terça-feira, 30 de junho de 2015

TUDO NOVO DE NOVO!


Ai, ai, ai, ai.. está chegando a hora! Estou à beira de um ataque de nervos na reta final. O meu plano era que o Felipe fosse na frente e eu fosse ao menos uma semana mais tarde, com as crianças, as cachorras e meus pais. Só que meu pai tem uns exames para fazer e acabou ficando tudo enrolado: se eles fossem, teriam que sair do Rio correndo para me ajudar, ficar umas duas semanas apenas e voltar correndo. Não faz muito sentido. Então, mudança de planos: vamos todos juntos, eu, marido, filhos, cachorras, uma semana antes do que eu previa. Por que, né? Para que enlouquecer aos poucos se você pode endoidar de vez! :) E aí, nesta coisa de fazer malas, separar coisas e tal, me peguei pensando no que ficaria para trás {lágrima no cantinho do olho nesta hora!}. E me vi pensando, da mesma forma, no que teríamos que comprar novo. Ok, assumo: isso deu um desespero, mas foi um desespero bom! Depois de dez anos de casamento, claro que juntamos muitas coisas, perdemos algumas, repusemos outras. Mas tem muita coisa que eu vou curtir : comprar tudo novo. Tudo novo de novo, quem não curte? Fiquei empolgada. Principalmente considerando-se que os juros de cartão de crédito nos Istêites são bem menores que no Brasil! hahahahahaha 
Houston, dear, comprar coisinhas novas para a casa nova definitivamente não será um problema! ;)


*Esta foto foi tirada em janeiro de 2005. Eu e Felipe tínhamos tido nosso chá de panela e levamos tudo para nossa primeira casa: um apartamento delicioso onde fomos muito felizes a dois. Antes mesmo da família aumentar, começamos a buscar um lugar maior e, com dor no coração, saí do apê para uma casa. Foi nossa primeira mudança e, na época, uma excitação e ansiedade enormes. Mal sabia eu que alguns anos depois passaria por uma mudança de verdade! :)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

MALAS!

Está chegando a hora... Frio na barriga é pouco para descrever a sensação. Um misto de ansiedade em ir logo e querer ficar mais. Apenas mais uma contradição de sentimentos. :) E estamos no momento crucial de decidir o que levar e o que deixar: a hora de fazer as malas. Infelizmente, não somos rycohs o suficiente para deixar tudo para trás e ir apenas com uma bolsinha de mão. E, honestamente, nem tão desapegados: queremos levar um pouco da 'nossa casa' para... a nossa casa! Então, já tínhamos ido a lojas de móveis em Houston, em maio deste ano, e vimos algumas coisas que gostamos. Mas decidimos manter nossa mobília. Algumas coisas, sempre soubemos que levaríamos: a cristaleira que é herança da minha tia avó, o chapeleiro que foi do meu avô, a chaise que trouxemos de nossa lua-de-mel no sul da Bahia, as poltronas que foram presente da minha irmã. Mas acabamos decidindo levar mais coisas: reformamos o rack da sala e o sofá. O chato é que o container pode demorar até dois meses para chegar. Enfim, até lá iremos comprando aos poucos algumas coisinhas por lá. E o que não levar é o mais complicado: brinquedos, roupas, livros... Separar para doar, separar o que daremos para pessoas queridas: isso dá uma trabalheira danada! Houston, dear, isto está sendo um problema. Não tem como teletransportar a minha casinha daqui praí, não? Vontade de fazer uma mágica e já estar tudo pronto e encaixotado e etiquetado. Se alguém tiver uma lâmpada do Alladin para me emprestar, tô aceitando! :)

quinta-feira, 25 de junho de 2015

SÃO JOÃO, SÃO JOÃO, ACENDE A FOGUEIRA DO MEU CORAÇÃO!

