terça-feira, 8 de agosto de 2017

Um grande susto

Quem me conhece, bem sabe. Me perguntam : 'quantos filhos você tem?' e respondo: '4. Dois de 2 pernas e 2 de quatro patas.' Sim, Capitu e Valentina são parte importante da nossa família e, como já contei antes, vieram conosco para o Texas. E então.
Eu já tinha ouvido falar que o sistema de saúde americano é caríssimo e tal. Antes da mudança, fiz um check up nas crianças e deixei um rim na farmácia: trouxe TODOS os remédios infantis, possíveis e imagináveis, antevendo todos os tilts que os pequenos poderiam ter. Davi, como eu, é extremamente alérgico e a rinite piora do lado de cá. Só. De resto, nada.
Mas alegria de pobre dura pouco, né? Capi e Tina resolveram ir à forra. Já gastamos, com a saúde delas, pelo menos dez vezes mais do que com as crianças. E o maior susto - e gasto - foi pouco antes de completar nosso segundo aniversário aqui.
Num sábado, Capi acordou estranha, sem energia. De sábado para domingo, vomitou muito. Reparamos que a barriga estava inchada. Segunda de manhã cedinho, marido a colocou no carro e saiu em busca de clínica veterinária. E foi neste dia que nos demos conta que agora moramos na roça!
Primeira clínica, segunda, terceira. Todas as daqui de perto e a resposta era 'o/a médico/a passa primeiro nas fazendas para ver os bichos, depois que vem pra clínica...' {Toma na cara, pobreza! Se fosse a rainha do gado o/a médico/a estaria lá com o nascer das galinhas! } Pelo telefone, ele conseguiu marcar numa clínica às 10:45 da manhã e lá fui eu com minha primogênita. A médica deu uma olhada, raio x, diagnosticou o que prevíamos: piometra. Operação na hora, nem um segundo a esperar - como imaginávamos que pudesse ser, desde a véspera ela estava sem comida e no dia não a deixamos beber água, só chupar um pouco de gelo. Já estava preparada para entrar na faca.
Quem ama cachorro como filho sabe o quanto dói o sofrimento deles. A médica a levou direto pro centro cirúrgico e não pudemos nem nos despedir. O Felipe já tinha ido lá nos encontrar, levando a Lara, que disse para a médica 'mas eu não vou poder dar tchau para minha cachorra?' {coração apertadinho nesta hora, choro sufocado para não assustar a criança!}. Fomos direto almoçar - eu fui sozinha no carro, chorando, chorando, chorando. Muito ruim a sensação de impotência que é ter filho doente. Quando é filho-bicho, que não fala, em país estranho, de outros costumes, o sentimento aflora mais forte. 
Depois das duas horas e meia mais compridas da vida, o telefone toca 'correu tudo bem e ela já está no pós operatório. Se passar a noite bem, amanhã volta para casa!'. A noite foi looooonga {todo amor do mundo pela querida amiga Patricia Nuñez que me consolou desde domingo até minha pretinha voltar para casa!}. Controlei-me para não ligar às seis da manhã. Às oito e quinze, liguei 'e aí, posso ir?' Pediram para esperar até depois das onze e meia. Onze e trinta e um entrei na clínica com a Lara, sorridente, perguntando 'e cadê a minha irmã?'. Veio uma Capitu visivelmente ainda dolorida, barriga raspada, nos encontrar. Na semana seguinte, medicação para dor e antiinflamatórios. Em duas semanas, ela estava de volta ao normal.
Foi um grande susto, apenas. A conta, como era de se esperar, custou de fato o preço de um órgão. Mas ela continua aqui, conosco, feliz e saudável. E isso não tem preço. <3

Eu decorei os hospitais infantis mais perto de casa assim que me mudei. Nunca precisei. Veterinárias, por sua vez, já conheci várias. A gente sempre quer prever o futuro, mas nunca conseguimos. Por isso melhor sempre aproveitar bem o dia de hoje, o tempo que temos com as pessoas que amamos. Vou lá agora aproveitar meu quartetinho, que está tocando o terror na sala de estar! ;)

Houston, dear, obrigada por clínicas infantis e veterinárias em quase todas as esquinas. Mesmo que custem meus rins.

Big beijo para todos!





sábado, 5 de agosto de 2017

Dois anos de Texas!

