sexta-feira, 22 de abril de 2016

Forças da natureza

É inegável que, diante de um desastre natural, sentimo-nos mínimos. Quando a natureza resolve mostrar sua força, nós, meros humanos, temos que lidar com todas nossas limitações. 
Esta semana, em Houston, foi o reconhecer da nossa impotência. Com tempestades e avisos de tornado, a cidade e seu entorno, completamente planos, ficaram debaixo d'água. Muitos perderam casas, carros. Na cidade em que estou, o distrito escolar suspendeu as aulas durante toda a semana, devido à dificuldade de locomoção por parte de alguns. E então, ontem, na minha cidade (sempre será!), no Rio de Janeiro, uma forte ressaca do mar derrubou uma parte da ciclovia de São Conrado, inaugurada há poucos meses. Outro desastre natural... ou não?
Sim, quando a natureza resolve mostrar do que é capaz, nós vemos como somos fracos. Entretanto, há formas e formas de se lidar com desastres naturais. Desde que começaram as chuvas fortes por aqui, recebo emails e mensagens várias vezes por dia, dizendo como está o tempo, qual a previsão para as próximas horas, onde está alagado, onde não devo ir. Recebo, também, orientações de como agir em caso de ficar debaixo d'água, para onde ir em caso de tornado, para onde ligar para pedir ajuda imediata. E eu até agora não faço a mínima ideia de como conseguiram meu email e telefone! Aparentemente, ao pagar uma única conta que seja, você tem seu endereço verificado e pronto: sabem que você mora naquela região e, em caso de necessidade, entram em contato. Apesar do exato local onde moro não ter tido mais do que uma poça na frente da casa do vizinho (que serviu de brincadeira para as crianças da vizinhança), a situação foi bastante crítica à nossa volta. Ainda assim, para definir de uma maneira simplista, eu não me senti desamparada em momento algum.
Damos então um pulinho na minha terra. Feriado, as pessoas saem para andar de bicicleta, correr e aí bate uma onda forte e... desaba uma ciclovia construída à beira-mar. Não consigo expressar como me senti, mesmo daqui. Eu mal dormi esta noite, minha cabeça girava! Como que uma obra feita À BEIRA MAR não conta com a força do mar? O que dizer das pessoas que fizeram e executaram este projeto? O que dizer dos nossos governantes, que AUTORIZARAM a obra e puseram em risco a vida de seus governados? Vi muita gente dizendo que tem vergonha das pessoas que estão comandando o Rio de Janeiro atualmente. Eu não tenho vergonha. Eu tenho asco, eu tenho raiva. A sensação, hoje, é de revolta. E na inevitável comparação, minha cidade texana ganha de lavada: aqui, até a natureza usa suas armas pesadas e, como bom cowboy, dispara a artilharia sem dó. Mas você é avisado, o tempo todo, que pode estar em risco, é orientado onde pode ou não ir, é, por vezes, aconselhado a ficar em casa (empresas liberaram funcionários; jornalista pediu ao vivo que, se coagidos a ir ao trabalho em condições perigosas, as pessoas informassem os nomes de seus empregadores para que ele denunciasse). Você não sai feliz de casa, num feriado, para aproveitar o sol é levado por uma onda. Esta insensatez sem tamanho revolta e angustia.

Houston, dear, obrigada pelo alarme na televisão, que interrompe o programa para avisar que voltará a chover forte. Sei que houve vítimas da chuva aqui e meu coração está partido por elas, mas também sei o quanto incontáveis vidas foram salvas por conta dos alertas dados.


Rio de Janeiro, meu amor, hoje novamente choro por você. Que Deus conforte as famílias que perderam seus entes queridos neste absurdo desmedido. 

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