Hoje é a festa junina do Davi e da Lara, na escola. Por conta de uma frente fria, a festa foi desmarcada da semana passada  e remarcada apenas na terça-feira. Ou seja, ontem tive que fazer cuscuz e cocada preta, os doces que meus filhos ficaram incumbidos de levar. Aquela correria, a cozinha cheia de coco ralado para todo canto e eu feliz da vida: ADORO FESTA JUNINA!!! :) Ok, nunca tinha feito cuscuz na vida e esta parte foi meio chatinha (peguei receita na internet, no saquinho de tapioca, no livro da Rita Lobo e com uma amiga, Ana Paula. Fiz a da Ana Paula e deu certo!), mas uma vez prontos os doces, as crianças começaram na euforia do 'amanhã é a festa junina!' E eu adorei esta bagunça! Hoje, acordaram cedinho e colocaram as roupinhas de caipira. Ficaram tããããããããaoooo fofos!!!! Saíram todos felizes, carregando seus doces. E ao os ver entrando na escola, me deu uma pontinha de insegurança. Sei que tem muitos brasileiros em Houston e sei que poderei fazer vários amigos por lá, brasileiros ou não. Mas será que o povo de lá é animado para pular fogueira de São João? Será que é fácil achar tapioca para fazer cuscuz? E paçoca (amo mais que tudo), será que tem? Ai, dor no coração pensar em ficar sem festa junina...
Houston, dear, eu já pus na cabeça que este é um problema solucionado: mesmo que ninguém tenha este hábito, ano que vem, em nossa casa, vai ter festa junina (ou julina!). E vai ter o que tiver por lá: milho cozido eu sei que tem (e é meio adocicado e mais gostoso que o nosso, pasmem!), dá para fazer caldo verde com certeza. Seu não conseguir a paçoca, vou inventar algum doce usando aquela pasta de amendoim americana bem típica e pronto. De um jeito ou de outro, Santo Antônio, São João e São Pedro serão lembrados. Podem apostar! :)

terça-feira, 23 de junho de 2015

PERSONAL SPACE


Quando a gente pensa em mudar de país, dá um tremendo frio na barriga. Passam mil coisas pela cabeça e a 'adaptação à nova cultura' é algo que fica sempre martelando. Vamos nos adaptar bem? Rápido? Não temos como saber de antemão, então, acabo conjecturando. Fico pensando nas coisas parecidas, mas penso muito mais nas diferenças culturais. E no sábado, me vi pensando no quanto algumas das coisas que mais estranharemos de início podem vir a ser as que mais gostaremos, eventualmente. E tudo isso por conta do 'personal space'.
Há alguns anos, um casal de amigos mudou com a filha pequena para os EUA e, pouco depois, tiveram outra filha. Moraram lá por alguns anos e voltaram ao Brasil. No que seria o último dia de aula das filhas, a mãe disse para a mais velha: 'filha, dá um abraço bem apertado nos seus amigos, porque você vai passar um bom tempo sem vê-los'. A menina respondeu 'não posso, mamãe, porque senão eu invado o personal space dos amigos!'. Mudaram-se para o Brasil e, em seguida, a menina reclamou com a mãe, dizendo que os amigos não respeitavam o 'personal space' dela. Eu ri muito desta história, na época.
Numa tradução literal - e porca- 'personal space' é 'espaço pessoal'. Em bom português brasileiro, isso quer dizer: absolutamente nada! Pelo menos aqui, no Rio de Janeiro, 'personal space' não significa nada: somos invasivos, 'entrões'. Nos metemos na vida uns dos outros, damos pitacos. Somos de abraços, beijos, tapinhas nas costas. Somos de muito papo, muito toque, muito muito. Ou seja: não há espaço pessoal respeitado. E isso é levado estranhamente a sério por algumas pessoas. No sábado, dentro do meu condomínio, um dos vizinhos resolveu fazer uma festa junina. Até aí, nada demais. Não fosse um pequeno detalhe: resolveram soltar fogos, tarde da noite. Onze e pouco da noite e parecia final de campeonato aqui na esquina. Resultado: Lara acordou em pânico, coração acelerado, chorando assustada. Demorou a dormir.  E eu fiquei pensando no quanto este vizinho tinha sido invasivo, no quanto a festa dele perturbou toda a vizinhança e no quanto isto foi errado. Eu realmente fiquei com ódio da irresponsabilidade. Todos os cachorros da rua latindo, desesperados com o barulho. As crianças chorando. Isso, à meia-noite. Faltou, para mim, bom- senso, o 'meu direito termina onde começa o do outro'. Faltou a percepção do 'personal space', o 'eu não posso invadir seu espaço.'
Nesta madrugada, entrou algum bicho aqui em casa - não sei se foi gambá, passarinho ou morcego. O que sei é que no meio da noite, foram as nossas cachorras a dar trabalho, latindo alto e perturbando. Felipe desceu correndo prendeu as duas, que pararam de latir no mesmo instante. Sim, sim, aqui nós já temos, mesmo sem sentir, o entendimento e a necessidade do 'personal space.' Houston, dear, esta parte não será um problema. :)