E então, no dia 07 de julho completamos 2 anos de vida texana. Neste dia, desembarquei com as crianças no... Rio de Janeiro! :) Aproveitamos as férias para rever família e amigos - sempre incrível poder recarregar as energias ao lado das pessoas que amamos. E várias pessoas me perguntaram por que parei de escrever.
Quando soubemos que viríamos para o Texas, família ficou em polvorosa. Normal, seria tudo novo e não sabíamos o que nos esperava pela frente. Eu, por minha vez, estava bastante ansiosa e escrever era uma forma de descarregar um pouco, além de querer um registro do momento. Viemos, as coisas começaram a acontecer. No período entre julho de 2015 e julho de 2016, nosso primeiro ano por aqui, tudo era novidade e eu partilhava o que estava acontecendo. E aí, o que houve depois? Por que parei de escrever?
Você já viu aquelas mães que fazem festão quando o filho faz um ano de idade? Ainda é um bebê, certo, não vai entender nada, mas rola aquela comemoração gigante, sabe como é? Pois é. Eu fiz isso, eu fui destas mães. Porque meus bebês podiam não estar entendendo, mas EU estava. E queria mostrar para todos 'olha aí, SOBREVIVEMOS!!!! A criança está aqui, inteirinha da silva e nós - papai e mamãe - superamos todas as dificuldades dos primeiros 365 dias!' 
O sentimento foi o mesmo. Chegamos ao final do primeiro ano, dei um suspiro de alívio e pensei 'beleza, o pior já passou!'. E, honestamente, acho que toda a família e amigos tiveram esta mesma sensação, a de que já estávamos adaptados e tal. Por isso, não senti mais a necessidade de narrar nossa rotina, nossos desafios. Somado a isso, a Lara, minha caçula, foi para a escola pública, num período de 3 horas por dia. Então, meu tempo tornou-se bastante escasso - yep, o segundo ano, para mim, foi bem mais punk que o primeiro - e deixei de escrever, como um todo. Mas aí, eis que.
Eu gosto de mídias socias e o blog tem página no facebook. E neste intervalo de tempo recebi mensagens de desconhecidas, dizendo que estavam se mudando para a área de Houston e tinham gostado de ler as coisas que eu descrevi. Aí, agora, com algumas pessoas próximas  dizendo que se divertiam lendo, mesmo sabendo que já estamos bem por aqui, resolvi voltar a escrever. :) Não sei com que frequência conseguirei ir contando nossa vida aqui, mas tentarei sempre atualizar. Incluindo o que foi o segundo ano - entramos agora no nosso terceiro ano. 

É isso. Depois eu volto para contar coisas. ;)

Big beijo em todos!

Foto: tirada da Internet, de um lugar perto da nossa nova casa. Sim, mudamos de casa de novo. Estamos inclusive em outra cidade. Mas esta história fica para uma próxima vez. :)

quinta-feira, 7 de julho de 2016

UM ANO!!!!

