domingo, 12 de julho de 2015

COMO EU VIM PARAR AQUI?

Quando eu digo que 'fui pega de surpresa' com a mudança para o Texas, não estou sendo exata. Na verdade, tive muito tempo para me preparar. Mas algumas pessoas ficaram, de fato, sem saber que estávamos vindo. Eu comecei a escrever no meio do processo de mudança, quando já estava tudo encaminhado para virmos. Já contei como foi o voo para cá. Me dei conta, meio sem querer, que a história começou na metade e resolvi, agora, rebobinar a fita (tem menos de 25 anos? Pede para alguém com mais de 40 explicar o que isso significa! :D ) e voltar ao começo desta história. Afinal, como viemos parar aqui?
Em meados de 2011, meu marido veio participar de umas reuniões da empresa dele aqui. Na época, ele foi elogiado pelo trabalho que vinha fazendo e indagaram se ele teria interesse em vir para cá. Ele voltou para o Brasil animado com a novidade. E eu joguei um tremendo balde de água fria! Tínhamos, então, um filho de um ano e meio e eu estava grávida de nossa filha. Minha primeira (e super espontânea) reação foi 'ter a Lara fora do Brasil? Nem pensar! Aliás, antes dela fazer dois anos, não saio daqui mesmo!' Parece radical? E é. Mas com uma criança pequena, um bebê a caminho e duas cachorras, era inviável me imaginar sem o apoio da família...
O tempo passou. Em 2013, o Felipe tinha que, novamente, sair do Brasil a trabalho: ele passaria uma semana na Noruega e uma semana em Houston. E ele sugeriu que eu viesse encontrá-lo em Houston. Achei ótimo, pois poderia matar as saudades de nossos amigos Jade & Robert e finalmente conhecer o filho deles, Nelson. Vim, super animada e foi tudo realmente ótimo. Em algum ponto da viagem o Felipe me disse algo como 'e aí, você acha que poderia morar aqui?' Eu pensei um pouco e disse 'sim, acho que sim.'
Em dezembro deste mesmo ano, depois do meu aniversário, meu marido veio com a novidade: 'fui convidado para trabalhar em Houston!' Ali, meu chão desabou. Minha avó tinha acabado de completar 98 anos de idade. A proposta era que ficássemos dois anos aqui. Eu olhava para o Felipe e dizia 'se eu for, quando eu voltar, não tenho mais a minha avó...'
Bom, 'da morte ninguém sabe o dia, e nem pode saber!', é verdade. Claro que qualquer pessoa viva pode morrer num segundo, por uma fatalidade qualquer. Mas o meu sentimento era de que a minha avó, e apenas ela, eu realmente não veria. E eu sofri muito com isso.
Os meses foram passando e não viemos na data programada. A crise de petróleo, global, começou a causar diferentes demissões. Já estávamos em meados de 2014 e nem sombra de virmos para Houston. O Felipe acabou desistindo do convite que tinha recebido (de uma 'empresa-filha' da dele) e acabou aceitando um convite para vir para cá pela própria empresa dele.  E então.
Agosto de 2014. Minha avó passou muito mal, numa segunda-feira. Corremos com ela para o hospital Quinta D'Or. Ela não conseguia respirar, estava com muita dor. Conseguiram estabilizá-la. Os dias seguintes foram tortuosos, com melhoras e pioras. Até que no dia 04 de setembro, minha mãe tinha dormido com ela. Quando eu cheguei, para que minha mãe pudesse ir em casa descansar, o médico olhou para mim e disse 'precisamos conversar.' E eu já sabia o que ele ia dizer.
Não vou detalhar, porque ainda é muito doloroso, mas o fato é que Deus me permitiu estar com minha avó até seu último dia. E os dias seguintes foram um buraco negro: fiquei me sentindo vazia sem ela. Mas o tempo continuou passando e, com duas crianças chamando pela mamãe, não dá para fraquejar.
Nossa situação permanecia inalterada. Meu marido estava frustrado: não tinha assumido nenhum projeto no Rio e não vínhamos para Houston. Foi o pior ano de nosso casamento, sem dúvida: tudo era motivo de briga. Também isso passou. 
O ano virou e então, de repente, tínhamos data para vir: maio de 2015! Estávamos estranhando a calma com que a empresa estava conduzindo nossa vinda, mas, ainda assim, confiantes de que viríamos. Só que soubemos que a empresa dele tinha demitido uma leva grande de pessoas. Chegou, então, em março, a notícia: 'não temos dinheiro para trazer vocês!' 
Ao contrário do que eu esperava, meu marido não ficou frustrado. Disse apenas 'ok, não vamos mais, então eu vou ver o que exatamente vou fazer por aqui!' E foi conversando aqui e ali e vendo o que assumiria e tal. Eu estava, confesso, aliviada. Mas um pouco frustrada, por ele. E um pouco perdida, também: passamos tanto tempo na expectativa de algo que, de repente não aconteceria. O que fazer a seguir?
Estávamos pensando justamente neste 'o que fazer a seguir': trocar de carro/ quitar a casa, etc, etc. E aí, aconteceu algo engraçado. Aliás, algo que acontece quando alguém quer muito uma coisa... 
De tanto pensar naquilo, de tanto desejar aquilo, de repente, aconteceu! Em meados de março recebemos a notícia de que a empresa do Felipe não teria como trazê-lo naquele momento. Duas semanas depois, a tal 'empresa-filha', ao saber que ele não vinha mais, o procurou. "E aí, você ainda quer vir para Houston?"
Desta vez era sério: em abril estávamos, eu e ele, em Houston, onde ele teve reuniões, ouviu a proposta. Conversamos, muito, muito, muito. E em 06 de julho pegamos o avião para cá, como eu já contei aqui.
Este foi apenas o comecinho da nossa história em Houston. Um pouco conturbado, é verdade. Mas foi apenas o prólogo. Houston parece os mesmos braços abertos que o Cristo na nossa cidade...

Houston, dear, obrigada pela recepção carinhosa! :)

3 comentários:

  1. Chorei tudo de novo com a história da vó.

    ResponderExcluir
  2. Também chorei com a história da avó. Tenho a minha de 83 anos que mora comigo e só de pensar nisso meu coração sangra

    ResponderExcluir
  3. Também chorei com a história da avô. Tenho a minha de 83 anos e só de pensar nisso meu coração sangra

    ResponderExcluir