* os quadrinhos são do Dilbert, que meu marido ama! O que eles estão dizendo:

1o. quadrinho: Uh-oh, Nardo está chegando. Vou cair fora daqui.
2o. quadrinho:  - Uh, oi, Nardo.
                         - Na velha nação, não tínhamos o que vocês chamam de 'personal space'.
3o. quadrinho:   - Tire suas mãos dos meus bolsos.
                          - Oh, eu entendo. Eles são para seu uso exclusivo, certo?

quarta-feira, 17 de junho de 2015

VISTOS!

E dentre os muitos papéis e da burocracia sem fim, o que mais dá o frio na barriga é o visto. Mesmo com a empresa mandando dos EUA 34578342 documentos diferentes, justificando a ida do meu marido, dá aquela sensação de 'vai que não concedem?' Então, no final de semana, continuamos nossa saga para obter o visto.
Eu, Felipe e Davi, já temos visto de turismo - a Lara, nem este tinha. Desta vez, no entanto, pleiteávamos outro tipo de visto, o visto de trabalho. O visto principal é o do Felipe e o nosso fica atrelado ao dele. Ao contrário do visto de turismo, este tem um prazo menor - que varia, caso a caso - e requer o cumprimento de diferentes exigências. Enfim: domingo, uma da tarde, estávamos no Humaitá para tirarmos as fotos para os vistos. Um sol quente que não tornou a fila, do lado de fora, uma boa lembrança. Entramos, tiramos as fotos e fomos notificados que, no dia seguinte, na entrevista, deveríamos levar fotos, já que o sistema estava fora do ar e as fotos talvez não chegassem. Pensamos 'este consulado já está tempo demais no Brasil, só pode!' Inacreditável. Total sensação de perda de tempo e impotência. Seguimos direto para o shopping, tiramos as fotos e voltamos correndo - festinha dos dindos aqui em casa, outra hora conto com calma. Na segunda de manhã, eu e Felipe estávamos no consulado, para a entrevista. Felizmente, neste dia a presença das crianças não era necessária, o que nos deixou mais tranquilos. Chegamos um pouco mais cedo que a hora marcada, entramos na fila, entramos no consulado. E aí... chá de cadeira! Todas as pessoas que entraram conosco iam sendo atendidas e nós lá, esperando, esperando, esperando. Deduzimos que, talvez, o visto de trabalho fosse concedido/negado por apenas uma pessoa e por isso demorasse mais. Quando chegou a nossa vez, fomos encaminhados para uma fila comum, o que nos fez ver que a fila anda aleatoriamente e aleatoriamente esperamos muito mais que os demais. Ok. Entrevista. O vice-cônsul pega os papéis que a empresa enviou, os separa em diferentes partes, sai carimbando, perguntando cosias como 'há quanto tempo você trabalha para sua empresa, qual sua função?' para o Felipe. Abre um sorriso ao perguntar se as crianças estão animadas com a mudança (aparentemente, a curiosidade é geral!). Então, nos dá a primeira e já esperada facada: temos que pagar uma taxa extra de US$ 500, pelo visto do Felipe. Pelo que entendi, seria um 'cheque caução'. Caução de que, não faço a menor ideia. Pagamos, voltamos ao guichê. 'Desculpem, esqueci que vocês também tem pagar a taxa dos outros vistos. Mais US$300'. Claro que a esta altura eu já queria chorar e perguntava para o Felipe se teríamos reembolso desta bagatela (2500 dilmas, aproximadamente, para quem está de mudança, faz muuuuuuita falta!). Pagamos. O Felipe me olhou e disse 'eu realmente espero que não tenham nos feito pagar 800 dólares para negar o visto!'. Falou rindo, mas escondendo um sentimento 'um dia de fúria'. Eu sentia exatamente a mesma coisa. Voltamos ao guichê onde o simpático (não, não é deboche!) vice-cônsul checou novamente algumas coisas, digitou, digitou, digitou e disse 'pronto. Os quatro vistos estão aprovados. Boa sorte lá!' Tudo naquele sotaque americano que logo nos será bem familiar. :)
Saímos de lá aliviados. É aquilo do 'a gente sabe que vai dar certo, mas...' A previsão de entrega dos vistos é de dez dias, avisaram-nos no consulado. No entanto, no dia seguinte, à noite, todos os jornais noticiam que o tal 'sistema fora do ar' está atrasando a emissão de vistos, que podem demorar mais do que o previsto. Fuén, fuén, fuén. Definitivamente, alegria de pobre dura pouco! :p