E então, chegamos ao 7 de julho.  Há exatamente um ano, desembarcávamos com nossos dois filhos, duas cachorras, oito malas grandes - e bagagem de mão - no aeroporto internacional George Bush, em Houston. Éramos uma mistura de sentimentos: o medo e ansiedade diante do desconhecido fundiam-se ao friozinho bom na barriga e ao esorriso na cara. Não sabíamos, 365 dias atrás, o que nos aguardava na nossa nova vida. Mas viemos de peito aberto e com a certeza de que seríamos felizes no Texas. Estávamos certos. :)
A sensação, hoje, é de que do 07 de julho de 2015 ao 07 de julho de 2016 vivemos uma década num piscar de olhos. Tanta coisa aconteceu que não parece ter sido apenas um ano. Lembramos tanto do que ficou para trás que não parece já ter sido um ano. É algo como ter um bebê - intenso, com mudanças praticamente diárias. Rapidamente o recém nascido está ensaiando os primeiros passinhos e os pais, assustados, não acreditam na passagem do tempo. 
Hoje, tudo o que quero fazer é agradecer. Primeiro, como minha avó me ensinou, a Deus, por todas as graças concedidas. Depois, a tanta gente que não dá para começar a falar sem me emocionar... :) São muitos amigos. Muito mais do que esperávamos. Perdoem-me se esquecer alguém, não terá sido por mal. Vamos lá, muito obrigada...
Às minhas companheiras de: almoço fugido durante a semana, happy hours das meninas, mimosas dos finais de semana, missas de domingo. Glenia, Renata e Patricia - vocês são a melhor parte dO Houston! Nos deboches, nas risadas, no jeito sacana (que quem não conhece acha que é implicância), vocês são minhas partes, minha tribo. Amo (quase) mais que toddy light!
Ao casal Rogério e Lara: como agradecer toda a amizade e apoio? Vocês são, disparado, a nossa referência. Sempre nos vemos pensando em vocês como exemplo a ser seguido. Que vocês continuem sempre estas pessoas maravilhosas que emanam amor. E que possamos desfrutar desta energia boa por muitos e muitos anos!
Às mães dos amigos. Que delícia é ser mãe e poder ganhar amigas por conta dos seus filhos. :) Fiz uma nova rede de amizade materna por aqui e, para não me perder citando todas, vou resumir num trio de ouro: Germayne, Priscilla, Micaelli. Vocês são mulheres incríveis e eu fico muito feliz de tê-las por perto! (ok, eu sei: a Germayne estudou com o Felipe e, tecnicamente, é assim que a conheço. Mas como o Davi quer casar com a Claire, acho que nossa amizade pode se definir mais pelas crianças que pela UFRJ. ;) )
Ao pessoal da bike. Uma das coisas bacanas que o Rogério fez foi levar o Felipe de volta para cima de uma bicicleta. Com isso, ele reavivou um hobby, voltou a praticar um esporte que gosta e ganhamos um grande grupo de pessoas queridas e divertidas. Que venham mais e mais milhas! :)
Ao casal Paty e Wagner. Sim, vocês, enquanto casal, nos ajudaram muito. Quando ainda não tínhamos ninguém, já tínhamos vocês! E eram vocês a ficar com as crianças quando nos enrolávamos... Mil obrigadas pelas ajudas!!! Como já agradeci à Paty, fica agora também meu beijo especial para o Wagner. 
Ao casal Tati e Robert. Sempre de sorrisos abertos e alto-astral: amamos estar com vocês. Devemos, aliás, fazer isto com mais frequência!
E, claro, aos nossos velhos amigos...
Antes de vir, sabíamos que tínhamos uma família no Texas. Não moramos tão perto quanto eu gostaria, mas é perto o suficiente para estarmos sempre juntos. Jade, Bob, Nelson, Nolan e Macho: amamos vocês! Obrigada por serem a certeza, antes mesmo de desembarcarmos, que estaríamos cercados de amor aqui.
Last, but not least, o mais perto que chegamos de ganhar na loteria (putz, estão mal, hein? Consigo ouvi-los dizendo! Hahahahaha): a família Aymone! Vocês terem vindo para cá foi simplesmente incrível, foi como trazer um pedaço na nossa vida no Rio para pertinho da gente. Tê-los aqui tornou nossa vida texana ainda mais divertida e animada. Obrigada pelas ínumeras risadas. E que venham muitas outras!

Foi um ano maravilhoso, com pessoas especiais e momentos ímpares. Foi o melhor começo que poderíamos ter no estado da estrela solitária. Que venham outros: que sejam muitos, que sejam prósperos, que tragam mais gente bacana e coisas boas. E que sigamos com a tranquilidade de que, sim, aqui é um lugar para ser feliz. :)


FOTO COLAGEM: obra do maridão! :) 



terça-feira, 26 de abril de 2016

A,B,C: já sei ler!

