmente usaria. Então, saí tacando tudo na mala. Mas eu não tinha receita, e, ao nos ver retidos, pensei: 'danou-se! Ainda nem entramos e já vão me mandar de volta!' Mas eles não queriam fazer raio x de nossa bagagem gigantesca, para minha alegria. Só precisavam conferir os documentos da Tina, viram que estava tudo ok e nos liberaram.
Pegamos o carro, previamente alugado (mais para caminhão que para carro, mas tudo bem!) e fomos direto buscar a Capitu. Chegando lá, eu fui conversar com a inspetora e ela disse que teríamos que ir ao Controle da Fronteira para levar uns documentos e que, quando os tivéssemos em mão, poderíamos buscar a Capi. Ela me garantiu que ela estava bem e, neste instante, chorei um pouco.
Fomos até o Controle da Fronteira, o Felipe levou os documentos e eu fiquei no carro com as crianças. Demorou longos vinte e poucos minutos. Saímos, voltamos para o lugar anterior. O Felipe ficou no carro com as crianças e eu fui buscar a Capitu. Dei a documentação e uma moça disse que iria buscá-la. Deve ter levado entre 5 a 10 minutos, mas, juro! Pareceu que fiquei umas duas horas esperando. E então a moça trouxe num carrinho duas caixas de transporte e na da esquerda eu vi a Capi. Ao me ver, ela começou a latir, eufórica. E eu desabei. Comecei a tremer e chorava compulsivamente! Eu não conseguia nem abrir a casinha e a moça me ajudou. Ela pulou em cima de mim e eu a abraçava e beijava e rezava, tudo ao mesmo tempo. O casal ao lado também chorou quando pegou seu husky siberiano, mas longe de fazer a cena que eu fiz. Se alguém tivesse dúvida, ali dava para saber o quão latina eu era! :p
Quando a Capi viu o Felipe, ficou louca! As crianças, que perguntaram por ela no avião e desde o desembarque estavam perguntando onde ela estava, ficaram super felizes em vê-la, também. Mas... ao ver a Tininha, Capitu surtou! Partiu para cima dela!
Quem acha que cachorro não entende nada é porque nunca teve um. Entendem e entendem muito bem! E a Capi entendeu que ficou quase 24 horas afastada da família e a Tininha, não. Ou seja: crise de ciúmes braba! O primeiro dia foi assim: com as duas se estranhando. Um estresse, claro. Mas o menor de todos eles. Chegamos os seis, bem, à nossa nova casa - melhor dizendo, apartamento. Passaremos as primeiras semanas aqui.

Houston, dear, aqui estamos. Trate-te nos com carinho, viu?  :)


PS: resolvi escrever sobre como foi a viagem porque tinha muita gente perguntando. Mas depois eu vou relatar nossa saída e a festa que foi no aeroporto lotado de amigos! :D

4 comentários:

  1. Que bom que chegaram bem !! Já vi que vou adorar essa história; o primeiro capítulo foi ótimo ! Beijocas para os seis !!

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  2. Também sou latina... Chorei só de ler. Fico feliz por todos estarem bem! <3

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  3. E eu me acabando de chorar aqui!!!
    Graças a Deus deu tudo certo! É só o começo!

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  4. Estou chorando tbm com seu relato Dadá. Pude visualizar cada coisinha através da sua fala. Deus abençoe e guarde vcs todos os dias. Bjuuus, te amo!!!

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