Quando você pensa em infância, qual a primeira coisa que te vem à cabeça? Se a sua foi um pouco parecida com a minha, vem mil coisas boas ao mesmo tempo: brincadeiras, amigos, sons, cores, sabores, cheiros. E tudo que eu vivi - ou que me lembra - a minha infância tem um gostinho especial. Por isso, naturalmente, eu pensei em passar parte do que vivi na primeira idade para os meus filhos. Sim, este sempre foi o plano. Daí você muda de casa, de país, de continente. Fuén, fuén, fuén! Seus filhos passam mais tempo ouvindo outra língua e você ainda tem pretensão de passar adiante uma parte da sua história?
Sim, admito: mudar de país nos faz rever todos os nossos conceitos, refazer todos os planos. O que, aliás, é algo bastante interessante. Esta ideia de recomeço, embora um pouco assustadora, é libertadora. Por que não voltar a seguir um velho sonho? Por que não mudar o que pensamos? Podemos (e devemos, aliás!) fazer isto o tempo todo, mas acabamos nos acostumando a seguir com nosso velho-bom-e-seguro-planejamento-inicial. Aí somos forçados a uma mudança - e nos deparamos com elas o tempo todo! - e pronto! Ou aprende a dançar conforme a música ou... dança! :)
No meu plano de 'quero que meus filhos tenham um tantinho da minha infância', o cenário não era uma casa de tijolinhos no Texas. No entanto, aqui estamos. E eu resolvi... adaptar o plano!
Uma das melhores lembranças da minha meninice são os livros. Não apenas as histórias, vejam bem: os livros! Eu lembro do cheiro dos livros. Eu lembro das cores dos livros. Eu lembro de, inicialmente, ouvir aquelas histórias e ter aquilo como parte de mim. Eu lembro das primeiras vezes em que comecei a ler aquelas histórias sozinhas. Eu lembro da sensação, única e que nunca perdi, de realização ao terminar um bom livro. Por isso, quando nos mudamos, boa parte do contêiner que trouxe nossa bagagem era de livros. E muitos, muitos livros favoritos. Vários parentes e amigos mandaram livros novos, renovando nossa bibliotequinha. Mas eis que o Davi está na escola e um belo dia ele começa a aprender letras, depois sons. Começa a juntar os fonemas e sem nos darmos conta, um belo dia... ele está lendo. Em inglês! Já sabe muitas palavras, faz frases curtas e lê livros simples. Tudo, claro, nos moldes da Gringoland, com sotaque texano e tudo! E aí, não teve Ruth Rocha, Fernanda Lopes de Almeida e Ana Maria Machado que dessem jeito na questão: o moleque queria ler, e queria ler in english!
Se uma das melhores coisas da minha vida é a paixão por livros e histórias, não iria nunca privar meus filhos disto! Então, devagar e sempre, a nossa bibliotequinha começou a ter títulos em inglês. E mais e mais e mais. Na hora de dormir, agora lemos ao menos um livro em cada língua. E meus filhos já corrigem o meu sotaque! (o qual TODOS os nativos que ouvem dizem que é lindo demais, que adoram o fato dos brasileiros falarem cantando! :) )
Tem livro infantil brasileiro de sobra por aqui! Tem também historinhas de folclore, paçoca e 'A arca de Noé' tocando no carro. Mas temos também cada vez mais livrinhos americanos na casa. Porque se dá para gente aproveitar um pouquinho do melhor dos dois mundos... aproveitemos! ;)
Houston, dear, obrigada por me proporcionar uma nova infância! Tantos novos livros a serem descobertos está sendo uma experiência incrível!
Os livros: 'A margarida friorenta' está ilustrando esta postagem porque eu me lembro exatamente como me senti (um misto inexplicável de alegria e tristeza) ao ler este clássico pela primeira vez. E foi também um dos primeiros livros que li sozinha. Da Fernanda Lopes de Almeida - aquela mesma, de 'A fada que tinha ideias', lembra? :)
'I am a bunny', do Richard Scarry, caiu no meu pé. Literalmente: estava dando uma olhada em livros, ele estava atrás de um, escorregou e caiu em cima de mim. Ao pegá-lo para devolver à prateleira, fiquei absolutamente encantada com as imagens e acabei comprando-o. Foi o primeiro livro infantil que comprei por aqui e o li muitas vezes para o Davi e a Lara. Tantas que, no aniversário dela, usamos imagens deste livrinho para decorar a casa. E ficou lindo e ficou uma lembrança gostosa de infância, como eu queria...
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