segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Então, o Natal!

E pela primeira vez, desde que me entendo por gente, não passei o Natal 'em família'. Claro, estava com minha família, mas longe de pais, irmãos, primos e tios. Natal, para mim, é a melhor de todas as festividades. Primeiro, pelo óbvio: porque comemoramos o nascimento do Menino Jesus. E depois, porque... bom, porque comemoramos o nascimento do Menino Jesus! :) Sim, parece que as pessoas se enchem de amor, o clima muda, todos ficam mais receptivos à ideia de família. É um tempo abençoado que eu gosto demais. Então, passar o primeiro Natal longe seria estranho.
O Natal, aqui, começa praticamente junto ao Thanksgiving. Todo mundo falava que os americanos não ligavam para o Natal e, confesso, me surpreendi. Toda a vizinhança com luzes em suas casas, todas as placas de ruas (aqui, as vizinhanças tem placas de concreto, nomeando a localidade) com guirlandas. Em todo lugar, clima natalino. Foi, sem dúvida, uma grata surpresa. 
Para o Davi, o Natal começou quando dezembro chegou. Na escola dele, fizeram uma atividade com o 'gingerbread man', um biscoito típico daqui. Leram um livro em sala de aula e o 'gingerbread man' saiu pelo mundo, mandando postais dos lugares onde passava. Claro que ele passou no Rio de Janeiro e mandou um postal liiiindo, dizendo para toda a turma que estava na cidade onde o Davi nasceu. :)
Umas duas semanas antes do dia 24/12, uma amiga sugeriu 'e se contratássemos um Papai Noel?' O preço, salgado, não era nada convidativo. Mas ela usou os melhores argumentos 'é o nosso primeiro Natal longe do Brasil, vamos lá!' e assim foi que concordamos que doeria no bolso, mas seria lindo termos o Bom Velhinho conosco no nosso natal texano.
E então, o Natal. No dia 24, pela manhã. fizemos... gingerbread man! De tanto que lemos o livro (a professora do Davi deu um para ele), de tanto que vimos por todo canto, as crianças estavam doidas naquele boneco de biscoito. E eu queria fazer algo tradicional daqui com eles, criar uma memória afetiva. A Beatriz tinha dormido aqui, então, fiz a massa com os 3: Davi, Lara e Bibi. Foi uma farra! Eles confeitaram, colocando os olhos, botões... Eu tinha comprado um prato que dizia 'cookies for Santa' (biscoitos para o Papai Noel) e os 3 disseram que deveríamos por os biscoitos em cima da lareira, para o Papai Noel ver assim que descesse a chaminé. Colocamos (os que sobraram, o tal do biscoito era gostoso mesmo! Todos comemos!) bem ao lado do presépio.
Dia 24, chegaram os amigos para a ceia. Pouco antes das 9, o Bom Velhinho chega. Não foi difícil pedir que as crianças ficassem no andar de cima (onde ficam todos os brinquedos!). E, numa providencial e engraçada coincidência, estávamos com o peru no forno e a calda derramou, fazendo fumaça na sala toda. Convidamos Papai e Mamãe Noel para entrarem e eles se sentaram no sofá, esperando as crianças descerem. 
Fiz um barulho com um saco de carvão. Nosso vizinho, Chris, da escada chamou as crianças, 'venham ver quem está aqui!' Alguém chamou em português também, para garantir. Desceram em uma só tacada. O primeiro, acho, foi o Davi, que olhou e ficou ressabiado. Perguntou pela fumaça e dissemos que tinha sido o Papai Noel descendo pela chaminé - que estava suja e levantou poeira. As meninas foram mais destemidas - Lara e Beatriz já chegaram  rindo e querendo abraçar o Papai Noel, seguidas pela Catarina - que demorou mais um pouquinho para se soltar. Em pouco tempo, ele já estava distribuindo presentes e ganhando abraços de todas as crianças. 
No meio da farra, Lara se lembrou dos biscoitos, fez questão de servir. Mamãe Noel pegou um biscoito inteiro; Papai Noel, só um pedaço - Lara notou e reclamou, o que é a cara dela fazer! O casal ficou conosco por cerca de uma hora e foi realmente mágico. Depois que eles saíram, fizemos nossa ceia, enquanto as crianças se divertiam com os muitos presentes que ganharam. A ceia, claro, com muita coisa brasileira: salpicão, farofa, guaraná antártica... Porque a gente quer fazer parte das tradições daqui, mas sem perder as nossas. :)
Dia 25 foi dia de preguiça e saudades. Deu pena estar longe do Rio, da família. Mas as crianças estavam tão ocupadas querendo andar de bicicleta e patinete que não deu tempo para ficar triste. E no dia 26, já estávamos em família novamente, comemorando com nossos amigos Bob e Jade, que moram uma hora distante de nós. 


E assim foi o nosso primeiríssimo Natal texano. Sei que outros virão. mas este ficará guardado com carinho na memória. O Natal dos enfeites do Peanuts (eu contei que o presépio era do Charlie Brown e amigos? ;) ), do filme 'Rudolph', dos biscoitos do gingerbread man. O Natal em que Papai e Mamãe Noel vieram nos visitar. :)

Houston, dear, foi incrível! Obrigada pelo clima festivo em todos os lugares, pelas tuas luzes e guirlandas, pelas renas e gingerbread mans espelhados pela cidade. Vimos beleza e alegria por todo canto e ficamos felizes em fazer parte disso! <3


Foto, foto: na primeira, eu e Lara cortando gingerbread mans na cozinha. Na segunda: Hohoho, eis Sr. e Sra. Noel - ou Mr. and Mrs. Claus, como são conhecidos por aqui... :)

Um comentário:

  1. Que bom, Eneida , vocês terem a oportunidade de participar desse tipo de natal, tão diferente do nosso, com a cara dos livros de história ! Na Austrália também é assim, festa encantada, a cidade toda se engalana... Adoro ! As crianças devem ter adorado ! Fico feliz vendo a família muito bem adaptada ... Essa qualidade de vida compensa a distância da família ... afinal, a Internet acaba dando um jeitinho de diminuir essa "megera". Muitos beijos pra vocês ! Happy New Year !!!!

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