Quando começamos a pensar em vir para os Estados Unidos, um turbilhão de emoções me invadiu. Eram várias pessoas nos incentivando, dizendo no que iríamos ganhar com a experiência de morar fora. Eu só conseguia pensar no que iríamos perder. Ficaríamos longe: da família, dos amigos, da nossa casa, da nossa terra, da nossa língua. Longe. Eu me lembro o dia em que, particularmente sensível, me dei conta de que o Davi seria alfabetizado em inglês. Com cerca de 5 anos e meio quando chegamos e considerando o tempo mínimo que passaríamos aqui, ele moraria no Texas durante sua alfabetização e, portanto... Lágrimas rolavam dos meus olhos enquanto eu juntava livrinhos infantis da Mary e do Eliardo França, os mesmos com que eu comecei a juntar letras em sílabas e depois em palavras, frases e histórias completas. Aquilo me doeu tanto! Imaginar que meu filho, MEU FILHO!, não seria alfabetizado em português. Me lembro de passar alguns minutos sofrendo por isso antes de realizar que a Lara, ainda mais nova, teria o inglês como língua materna. Foram dias pensando e sofrendo com isso.
Como eu esperava, chegamos, começamos a nos adaptar e, pouco depois, as crianças estavam na escola. Em pouco tempo, Davi começou a trazer folhinhas em que ele deveria treinar caligrafia. A,B, C. Depois, começou a juntar as letras. Logo, estava fazendo os sons das sílabas - com o sotaque texano mais lindo do mundo! - e então... palavras. No começo, aquele lance meio carteado, a professora mostra a palavra e a criança memoriza. Mas aí, num dia, parados num sinal, devagar e com segurança, ele leu 'tu-r-n lef-t. Turn left!' Eu me lembro da sensação de surpresa e orgulho, eu e maridão nos olhando, sorrindo, cúmplices. Aquele minuto parados num sinal foi o primeiro de muitos, e, agora, ele já pega pequenos livros e lê.
 Alfabetização em português? Sim, terá. Ele pergunta sobre os livros brasileiros, compara os sons, é curioso e interessado. Com o tempo, será também alfabetizado na nossa língua, mas agora é a hora de concentrar na escola, no lugar em que ele vive. E seguimos fortes aprendendo a língua inglesa.
Vendo meu filho desbravando os livros deu-me ânimo de, também eu, encarar livros escritos em inglês. Desde que cheguei, já li muitas revistas e jormais, livrinhos infantis, histórias em quadrinhos. Mas pegar um romance e ler, do começo ao fim, eu ia adiando. O motivo? Nem sei. Não sei se era preguiça, por achar que seria difícil. A verdade é que eu estudei inglês durante muitos anos - fiz o curso da Cultura Inglesa - e, nesta época, li muitos romances em inglês. Lembro de ter lido 'Animal farm' primeiro em inglês, por exemplo. Só que isso foi quando eu estudava inglês e só de formada tenho vinte anos. Continuei, sempre, lendo alguns artigos, histórias curtas, mas não mais livros. Até ver meu filho tão orgulhoso do seu A,B,C e resolver tentar novamente. O livro escolhido, que ganhei de presente da minha amiga-parceira-no-crime Glenia Aguiar (do MA-RA-VI-LHO-SO http://www.houstonbyus.com/ ) foi o Love Antony. A história - triste e linda - conta a trajetória de duas mulheres em Nantucket. Uma acaba de se separar do marido, que a traiu. Outra está tentando sobreviver à morte do único filho, um autista não verbal de nome Antony. Eu sempre digo o quanto amo livros 'sessão da tarde', que distraem e divertem. Este foi sessão-da-tarde-com-caixa-de-lenços-do-lado. A leitura fluiu melhor do que eu esperava. Aprendi novas palavras, mas, no geral, me virei muito bem, obrigada, sem precisar de dicionário. E a sensação que fica? Um misto de vitória (opa, já posso fazer estragos na minha 'Livraria da Travessa' daqui!) e orgulho. De repente, sem que eu me desse conta... A,B,C, eu e Davi já sabemos ler! :)

Houston, dear, prepara tuas livrarias que eu tô chegando! 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Forças da natureza