PS: para quem está pretendendo tirar vistos para os EUA, no consulado que fica no Rio de Janeiro - é proibida a entrada de qualquer aparelho eletrônico, incluindo celulares. Ficam umas pessoas na porta e você paga 5 reais para eles guardarem seu celular - o preço é por aparelho. Mas não há a menor garantia, o consulado deixa claro que o serviço não é recomendado por eles. Deixamos os 2 aparelhos do Felipe e não tivemos problema. Ainda assim, vale a pena não levar o celular - ou deixar com um conhecido...

sábado, 13 de junho de 2015

AH, AS DESPEDIDAS...

A hora em que entrarmos no avião, efetivamente dando 'bye, bye, Brasil!' será difícil. MUITO difícil! Tenho plena consciência disso. Até lá, no entanto, vamos nos despedindo. E esta tem sido uma das partes mais bacanas de sair do país. No corre-corre diário, acabamos sem ter tempo de ver todos os amigos que gostaríamos. A programação das crianças sempre se sobrepõe às nossas {pais entendem isso; como eles podem ter festinhas de amigos TODOS os finais de semana?}. E assim vamos indo, encontrando um amigo aqui, outro acolá, quando a saudade aperta. Mas diante da possibilidade de não os vermos por um bom tempo, dá aquele aperto no peito e a sensação de que 'tem que dar tempo!' E assim, temos tidos nossas despedidas! :) Sábado passado, aniversário do Felipe, tivemos a chance de estar com vários amigos ao mesmo tempo. Foi uma ótima oportunidade para ele estar com os amigos de infância, celebrando. Durante a semana, fui almoçar com a Cris, uma querida amiga dos tempos de escola. Passamos a tarde juntas - tínhamos nos programado um mês antes para fazermos isso e ela liberou a agenda dela só para isto; me senti super especial. Eu terei uma oportunidade de ouro: poucos dias antes de eu embarcar, minha prima Paulinha casa com o Helder (dois lindos!) e eu estarei com toda a minha família de uma vez só! E este final de semana também será de despedidas... Hoje, uma muito especial: a prima Fefê, super amada, que mora em Brasília, está no Rio! As crianças estão eufóricas em vê-la  e eu, confesso, muito feliz por eles poderem ter este tempinho juntos antes de irmos pro Texas. E amanhã teremos a despedida dos dindos: os padrinhos das crianças pediram um tempinho só deles com eles, sem muita gente. Teremos um lanchinho de despedida. 
Sim, sim, mudar de país não é fácil. Mas esta parte de festinhas de despedidas... estou adorando! :)

sexta-feira, 12 de junho de 2015

DIA DOS NAMORADOS (NO BRASIL)

