domingo, 18 de outubro de 2015

3 meses!!!

Mudar de país parece bastante com uma gravidez. A notícia da mudança gera ansiedade, medo, expectativa do que estar por vir. E ao mudar, uma nova vida começa. Exatamente como ao gerar um bebê. E como numa gestação, o primeiro trimestre é crítico. E nós sobrevivemos a ele! :)
Eu me lembro do medo ao buscar o resultado do teste de gravidez do Davi. Eu vinha de dois abortos, entre 6 e 9 semanas, e estava em pânico com a novidade. Eu teria que ter - e tive! - mil cuidados, estava cheia de recomendações. E nosso primeiro trimestre texano também foi assim: em pânico com a novidade, boa parte do tempo. Tudo era diferente e acostumar-se a viver num país em que as coisas são quase sempre preto-no-branco, depois de passar toda a vida no Rio de Janeiro, foi difícil. Era aquilo de 'mudei de país, não de personalidade', mas achando que, no fundo, teria que mudar, sim, de personalidade. Por sorte, eu estava errada. 
Algumas empresas oferecem um 'treinamento cultural' para recém-chegados aos Estados Unidos. O Felipe dispensou nosso treinamento - bem como aulas de inglês e o tour pela cidade. Ele é tão auto-didata que não viu necessidade nisso. Ainda bem! Eu sou do tipo que adora uma sala de aula e teria ouvido, como minhas amigas depois me contaram, que eu não poderia olhar diretamente para as crianças, que eu não deveria fazer comentários sobre roupas, cabelos e costumes dos americanos. Isso, para dizer o mínimo. E, como boa aluna, eu teria ouvido tudo atentamente e teria levado a sério. E teria perdido a chance de me divertir muito por aqui.
Mãe é mãe. Ponto. Do momento em que se descobre a gravidez em diante, tudo muda e nosso sexto sentido deixa de falar conosco. Ele grita, esperneia, dá cambalhotas se não prestarmos atenção. Então, uma mãe sempre tem uma intuição quando alguém se aproxima, com carinho, do seu filho. E aqui, não é diferente. Eu não fiz o treinamento cultural, então, brinco com as crianças na rua. As mães sorriem, brincam de volta com os meus. Já tive casos tão 'latinos' que assustam - uma senhora mais branca que vela, americanaça, metendo a mão no cabelo da Lara e dizendo 'isto é a coisa mais linda que já vi na vida, ela é linda demais! Nunca corte este cabelo, estou apaixonada!' Da mesma forma, já parei diante de uma menininha ruiva e disse para a mãe 'a vontade que dá é levar sua filha para o salão e dizer que quero o cabelo tão maravilhoso quanto o dela!' E a resposta é sempre simpática - no caso da mãe da ruivinha, por exemplo, ela brincou ' pois é, quando eu estava encomendando o bebê, pedi que fosse feito desta forma, mas deu um trabalho que nem te conto. Ela até demorou a nascer e tenho certeza que foi por conta do cabelo!'
Eu vou a parques com meus filhos e troco telefones com mães. Eu já fui parada, algumas vezes, para me perguntarem onde comprei tal sapato, tal vestido. Eu já me sinto a vontade para ser eu mesma, rindo e falando alto.
Claro que nem tudo são flores. Tem o lado ruim e o pior é a saudade das pessoas. Isso é o que dói em ser expatriado, mais que tudo. Mais que viver sem praia, sem biscoito Globo, sem mate com limão. Viver longe da família e dos amigos: isso é doloroso. Sentir-se estrangeira, muitas vezes, é difícil. Em três meses, o momento que mais me senti alienada aqui foi quando uma senhora de 82 anos bateu no meu carro e a filha dela fez de tudo para tentar parecer que foi minha culpa. Não foi, ela teve que arcar com os danos e com o aluguel de um carro enquanto o meu consertava. Nosso amigo Bobby, ao ouvir que eu tinha me envolvido em um acidente de carro, riu e disse 'parabéns, você agora é uma houstoniana!' Mas em menos de 2 meses, ter levado uma batida não foi nada divertido, mesmo para me tornar uma houstoniana. Como não foi nada divertido ser parada por um guarda por excesso de velocidade - yep, esta foi culpa minha mesmo. O guarda vermelho, gritando e eu... cariocando. Na maior calma, dizendo que sim, estava errada, não tinha nada a dizer a meu favor, apenas que eu era recém chegada à cidade, me distraí com minha filha e errei. E o preto-no-branco dos americanos às vezes aceita os 500 tons de cinza brasileiros e deu-se o desenrolo: não levei multa, para surpresa de todos - no caso em questão, a multa era certa e não foi. Aos poucos, aprendo mais a viver aqui, a aceitar algumas coisas que não mudarão e, portanto, não sofrer com elas. Outras, pelas beiradinhas, vou tentando adaptar...
Sim. Em 07 de outubro completamos três meses vivendo nos Estados Unidos. Acabou o primeiro trimestre, com meus pais conosco (vieram passar 45 dias), com minha irmã vindo passar alguns dias (veio pesquisar o VLT daqui e aproveitou para ficar conosco). Foi um ótimo final de ciclo, o do susto inicial. Agora, segundo trimestre. Numa gravidez é, disparado, o melhor de todos! Tomara que os próximos 3 meses nos reservem coisas ainda melhores! :)

Houston, dear, obrigada pelo primeiro trimestre. Que os próximos sejam ainda melhores. ;)


Esta foto foi tirada do google apenas para fazer a analogia entre a mudança de país e uma gravidez. Caso ainda assim alguém tenha ficado na dúvida, NÃO, não estou grávida e nem com planos de ficar. :)

9 comentários:

  1. Respostas
    1. Eu disse que o segundo trimestre seria maravilhoso! <3

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  2. Dadá, amei o seu texto (só p variar, kkkkk), mas confesso q meu coração "sambou" dentro do meu peito, como aquelas passistas lá no sambódromo!!! Por alguns segundos acreditei q vcs estivessem grávidos!😊

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  3. Gente do céu! Parece que foi ontem que vc foi!
    Só posso agradecer a Deus e pedir que continue dando tudo certo!

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    1. Parece que viemos ontem e há dez anos, o sentimento é louco! :)

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  4. Minha mensagem foi cortada! Finalizei dizendo que quero baby americano! Hihihihi...

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  5. Dadá!! Sinto saudades de vcs... juro, tbm achei q estava grávida e já estava chorando emocionada.... Hahahhahahaha!!! Deus continue abençoando e guardando a vida de vcs, viu? Bjuuuus

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