É inegável que, diante de um desastre natural, sentimo-nos mínimos. Quando a natureza resolve mostrar sua força, nós, meros humanos, temos que lidar com todas nossas limitações. 
Esta semana, em Houston, foi o reconhecer da nossa impotência. Com tempestades e avisos de tornado, a cidade e seu entorno, completamente planos, ficaram debaixo d'água. Muitos perderam casas, carros. Na cidade em que estou, o distrito escolar suspendeu as aulas durante toda a semana, devido à dificuldade de locomoção por parte de alguns. E então, ontem, na minha cidade (sempre será!), no Rio de Janeiro, uma forte ressaca do mar derrubou uma parte da ciclovia de São Conrado, inaugurada há poucos meses. Outro desastre natural... ou não?
Sim, quando a natureza resolve mostrar do que é capaz, nós vemos como somos fracos. Entretanto, há formas e formas de se lidar com desastres naturais. Desde que começaram as chuvas fortes por aqui, recebo emails e mensagens várias vezes por dia, dizendo como está o tempo, qual a previsão para as próximas horas, onde está alagado, onde não devo ir. Recebo, também, orientações de como agir em caso de ficar debaixo d'água, para onde ir em caso de tornado, para onde ligar para pedir ajuda imediata. E eu até agora não faço a mínima ideia de como conseguiram meu email e telefone! Aparentemente, ao pagar uma única conta que seja, você tem seu endereço verificado e pronto: sabem que você mora naquela região e, em caso de necessidade, entram em contato. Apesar do exato local onde moro não ter tido mais do que uma poça na frente da casa do vizinho (que serviu de brincadeira para as crianças da vizinhança), a situação foi bastante crítica à nossa volta. Ainda assim, para definir de uma maneira simplista, eu não me senti desamparada em momento algum.
Damos então um pulinho na minha terra. Feriado, as pessoas saem para andar de bicicleta, correr e aí bate uma onda forte e... desaba uma ciclovia construída à beira-mar. Não consigo expressar como me senti, mesmo daqui. Eu mal dormi esta noite, minha cabeça girava! Como que uma obra feita À BEIRA MAR não conta com a força do mar? O que dizer das pessoas que fizeram e executaram este projeto? O que dizer dos nossos governantes, que AUTORIZARAM a obra e puseram em risco a vida de seus governados? Vi muita gente dizendo que tem vergonha das pessoas que estão comandando o Rio de Janeiro atualmente. Eu não tenho vergonha. Eu tenho asco, eu tenho raiva. A sensação, hoje, é de revolta. E na inevitável comparação, minha cidade texana ganha de lavada: aqui, até a natureza usa suas armas pesadas e, como bom cowboy, dispara a artilharia sem dó. Mas você é avisado, o tempo todo, que pode estar em risco, é orientado onde pode ou não ir, é, por vezes, aconselhado a ficar em casa (empresas liberaram funcionários; jornalista pediu ao vivo que, se coagidos a ir ao trabalho em condições perigosas, as pessoas informassem os nomes de seus empregadores para que ele denunciasse). Você não sai feliz de casa, num feriado, para aproveitar o sol é levado por uma onda. Esta insensatez sem tamanho revolta e angustia.

Houston, dear, obrigada pelo alarme na televisão, que interrompe o programa para avisar que voltará a chover forte. Sei que houve vítimas da chuva aqui e meu coração está partido por elas, mas também sei o quanto incontáveis vidas foram salvas por conta dos alertas dados.


Rio de Janeiro, meu amor, hoje novamente choro por você. Que Deus conforte as famílias que perderam seus entes queridos neste absurdo desmedido. 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Brincando no Texas

Brincadeira é brincadeira em qualquer lugar do mundo e, assim que chegaram, Davi e Lara logo aprenderam a dizer 'vamos brincar de pique-pega'. E quanto aos brinquedos? 
Quando pensamos em brinquedos americanos, forçoso admitir, a primeira coisa que vem à cabeça são legos, barbies, bonecos da Disney, videogames. Eu vim para cá com esta imagem na cabeça  e encontrei todos estes artigos, de fato. Mas também descobri muita coisa interessante, além do 'esperado' . Na terra do 'tem de tudo', a criatividade tem vez.
A vasta gama de brinquedos montessorianos deixa os nossos poucos exemplares no chinelo. Brinquedos 'waldorf' são facilmente encontrados. Toda espécie de brinquedo de madeira, de tecido, natural, você acha. O estímulo ao lúdico está presente por todo lado e nesta disputa pelo mercado infantil, as crianças saem ganhando.
Hoje, com chuva forte e sem aulas, meus filhos estão em casa. Já desenharam. Poderiam ter pintado, esculpido em massinha ou ter colorido a giz, dentro de casa - os produtos são 'altamente laváveis', conforme o rótulo. E são mesmo: tudo sai com um paninho e água, incrível! Mas hoje escolheram 'escavar' e estão na garagem, com uma placa de gesso, escavando um fóssil de T-rex. Nesta fase 'dinossauros' em que estão, já escavaram alguns, já puseram ovo para crescer e já montaram fósseis. O mais bacana é que depois dá para fazer uma pesquisa, mostrando como era aquela espécie, do que se alimentava, como vivia e etc. Não a toa, a ida ao museu de história natural é um dos programas preferidos da casa.
Sim, aqui o 'apelo da maçã' é assustador e as crianças tem o direito de brincar no ipad na escola. Mas há um outro lado bacana que muitas pessoas não conhecem. Por isso, uma dica: na próxima viagem aos EUA, programe-se  para, antes de ir à loja da Disney, parar para conhecer alguns itens 'diferentes'. Com certeza as crianças vão curtir muito! ;)