A coisa menos divertida na mudança: encaixotar tudo! Teremos ajuda de uma empresa especializada, que virá aqui e fará o 'trabalho pesado'. Só que somos nós a dizer o que vai e o que fica. E como tem coisa para ficar: roupas, brinquedos e até livros. Por isso, estamos naquele momento de anti-impulso consumista: tudo o que pensamos é 'ah, não, mais uma coisa para empacotar!' O chato disto é que no meio do caminho tivemos o aniversário do Felipe, meu marido, dia 06. E hoje é dia dos namorados!  Nos Estados Unidos, comemora-se este dia de uma forma um pouco diferente e em outra data: 14 de fevereiro. Sim, sim, estou feliz com a possibilidade de comemorar duas vezes ano que vem. E será justo porque hoje... não estamos celebrando muito. :/ Digo, sim, comemoramos todos os dias o fato de estarmos juntos e tal, mas estamos naquele estágio em que a possibilidade de troca de presentes parece não fazer sentido: melhor esperar um pouco e nos darmos todos os presentes lá. Disse ontem para meu marido que, se pudesse escolher, queria de presente a papelada toda pronta de uma vez. Não consegui este presente, mas consegui outro: aleluia, conseguimos marcar a operação do Davi para a semana que vem! Felipe disse que merecemos de presente um jantar bacana, em um restaurante legal. Hoje, não vai dar, ficaremos com as crianças. Talvez semana que vem, com sorte, consigamos uma brechinha na agenda para um momento só nosso. Do contrário... o jantar romântico também ficará para o Texas! Sem problemas. Acho que podemos ficar abraçados vendo um filme, comendo pipoca. Dia dos namorados é apenas mais uma oportunidade de lembrar quem você ama do quanto você o ama. E reafirmamos esta certeza todos os dias, então, hoje, é apenas mais um destes dias! :) 

PS: Felipe, se você ler isso, no Texas eu quero presente, hein? :D

quinta-feira, 11 de junho de 2015

PAPÉIS!

Quando você está num processo de mudança de país, você está num processo de mudança completa: todo seu estilo de vida vai mudar. E a montanha russa emocional é inevitável. O tempo todo perguntam como eu estou e, na maior parte do tempo, eu preciso parar e pensar em como estou naquele segundo. Porque no segundo anterior ou no próximo já posso estar com outro humor. Alegria e tristeza, depressão e euforia, excitação e melancolia: tudo ao mesmo tempo. Já estive grávida, já estive hormonal. E a sensação é parecida, mas pareço estar gerando trigêmeos. Muito mais instável, muito mais sensível, muito mais tudo. Só tem uma constante na minha vida, atualmente: a irritação! Sim, é triste admitir, mas estou irritada. Muito, muito irritada! Não nego que a perspectiva de mudar de país tenha, sim, seu lado extremamente excitante. Mas até chegar lá... Nossa! A burocracia é gigantesca, assustadora! A cada etapa que passamos, nos surge uma nova pilha de papéis. Temos que resolver toda a nossa documentação do Brasil. Temos que resolver toda a nossa documentação para ir para o Texas. Temos que resolver toda a nossa documentação no Texas - sim, não nos livramos da burocracia, apenas mudamos a origem dela: já temos entrevistas agendadas para tirar nossos social security numbers (o CPF americano). Dá um desânimo... :/ Enfim, cada vez mais convencida que se a roda foi a maior invenção da humanidade, o documento de transferência do dono da roda foi a pior. Começou ali a saga por papéis e mais papéis para se resolver qualquer coisa no nosso mundinho ocidental. Frustrante!








FANTÁSTICO MUNDO NOVO


O mais difícil, disparado, em se mudar de país, é pensar em deixar família e amigos para trás. Eu amo a minha cidade, mas serei honesta: se pudesse levar toda minha família e amigos conosco, não sentiria tanta falta assim do Rio de Janeiro. Várias pessoas estão nos dizendo coisas como: 'vocês estão se mudando na hora certa', pensando na crescente onda de criminalidade na cidade. Mas a verdade é que não existe hora certa. Aliás, mentira - existe, sim: a hora certa é antes de ter filhos. Porque nossa maior preocupação é com a adaptação das crianças - meu filho, Davi, é hiperativo e não sei como será o ajuste a uma sociedade que não parece ser muito tolerante à hiperatividade. Enfim, minha maior tristeza é saber que ficarei longe da família e dos amigos. Mas... ai, Deus é bom, né? :)
Entre 2008 e 2009, um 'Robert' veio transferido do Texas para o Rio. E meu marido pediu que eu levasse a esposa dele para sair, em um dia que eles tinham reunião. Eles tinham vindo fazer a 'house hunting' (procura de casa) e ela estaria sozinha no hotel. Eu a peguei para passearmos, numa tarde chuvosa em que não se poderia fazer nenhum dos passeios turísticos tradicionais do Rio. Então, fomos ao CCBB, à Candelária, à Santa Tereza. Nosso primeiro almoço juntas e eu a levei à Lapa. Ela voltou para o Texas, nos correspondemos até que eles viessem, de fato, morar no Rio. A esta altura, o 'Robert' já era o Bobby e sua esposa já era minha querida amiga Jade. :) Eles voltaram para o Texas e mantivemos contato. Assim, saio da minha cidade rumo à nova vida já tendo uma grande amiga, que morará a 45 minutos de mim. Nada mal, hein? :)
Fomos em abril deste ano para Houston e nos encontramos com um casal de amigos - o ex chefe do meu marido e a esposa. Ela é um amor, me adicionou em um grupo de brasileiras que moram em Houston e está me dando vários toques. Mais uma pessoa para minha rede de apoio. São muitas pessoas sendo deixadas, mas é bom saber que não começarei do zero por lá. :)

{na foto, eu e Jade em uma exposição, na cidade de The Woodlands, Texas, em 2013}

E AS CRIANÇAS?

E como as crianças estão reagindo à mudança? Esta parece ser a pergunta que mais tenho respondido. Natural: tenho um filho de 5 anos, Davi e uma filha de 3 anos, Lara. Apesar de saber que o impacto da mudança será grande para toda a família, sem dúvida serão as crianças as mais afetadas, inicialmente, durante nossa trajetória Rio-Houston. Eles sabem que nos mudaremos, óbvio, mas a Lara ainda não entende a dimensão disso. O Davi, por ser mais velho, já consegue compreender melhor - e alterna momentos de euforia e rejeição à mudança. Por enquanto, a única certeza que eles tem é que iremos para a 'terra do Mickey e da Minnie'. Em algum momento pretendemos levá-los à Disney, para que eles possam ver que falávamos a verdade. Não sabemos quanto tempo vai demorar para isto acontecer, então venho falando da NASA com mais frequência. Espero que ver um foguete seja tão legal quanto ver um casal de ratos... #oremos

NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA PELE

Mudar não é fácil. São taaaaantas coisas para se ver que, se a pessoa parar para pensar, desiste. Não somos exceção: eu e meu marido estamos agindo. Vamos deixar para pensar quando já estivermos em Houston. E no meio desta caótica fase, surge uma pele no meio do caminho: nosso filho, de 5 anos, tem que operar fimose. Logo.
Todos falam que o sistema médico americano é muito ruim, mas o brasileiro está longe de ser bom. Depois de tentar resolver tudo pelo plano de saúde, sem sucesso, partimos numa odisseia em busca de médicos particulares, que o pudessem operar no curto intervalo de tempo-recuperação que temos. Ainda assim, não conseguimos a marcação do exame pré-operatório - o 'risco cirúrgico' - e a cirurgia ainda não tem data para acontecer. Neste exato momento, esta é uma das maiores preocupações: que ele seja operado e já esteja completamente recuperado a tempo de viajar. Dedos cruzados! :)

HOUSTON, WE HAVE A PROBLEM!

Ok, ok, Não é um problema de verdade e nem foi, de fato,  uma surpresa. Mas sim: é um susto! Nasci no Rio de Janeiro e passei boa parte da minha vida aqui. Casei com um cara daqui, aqui tivemos dois filhos. Apesar dos - cada vez maiores - pesares, a 'Cidade Maravilhosa' sempre foi a 'minha casa'. Amo viajar, muito mesmo! Não penso meia vez quando surge a oportunidade de ir daqui até onde quer que seja - arrumo as malas na maior felicidade. Mas sempre com a certeza de voltar. E então, de repente, me vejo arrumando as malas. Para não mais voltar. 
Meu marido está sendo transferido para o Texas e, em cerca de um mês, troco o Rio de Janeiro por Houston - na verdade, uma cidadezinha colada à cidade. Em meio às despedidas, arrumação de malas e lidar com mil pendências que surgem, não dá para pensar muito: estamos agindo no modo automático, tendo resolver tudo, meio que em transe. Para não surtar de vez, ou apenas para deixar registrado o que estamos vivendo, começo a escrever o que está acontecendo. 
Houston, we have a problem: the trupe Horácio Mendes is coming! :)