Houston, dear, obrigada pela infância 'sem maçã'! Os blocos de madeira tem que sempre vir antes de tudo. :)

sábado, 16 de abril de 2016

DIY: descobrindo talentos no Texas

As letrinhas DIY são a abreviação da frase 'do it yourself', o nosso 'faça você mesmo'. E aqui nos EUA, muita coisa fazemos por nós mesmos...
Quando narro nossa vida aqui, muita gente deve achar que é tudo muito fácil. Primeira coisa: ficar longe da família e dos amigos é difícil. Segunda coisa: nós viemos com uma situação 'ideal', se é que isto existe. O Felipe foi convidado a trabalhar aqui e a empresa pagou nossas despesas de mudança. Só que o conteiner que trouxe nossas tralhas demorou 2 meses para chegar e nós quisemos ter 'nossa' casa antes disso. Ou seja: mudamos e tivemos que comprar tudo novo. E aí, a não ser que a reserva de dinheiro seja muito boa (não era nosso caso), você consegue comprar tudo bacaninha, montar o cafofo, escolher carros legais. Mas... fica tudo na conta e não sobra dinheiro para os luxos. O que é luxo? Bom... ir ao salão de beleza é luxo, né?
Eu me lembro que tive uma diarista com unhas lindas, sempre bem feitas. Ela dizia 'minha vizinha é manicure e me faz um precinho camarada'. E toda semana ela estava com as unhas perfeitas. É um pouco da nossa cultura: no Brasil, a maioria das mulheres curte fazer as unhas, depilação, cabelo, etc. E da mesma forma que tem salões espetaculares, com preços nas alturas, tem sempre um salãozinho na esquina, com o tal precinho camarada. E todas seguimos de unhas feitas.
No Texas, o preço da energia elétrica é ridículo comparado ao que pagávamos no Rio de Janeiro. Assim como gás e água. Gasolina tem preço em conta, comida, idem. Mas os 'superfluos' saem mais caros. Então, os 'gastos no salão' pesam no bolso. Por isso, como disse, a não ser quem esteja com uma boa graninha reservada, quem acaba de se mudar precisa segurar a onda nesta pequenas coisas. E aí, como se virar?
Bom, do ponto de vista prático, eu podia 'fazer a Ohana anos 80' e abandonar a depilação, por exemplo. Mas eu não queria seguir por aí. Da mesma forma, poderia optar por não mais fazer as unhas - mas, vai, não dá até uma melhorada no humor ver as unhas bonitinhas? :) Ou seja, a solução, a curto prazo, era apenas uma, usar as 3 letrinhas daí de cima e fazer tudo eu mesma.
No Brasil, eu já tinha experimentado ceras caseiras de depilação. Achei tudo caro e complicado. Por isso, era cliente das 'menos pelo' da vida. Aqui, confesso, fiquei ressabiada ao compar cera e tentar me depilar. Ao contrário da minha experiência anterior, no entanto, foi tudo bastante prático. Menos uma coisa a me incomodar, pronto!
No quesito 'fazer as unhas', eu já tinha alguma experiência - todas temos ao menos um alicatinho em casa, né?  E ao descobrir os produtos daqui, fui sem medo testar.  O 'gel que dissolve as cutículas em 15 segundos', para os padrões brasileiros, deixa rastros. Mas aí o bendito alicatinho arremata, né? :) 
Claro que fazer serviços de beleza, com um profissional especializado, é sempre melhor. Eu já fui a diversos locais aqui, mas aprendi a eleger prioridades e deixar o salão para ocasiões especiais. No dia a dia, faço eu mesma, Como é o esquema da mulherada daqui. 

Se você está programando uma viagem para os Istêites, pare numa Walgreens, CVS ou a farmácia mais próxima de você e leve algumas coisitas para casa! A linha da Sally Hansen tem muita coisa boa para fazer as unhas. Veet, aqui, é uma imensidão de produtos, para tudo que é tipo de pele e necessidade. Dê uma olhada com calma e depois tente fazer você mesma. Vai ser, no mínimo, uma experiência divertida ver que dá para fazer sozinha tantas coisas que estamos acostumadas a delegar. 


Houston, dear, obrigada pelo preço da energia. Salão dá para reservar às datas comemorativas, mas ficar sem ar condicionado... Isto não dá, não! :D